A semana que começa
Fed, Médio Oriente e NVIDIA

A semana que começa Fed, Médio Oriente e NVIDIA

Uma semana onde: Médio‑Oriente, a sobrevivência política de Keir Starmer no Reino Unido, as minutas da Fed, a vaga de PMIs e a época de resultados que traz a NVIDIA , irão prender as atenções dos mercado

Geopolítica, bancos centrais e resultados empresariais condicionam o risco nos mercados. O Médio Oriente mantém o crude e a aversão ao risco em alerta, enquanto a Reserva Federal divulga as minutas que podem reforçar ou aliviar receios sobre a trajectória das taxas. No Reino Unido, as recentes derrotas eleitorais de Starmer aumentam a pressão sobre a libra e a estabilidade política. Ao mesmo tempo, PMI preliminares de Maio trazem a leitura mais fresca do ciclo económico na Europa, no Reino Unido e nos Estados Unidos, enquanto a NVIDIA entra em cena como barómetro do apetite por risco e da narrativa em torno da IA.




Médio Oriente

O ponto de situação no Médio Oriente continua frágil e com risco elevado de novos sobressaltos. As notícias mais recentes apontam para uma intensificação das operações israelitas em Gaza e no Líbano, enquanto o dossiê do Irão e a segurança no Estreito de Ormuz mantêm os mercados em alerta.
Para os mercados, o tema não é apenas geopolítico: é também energia, transporte marítimo e risco inflacionista, sobretudo se houver novo choque no petróleo ou nas rotas comerciais.
Em resumo, não há propriamente sinais de desanuviamento; há antes uma situação em que cada manchete pode voltar a mexer com o crude, as moedas e os activos de risco.





Starmer vai ou fica?

No Reino Unido, a pergunta é mesmo essa: Starmer vai ou fica? Depois das eleições locais e regionais de 7 de Maio, o Partido Trabalhista sofreu perdas pesadas, com o partido Reform UK, de Nigel Farage, a ganhar terreno e a aumentar a pressão sobre a liderança do primeiro-ministro.
Starmer prometeu resistir e continuar no cargo para “deliver change” (fazer uma mudança), mas o cenário político ficou claramente mais apertado, sobretudo depois de um voto que foi lido como teste directo à sua liderança.
Para os mercados, o mais relevante é perceber se esta fragilidade política começa a contaminar a libra, a confiança empresarial e a margem de manobra do Governo num ano já difícil.





Fed e política monetária

A quarta-feira traz as minutas da última reunião da Reserva Federal, um documento que pode dar mais pistas sobre o grau de desconforto dentro do comité em relação à inflação e ao rumo das taxas.
O contexto não é simples: nas últimas semanas, as expectativas para cortes de juros em 2026 foram sendo revistas e o debate passou a incluir até a possibilidade de taxas mais altas, caso a inflação volte a ganhar tração.
Por isso, as minutas podem ganhar mais importância do que o habitual, não tanto pelo que confirmam do passado, mas pelo que deixam entrever sobre o próximo passo da Fed.





Agenda de PMI

Na agenda económica, os PMI vão ser a peça mais útil para medir o pulso da actividade na Zona Euro, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Os números preliminares de Maio chegam na quinta-feira e, como é habitual, podem mexer com as expectativas de crescimento e de política monetária, sobretudo se vierem a confirmar uma desaceleração da indústria ou dos serviços.
Na Europa, o pano de fundo já vinha mais fraco, com o sector dos serviços a mostrar sinais de perda de dinamismo e o índice composto a cair para níveis baixos em vários países.
Se os dados surpreenderem em alta, ajudam a estabilizar o sentimento; se voltarem a falhar, reforçam a leitura de uma economia ainda sem grande fôlego.





Época de resultados

A semana da NVIDIA é, quase por definição, uma semana de referência para o mercado accionista global. Os resultados da empresa vão ser observados como teste à continuidade do entusiasmo em torno da inteligência artificial, num momento em que o sector tecnológico tem sido o principal motor do optimismo.
Mas a história não se fica pela NVIDIA: Home Depot, Target, Walmart, Deere, Zoom, Ralph Lauren, Baidu e Ryanair também entram em cena, o que dá uma boa fotografia do consumo, da indústria, da procura corporativa e da capacidade das empresas de manter margens num ambiente ainda exigente.
Se a NVIDIA confirmar a força do investimento em IA e os retalhistas mostrarem um consumidor ainda resistente, o mercado pode manter o tom construtivo; se houver desilusão numa ou em várias frentes, a semana pode acabar com mais volatilidade do que parece à primeira vista.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
A semana começa com dados do mercado imobiliário, com a divulgação do índice NAHB, cujas estimativas apontam para que se mantenha nos 34.
Na terça-feira continuaremos com dados do imobiliário com as vendas pendentes de habitação de Abril, onde as estimativas apontam para um crescimento mensal de 1,2%, desacelerando dos 1,5% do mês anterior. Teremos também os dados semanais privados do emprego ADP.
Na quinta-feira o destaque vai para a divulgação dos dados da actividade económica da S&P Global. O PMI composto deverá, segundo as estimativas, mostrar um ligeiro recuo dos 51,7 para 51,5, onde a actividade manufactureira mostrará uma queda de 54,5 para 53, enquanto a de serviços poderá mostrar uma ligeira subida de 51 para 51,1. Teremos também mais dados do mercado imobiliário, com os números das licenças de construção a mostrarem um aumento de 0,5%, após a queda de 11,4% no mês de Março, e o ínicio de construção de imóveis a cair 3,5%, após o crescimento anterior de 10,8%. Teremos ainda os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego que se deverão manter em torno dos 211 mil da semana passada, e o índice da Fed de Filadélfia que deverá mostrar uma queda dos 26,7 de Abril para os 17,9 em Maio.
A semana termina com os dados finais da Universidade de Michigan, que poderão confirmar os números preliminares.

