EUR/USD
Semanal

EUR/USD  Semanal

Um dólar novamente mais forte, impulsionado pelas yields obrigacionistas e pelos preços do petróleo em máximos, acabou por pressionar o EUR/USD, com o par a terminar a semana em mínimos de mais de um mês.

Nem Donald Trump nem o Irão recuaram e o impasse no Médio Oriente mantém-se. O conflito não escalou, mas o Estreito de Ormuz continua “fechado”. Os preços do petróleo voltaram a negociar em alta, reforçando as expectativas de inflação e complicando a vida dos bancos centrais.

A “ajudar” estiveram os dados da inflação nos Estados Unidos, que surpreenderam os mercados ao atingirem os 3,8% em Abril, o valor mais alto em três anos. O índice de preços no produtor também acelerou para 6% em Abril, um sinal de que a pressão inflacionista poderá ainda agravar-se nos próximos meses.

Resultado: os mercados reforçaram as expectativas de subida de taxas de juro por parte dos bancos centrais, com as yields obrigacionistas a dispararem.

Em relação ao Banco Central Europeu, os mercados mantiveram as estimativas de dois a três aumentos de taxas para este ano, entre 50 e 75 pontos base. Já nos Estados Unidos, os mercados deixaram de descontar qualquer corte de taxas para este ano, face a um corte esperado anteriormente, passando mesmo a projectar uma subida de 25 pontos base.

O diferencial de taxas entre o dólar e o euro voltou a acelerar, deixando o EUR/USD ainda mais pressionado.

O tal “catalisador credível” de que tenho vindo a falar nas últimas semanas foi provavelmente a inflação nos Estados Unidos, que acabou por ser a gota de água que fez transbordar o copo.

O fluxo noticioso vindo do Médio Oriente continuará a estar no centro das atenções. Qualquer sinal que reduza ainda mais a probabilidade de reabertura do Estreito de Ormuz irá certamente contribuir para novos ganhos do dólar e pressionar o EUR/USD. Por outro lado, algum sinal de desanuviamento nas relações entre os Estados Unidos e o Irão poderá contribuir para algum suporte do sentimento de risco e do euro.

Uma semana onde teremos dados da actividade económica, os PMI, que serão provavelmente a peça mais útil para medir o pulso da Zona Euro. Os números poderão mexer com as expectativas de crescimento e de política monetária, sobretudo se vierem confirmar uma desaceleração da indústria ou dos serviços. Se os dados surpreenderem pela positiva, poderemos observar algum suporte ao euro; se voltarem a falhar, a pressão sobre o EUR/USD poderá aumentar.

Em minha opinião, sem novo impulso vindo do Médio Oriente, os mercados poderão esta semana estar mais susceptíveis aos diferenciais de taxas de juro e às expectativas em torno das mesmas. O spread entre as yields obrigacionistas das treasuries e das bunds deverá continuar a orientar o EUR/USD. A continuação do alargamento desse diferencial poderá manter o EUR/USD pressionado, com o nível dos 1,1600 a poder ser quebrado e o mercado a voltar a olhar para os 1,1500 — ou, quem sabe?, para novos mínimos do ano.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD continua a negociar dentro de uma área de consolidação em termos gerais entre 1,1500 e 1,1800, terminando a semana passada abaixo da média móvel das 21 semanas, pela primeira vez nas últimas seis semanas.

A linha de MACD praticamente coincidente com a linha neutra e a linha de sinal, em conjunto com um RSI muito perto da linha de 50, mantém um “momentum” neutro para o par.

O break do máximo do mês anterior a 1,1849, poderá levar ao quebrar do padrão de consolidação mais apertado, abrindo espaço para um teste à resistência a 1,1918, limite superior de um padrão de consolidação mais alargado. O ultrapassar desta resistência irá expor o máximo do ano a 1,2082, onde pelo meio encontra a resistência psicológica de 1,2000.

O quebrar do mínimo das últimas semanas a 1,1660, poderá confirmar a continuação do EUR/USD na área de consolidação 1,1480/1,1830. Só o break do suporte a 1,1480 colocará o par num cenário mais bearish, que o pode levar para os mínimos de Maio de 2025, a 1,1065.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O EUR/USD, depois de negociar acima da Nuvem de Ichimoku diária, voltou a negociar em baixa durante a semana passada, testando novamente esta importante zona de suporte/resistência, tendo mesmo terminado abaixo da média móvel dos 200 dias.

O cruzamento descendente da linha de MACD com a linha de Sinal mostra a possibilidade de uma inversão da tendência ascendente. O MACD aproxima-se agora da linha neutra, sinalizando deterioração do momentum e preparando-se para um possível cruzamento descendente. O RSI segue agora abaixo da linha dos 50, mas ainda longe de uma situação de sobrevenda, abrindo espaço para mais perdas no par.

O EUR/USD acelerou o movimento descendente ao cair novamente dentro da Nuvem de Ichimoku diária, e o cenário ficou mais bearish para o par após os fechos diários dos últimos dois dias abaixo da média móvel dos 200 dias. O suporte nos 1,1579 (mínimo de Janeiro deste ano) e o Senkou A diário — actual base da Nuvem de Ichimoku diária — passam agora a estar expostos.
A formação de um possível “double top” em torno dos 1,1800, com uma linha de activação nos 1,1675, coloca um possível objectivo para o par na zona dos 1,1550, aproximadamente. Abaixo desse nível teremos o suporte psicológico dos 1,1500, antes dos mínimos do ano entre 1,1410 e 1,1430.

Uma inversão do movimento descendente observado na semana passada terá como primeira resistência a sempre importante MM 200 dias (de momento nos 1,1682), e posteriormente o Senkou B diário (de momento nos 1,1727). A quebra desta área poderá voltar a expor os recentes máximos do EUR/USD em torno dos 1,1800 (1,1788). Um fecho acima destes níveis poderá dar força ao par para uma tentativa de teste ao máximo de Abril nos 1,1848.


Resistências - Suportes

1,1682 - 1,1579

1,1788 - 1,1500

1,1848 - 1,1443


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