EUR/USD
Semanal
Vou começar o artigo desta semana como terminei o da semana passada, “o EUR/USD continua à espera de um catalisador credível para abandonar o intervalo 1,1700/1,1800.”
Durante esta última semana, receios de uma escalada no conflito no Médio Oriente levaram os preços do petróleo para máximos, pressionando o EUR/USD que não fez mais do que ameaçar os 1,1700 (fez um mínimo de 1,1676), para de seguida, o reforço da continuação do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, e posteriormente o anúncio da entrega de uma proposta para pôr fim ao conflito e à reabertura do Estreito de Ormuz, levar o petróleo para mínimos e o EUR/USD a testar máximos, muito perto de 1,1800. Um déjà vu da semana anterior.
Os importantes dados do mercado de trabalho foram largamente ignorados pelos mercados, tal como tinham sido anteriormente tantos outros. O mercado continua prisioneiro dos fluxos noticiosos geoestratégicos, quase em exclusivo ligados ao Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos aguardam por uma resposta iraniana (que supostamente deveria ter sido dada em 48 horas). O TACO (“Trump always chicken out”, ou num português menos agressivo “Trump acaba sempre por recuar”) tem levado Donald Trump a empurrar o problema com a barriga, mas com uma viagem marcada para Pequim, onde certamente gostaria de levar o dossiê Irão arrumado, poderá fazê-lo actuar.
Apesar de uma reabertura do Estreito de Ormuz não resolver de imediato o problema criado, representaria pelo menos um primeiro sinal de descompressão nos mercados. O impacto económico e logístico do bloqueio deixou marcas nas cadeias de abastecimento e na confiança dos investidores, e esses efeitos não desaparecem de um dia para o outro. Ainda assim, a normalização gradual da circulação marítima ajudaria a aliviar o prémio de risco no petróleo, reduzir a pressão sobre os custos de transporte e devolver alguma estabilidade aos mercados globais.
Já uma escalada no conflito, com novos bombardeamentos, como Trump tem ameaçado, representaria um cenário bem mais perigoso para os mercados e para a economia global. Isso aumentaria o risco de interrupções prolongadas no fornecimento de petróleo, manteria a pressão sobre a inflação e voltaria a alimentar movimentos de aversão ao risco nos mercados financeiros, com activos como o dólar a voltarem a ser os preferidos dos investidores.
Num mundo “normal” poderíamos desenvolver narrativas para cenários diversos dos números da inflação que serão divulgados esta semana nos Estados Unidos, mas esse não é o mundo onde nos encontramos actualmente, pelo que não devemos esperar um impacto relevante dos dados que serão divulgados já na terça-feira.
Como optimista que sou, estou crente que esta semana poderemos ter o tal catalisador e ver o intervalo 1,1700/1,1800 finalmente ultrapassado.
A visita de Donald Trump à China poderá fazer com que as posições norte-americana e iraniana se consigam aproximar, de forma a encontrarem uma plataforma de entendimento, com o caminho para o conflito a ser afastado, pelo menos momentaneamente.
Por outro lado, o encontro entre Trump e Xi Jinping poderá marcar um ponto de viragem, com potencial para abrandar a escalada tarifária e reverter parte das recentes tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, abrindo espaço a uma maior descompressão dos mercados no curto prazo.
Estas situações levam-me a acreditar que a probabilidade de rompermos o nível 1,1800 será maior do que a de quebrarmos os 1,1700.
Claro está que, caso o conflito no Médio Oriente escale, o caminho ficará aberto para uma quebra bem abaixo dos 1,1700.
Resumindo, será uma semana de “ou vai ou racha”.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
Por aqui nada de novo
O EUR/USD manteve-se a negociar acima da média móvel das 21 semanas e dentro de um padrão de consolidação em cerca de um ano.A linha de MACD praticamente coincidente com a linha neutra e a linha de sinal, em conjunto com um RSI muito perto da linha de 50, mantém um “momentum” neutro para o par.
O break do máximo do mês anterior a 1,1849, poderá levar ao quebrar do padrão de consolidação mais apertado, abrindo espaço para um teste à resistência a 1,1918, limite superior de um padrão de consolidação mais alargado. O ultrapassar desta resistência irá expor o máximo do ano a 1,2082, onde pelo meio encontra a resistência psicológica de 1,2000.
O quebrar do mínimo das últimas semanas a 1,1660, poderá confirmar a continuação do EUR/USD na área de consolidação 1,1480/1,1830. Só o break do suporte a 1,1480 colocará o par num cenário mais bearish, que o pode levar para os mínimos de Maio de 2025, a 1,1065.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5 Pode acompanhar diariamente os comentários/análises ao EUR/USD no nosso canal YouTube clicando aqui .
O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD terminou a semana a negociar acima da Nuvem de Ichimoku diária, acima da média móvel dos 21 dias e afastando-se da média móvel dos 200 dias, que o tem suportado.
O MACD, acima da linha de zero, continua a mostrar uma tendência ascendente para o par, enquanto o RSI segue acima da linha de 50, a 59, ainda longe de uma situação de sobre compra.
A confirmação do break de Senkou B diário a 1,1747, com um fecho diário acima dessa linha, poderá colocar de novo o par na tendência ascendente que vem desde finais de Março. Após a área de resistência 1,1795/1,1805, o máximo de Abril a 1,1848 ficará exposto e se ultrapassado, o caminho ficará aberto para a próxima resistência a 1,1918, máximo de Setembro de 2025, antes do nível psicológico 1,2000 e do máximo deste ano a 1,2082.
O quebrar do suporte dado pela média móvel dos 200 dias, de momento a 1,1678, poderá sinalizar um cenário mais bearish para o par, que poderá ter caminho aberto até ao suporte a 1,1579, dado pelo mínimo de Janeiro deste ano, em simultâneo com Senkou A diário, base da Nuvem de Ichimoku. O quebrar destes suportes irá expor os mínimos deste ano abaixo de 1,1500.
Resistências - Suportes
1,1848 - 1,1678
1,1918 - 1,1579
1,2000 - 1,1500