Zona Euro
As atenções da semana vão para os dados da actividade económica privada que serão divulgados na quinta-feira.
Na Alemanha, as previsões apontam para que o PMI composto avance ligeiramente de 48,4 para 48,7, com a actividade manufactureira a recuar de 51,4 para 51,1 e a de serviços a recuperar de 46,9 para 47,2.
Em França, as estimativas também apontam para uma queda na actividade económica, com o PMI composto a cair de 47,6 para 47,1, onde o industrial recua dos 52,8 para 52,5 e o de serviços de 46,5 para 46,4.
No agregado da Zona Euro, o PMI composto deverá subir de 48,8 para 49,5, continuando a mostrar-se em contracção, onde a actividade manufactureira cai de 52,2 para 51,5, enquanto a de serviço sobe de 47,6 para 48.
Iremos ter os números da balança comercial de Março, que deverão mostrar um crescimento do excedente de 11,5 mil milhões de euros em Fevereiro, para 35 mil milhões em Março.
Os números finais da inflação da Zona Euro deverão confirmar as leituras preliminares.
O índice de confiança do consumidor da Eurostat deverá manter-se em torno do nível do mês anterior nos -21.
Na Alemanha teremos o índice de preços no produtor de Abril, com as previsões a apontarem para uma desaceleração dos 2,5% em Março, para os 2,1%. Teremos também o número final do PIB do primeiro trimestre que deverá manter-se nos 0,3% e ainda o índice de confiança do consumidor GfK, que deverá mostrar uma queda de -33,3 para -33,8, assim como o índice de confiança empresarial IFO que deverá recuar de 84,4 para 84,1.
Em Itália teremos os dados da balança comercial de Março que, segundo as previsões, deverão mostrar um excedente de 5 mil mil milhões de euros, ligeiramente acima dos 4,94 mil milhões do mês anterior.

Reino Unido
Por aqui teremos uma semana bem preenchida de indicadores económicos de primeira linha.
A semana começa bastante ligeira, com a divulgação do índice de preços de imóveis da Rightmove.
Na terça-feira, as atenções vão especialmente para os dados do emprego. A taxa de desemprego deverá manter-se nos 4,9%. A variação do emprego deverá mostrar uma desaceleração dos 25 mil no mês de Fevereiro para 15 mil em Março. O crescimento médio salarial, incluindo bónus, deverá manter-se nos 3,8%. O número de pedidos de subsídio de desemprego deverá mostrar um aumento dos 26,9 mil em Março, para 32 mil em Abril e o número de empregos deverá mostrar uma queda de 26 mil, acelerando dos 11 mil registados em Março.
Na quarta-feira o destaque é a inflação. Os preços em Abril deverão mostrar um aumento mensal de 0,9%, acelerando dos 0,7% no mês anterior, com a inflação anual a cair de 3,3% para 3%. Sem energia nem alimentos, os preços deverão mostrar um aumento mensal de 0,8%, bem acima dos 0,4% do mês anterior, com a inflação subjacente a cair de 3,1% para 2,6%.
Na quinta-feira é a vez dos dados da actividade económica privada da S&P Global. O PMI composto deverá mostrar uma queda dos 52,6 para 51,9, com a actividade manufactureira a cair de 53,7 para 53,2 e a de serviços de 52,7 para 51,7. Iremos ter ainda o índice de expectativas de encomendas industriais CBI que deverá mostrar uma queda de -38 para -40.
A semana termina com o índice de confiança do consumidor GfK que deverá mostrar uma queda dos -25 para -28, as vendas a retalho de Abril, que deverão desacelerar dos 0,7% do mês anterior, para 0,6% e ainda os empréstimos líquidos ao sector público, que deverão mostrar um crescimento dos 12,6 mil milhões de libras, para 17,5 mil milhões.

