Café da Manhã
Entre ganhos e perdas
Os mercados financeiros seguem a negociar com um sentimento misto, enquanto aguardam por uma resolução do conflito no Médio Oriente entre os Estados Unidos e o Irão
Os preços do petróleo caíram, as obrigações recuperaram e as acções negociaram em alta, após notícias de uma possível versão final de um acordo entre os Estados Unidos e o Irão a ser apresentada durante o dia de hoje.
Entretanto, as minutas da última reunião da Fed divulgadas ontem revelaram um comité mais dividido e com um grupo crescente de responsáveis disponível para subir novamente as taxas caso a inflação, alimentada pela alta da energia depois da guerra no Irão, permaneça acima da meta de 2%. Apesar de a Fed funds ter ficado em 3,50%–3,75%, o número invulgar de dissidências e a reacção das yields de curto prazo sugerem que Kevin Warsh assumirá, em Junho, uma Fed menos inclinada a cortes e mais concentrada em ancorar expectativas num contexto de pressões inflacionistas persistentes.
Com os investidores a aguardarem os resultados da Nvidia, após o fecho de Wall Street, os mercados accionistas norte-americanos terminaram o dia de ontem em alta, animados com a queda dos preços do petróleo e das yields obrigacionistas, entre expectativas de um possível acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão.
O índice Dow Jones terminou a sessão a ganhar 1,31%, o S&P 500 1,08% e o Nasdaq 1,55%.
Após o fecho, a NVIDIA apresentou resultados que ficaram acima das expectativas, impulsionados pela forte procura ligada à inteligência artificial, mas a previsão de vendas para o próximo trimestre acabou por desapontar parte do mercado. Apesar do crescimento das receitas dos centros de dados continuar em níveis muito elevados, os investidores mostram-se cada vez mais exigentes em relação ao ritmo de expansão da fabricante norte-americana, numa altura em que aumentam também os receios em torno da concorrência no sector. A empresa anunciou ainda um reforço do programa de recompra de acções para 80 mil milhões de dólares.
Esta noite, na Ásia, os mercados accionistas negociaram entre ganhos e perdas.
No Japão, o entusiasmo continuado no sector tecnológico impulsionou a confiança dos investidores, com o índice Nikkei a subir 3,10% e o Topix 1,64%.
Na Austrália, com dados do emprego abaixo do esperado, as acções negociaram em alta, levando o índice ASX 200 a ganhar 1,47%.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi disparou 8,42%, impulsionado pela suspensão da greve dos trabalhadores da Samsung e ainda pelo entusiasmo em torno dos investimentos em IA.
Em queda estiveram a negociar as acções na China, onde o índice CSI300 perdeu 1,39%, o Shanghai Composite 2,04% e o Hang Seng, de Hong Kong, 1,08%.
Na Índia, os principais índices negociam sem uma direcção definida, com o Nifty 50 de momento a avançar 0,04% e o Sensex a recuar 0,28%.
Os mercados accionistas europeus estão a começar o dia a negociar maioritariamente em terreno positivo, em ganhos modestos, após os dados dos PMI terem mostrado um recuo na actividade económica privada, com o índice composto a cair de 48,8 para 47,5, pressionado principalmente pelo sector de serviços.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a avançar 0,21% e o Euro Stoxx 50 0,29%.
Na Alemanha, o índice DAX avança 0,39% e o CAC 40, de França 0,22%, enquanto o FTSE 100, no Reino Unido, recua 0,15%.
No mercado cambial, as expectativas da possibilidade de um acordo entre os Estados Unidos e o Irão, que levou yields obrigacionistas e preços do petróleo a recuarem dos recentes máximos, pressionou o dólar, levando-o ontem a recuar dos recentes máximos. O índice DXY segue de momento a negociar em torno dos 99 pontos, enquanto o EUR/USD cota a 1,1620.
A libra volta a negociar em ganhos, com o GBP/USD a voltar a cotar acima de 1,3400 (de momento a 1,3450) e o EUR/GBP a cair para 0,8650.
O iene japonês recupera ligeiramente dos recentes mínimos, com o USD/JPY a negociar abaixo de 159,00 e o EUR/JPY abaixo dos 185,00.
O franco suíço negocia em ligeiros ganhos face ao dia de ontem, com o USD/CHF de novo abaixo de 0,7900 (0,7865) e o EUR/CHF a 0,9145.
Os preços do petróleo caíram ontem dos recentes máximos, com o Brent a negociar bem abaixo dos 110 dólares por barril e o WTI dos 100 dólares, após notícias que mostraram a possibilidade de um acordo para breve entre os Estados Unidos e o Irão, permitindo o trânsito dos petroleiros no Estreito de Ormuz.
Com os mercados a digerirem essas notícias, os preços estão a começar o dia de hoje perto dos recentes mínimos atingidos ontem, onde o Brent segue a negociar a 105,50 dólares por barril e o WTI a 98,60 dólares.