Canadá
As atenções por aqui começam por ir para os dados da inflação. Os preços em Abril deverão mostrar um aumento mensal de 0,7%, desacelerando dos 0,9% do mês anterior, com a inflação anual a subir de 2,4% para 2,6%. Sem energia nem alimentos, os preços deverão mostrar um aumento mensal de 0,3%, acelerando dos 0,2% do mês anterior, com a inflação subjacente anual a subir de 2,5% para 2,6%. A CPI trimmed mean, a medida seguida mais de perto pelo Banco do Canadá, deverá manter-se nos 2,2%.
Em destaque irão estar também os números finais das vendas a retalho de Março que deverão manter o crescimento de 0,7%, em linha com o mês anterior, e se descontadas as vendas automóveis, deverão acelerar dos 0,5% do mês anterior para 0,9%.
Iremos ter também os números das licenças de construção que, após a queda de 8,4% no mês de Fevereiro, deverão subir em Março 2,1%, e ainda o índice de preço dos imóveis novos, que deverão mostrar uma estabilização em Abril, após a queda de 0,2% em Março.

China
Esta semana teremos um conjunto interessante de indicadores mensais, logo no início da semana.
O índice de preços dos imóveis novos deverão continuar a cair, com os números de Abril, segundo as estimativas, a poderem mostrar uma queda de 3,5%, após a queda de 3,4% no mês anterior.
Os números da produção industrial deverão mostrar um aumento de 5,9%, acelerando dos 5,7% do mês anterior, tal como as vendas a retalho que deverão mostrar um aumento de 2%, em termos homólogos, face a 1,7% no mês anterior.
A taxa de desemprego deverá cair de 5,4% para 5,3%.
Os investimentos em activos fixos deverão continuar a crescer ao ritmo de 1,7%, em linha com o mês anterior.
O investimento estrangeiro directo, segundo as estimativas, deverá continuar a cair. Após a queda de 7,3% apresentados no mês passado, este mês deverão mostrar uma queda de 6,8%.

Japão
Iremos ter uma semana bastante bem preenchida de indicadores de primeira linha. Começamos com os números preliminares do PIB relativos ao primeiro trimestre deste ano, onde as previsões apontam para um crescimento económico trimestral de 0,4%, acelerando dos 0,3% do trimestre anterior, com um crescimento anual de 1,6%, após os 1,3% apresentados no trimestre anterior.
A actividade da indústria terciária deverá mostrar uma queda de 0,3%, após os -0,4% no mês anterior.
As encomendas de ferramentas mecânicas, sem navios nem centrais energéticas, deverão mostrar uma contracção de 8,7%, após o aumento de 13,6% no mês anterior.
Teremos também os números da balança comercial que deverão apresentar um défice de 150 mil milhões de ienes, após o excedente do mês anterior de 667 mil milhões, com um aumento tanto nas importações como nas exportações.
A actividade económica privada da S&P Global deverá mostrar algum arrefecimento, com o índice composto a cair de 52,2 para 51,8, onde o índice manufactureiro cai de 55,1 para 54 e o de serviços de 51 para 50,7.
Finalmente, teremos os dados nacionais da inflação de Abril, com os preços em termos mensais a apresentarem um aumento de 0,5%, acelerando dos 0,4% do mês anterior. A inflação anual deverá mostrar uma subida dos 1,5% para 1,8%, onde sem os alimentos frescos, deverá recuar dos 1,8% para 1,7%.

Nova Zelândia
A semana começa com o índice de serviços BusinessNZ, onde as estimativas apontam para uma queda de 46,0 para 45,0.
Mais tarde teremos os números da balança comercial de Abril, onde as previsões mostram um excedente de 800 milhões de dólares neozelandeses, após os 698 milhões no mês de Março.
Teremos também os números das vendas a retalho do primeiro trimestre deste ano, com as previsões a apontarem para um crescimento trimestral de 0,4%, desacelerando dos 0,9% do trimestre anterior, com a medida anual a desacelerar dos 4,4% anteriores para 2,8%.
Iremos ter ainda os números da despesa em cartões de crédito, onde as estimativas mostram uma desaceleração do crescimento de 2,1% em Março, para 1,9% em Abril.

Austrália
O destaque da semana vai para os números do mercado de trabalho que serão divulgados na quinta-feira. A taxa de desemprego deverá manter-se nos 4,3%, assim como a taxa de participação nos 66,8%. A variação do emprego deverá mostrar um crescimento de 10 mil novos postos de trabalho, com um aumento de 40 mil a tempo inteiro e uma diminuição de 30 mil a tempo parcial.
Os mercados irão estar também atentos aos dados dos PMI da S&P Global que deverão mostrar um ligeiro recuo na actividade económica, com o índice composto a cair de 50,4 para 50,0, onde o sector manufactureiro cai de 51,3 para 50,6 e o de serviços de 50,7 para 49,9, entrando em contracção.
Iremos ter ainda o índice de confiança do consumidor Westpac, com as estimativas a apontarem para uma queda de 80,1 para 79,2.



Bancos Centrais



O People's Bank of China
O banco central chinês irá decidir sobre as suas principais taxas de juros para empréstimos de um e cinco anos, devendo manter as mesmas inalteradas em 3% e 3,5%, respectivamente.


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