A semana que começa
Médio Oriente, inflação e NFP

A semana que começa Médio Oriente, inflação e NFP

A primeira semana de Junho arranca sob o signo da geopolítica, do petróleo e da inflação, com os investidores atentos ao Médio Oriente e a dados económicos que poderão influenciar os próximos passos dos bancos centrais.

A primeira semana de Junho arranca com os mercados financeiros divididos entre a expectativa de um possível avanço diplomático no Médio Oriente, a evolução dos preços do petróleo e uma agenda económica, com dados da inflação na Zona Euro e do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que poderá ser determinante para as expectativas em torno da política monetária dos principais bancos centrais.




O principal foco geopolítico continuará a ser o Médio Oriente, onde os investidores irão acompanhar atentamente os desenvolvimentos em torno do Memorando de Entendimento que poderá abrir caminho a um acordo mais abrangente entre os Estados Unidos e o Irão. Apesar do optimismo que tem vindo a sustentar o sentimento dos mercados nas últimas semanas, continuam a existir diversas questões por resolver e qualquer sinal de avanço ou recuo nas negociações poderá provocar reacções significativas nos mercados energéticos.




Naturalmente, os preços do petróleo permanecerão no centro das atenções. Depois da forte volatilidade registada ao longo dos últimos meses, qualquer indicação de redução das tensões na região poderá contribuir para aliviar os receios relacionados com a oferta global de crude. Em sentido contrário, eventuais dificuldades nas negociações ou novos incidentes na região poderão voltar a alimentar pressões sobre os preços da energia, mantendo os riscos inflacionistas bem presentes na economia mundial.




No plano macroeconómico, a semana ficará marcada por dois momentos de particular importância.

Na Zona Euro, a divulgação dos dados da inflação será acompanhada de perto pelos investidores, numa altura em que o Banco Central Europeu procura avaliar até que ponto as recentes pressões sobre os preços da energia poderão comprometer o processo de convergência da inflação para o objectivo de 2%. Um valor acima das expectativas poderá reforçar a ideia de que o BCE terá de manter uma postura mais agressiva relativamente a futuras subidas das taxas de juro.

Nos Estados Unidos, as atenções estarão concentradas no relatório oficial do emprego referente ao mês de Maio. Depois dos sinais mistos deixados pelos indicadores do mercado laboral nas últimas semanas, os investidores procurarão perceber se a economia norte-americana continua a demonstrar resiliência ou se começam a surgir evidências mais claras de abrandamento. O comportamento do emprego e dos salários poderá ter um impacto directo nas expectativas para a política monetária da Reserva Federal durante os próximos meses.




A acompanhar estes dados estarão também vários discursos de responsáveis dos principais bancos centrais mundiais. Os investidores terão oportunidade de ouvir as opiniões de Jerome Powell, Christine Lagarde, Andrew Bailey, Kazuo Ueda e Michele Bullock, entre outros responsáveis monetários. Numa altura em que os mercados continuam a procurar pistas sobre o ritmo e a dimensão dos próximos ajustamentos das taxas de juro, qualquer alteração no tom das suas intervenções poderá gerar movimentos relevantes nos mercados cambiais, obrigacionistas e accionistas.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
Começa um novo mês, uma primeira sexta-feira, logo mais um relatório do mercado de trabalho, que será o destaque da semana.
Mas a semana tem mais além dos nonfarm payrolls, que começa logo com o relatório do ISM sobre a actividade manufactureira. O ISM PMI industrial, segundo as estimativas, deverá mostrar uma subida dos 52,7 para 53. O mercado irá também seguir com atenção os sub índices do emprego e dos preços. As estimativas apontam para que o primeiro suba de 46,4 para 46,6 e o segundo de 84,6 para 85,3. Teremos também a leitura final do PMI manufactureiro da S&P Global que deverá confirmar o número preliminar de 55,3.
Na terça-feira teremos os números das vagas de emprego JOLTS, onde os mercados estimam que se mantenham ao mesmo nível do mês anterior de 6,87 milhões, e ainda o índice RCM/TIPP de optimismo económico que deverá subir de 42,6 para 45.
Quarta-feira é dia de mais ISM, desta vez da actividade de serviços, onde os mercados estimam uma subida de 53,6 para 53,8, olhando ainda para o sub índice dos preços (70,7 para 71,3 estimado) e do emprego (48 para 48,1). Teremos os dados finais do PMI de serviços da S&P Global, que deverá confirmar os 50,9 preliminares. Iremos ter a divulgação dos números privados do emprego, com as previsões a apontarem para um aumento de 116 mil novos postos de trabalho em Maio, após os 109 mil em Abril. Teremos também os números das encomendas às fábricas com as previsões a mostrarem um aumento de 3,2% no mês de Abril e ainda o relatório da Fed do Beige Book.
Na quinta-feira iremos ter os habituais números semana dos novos pedidos de subsídio de desemprego, onde as estimativas mantêm os cerca de 211 mil, e ainda os Challenger Job Cuts, onde as estimativas apontam para uma subida dos 83,4 mil para 90 mil.
Finalmente, na sexta-feira, teremos o destaque da semana, com a divulgação do relatório dos nonfarm payrolls. Segundo o consenso, em Maio, a economia norte-americana deverá ter aumentado em cerca de 100 mil o número de novos postos de trabalho, onde a taxa de desemprego se deverá manter nos 4,3% e o crescimento salarial médio mostrar uma aceleração dos 0,2% no mês anterior, para 0,3%.

Zona Euro
Esta semana PMIs e inflação continuam a ser os destaques na Zona Euro.
Na segunda-feira iremos ter números finais do PMI manufactureiro que deverão confirmar a leitura preliminar. Iremos ter a divulgação dos PMI manufactureiros em Espanha e Itália, onde o consenso aponta para uma queda do primeiro de 51,7 para 51,2 e do segundo de 52,1 para 51,9. A taxa de desemprego na Zona Euro deverá manter-se nos 6,2%. Na Alemanha teremos os números das vendas a retalho que, segundo as previsões, após a queda de 2% no mês de Março, deverão cair em Abril 0,3%.
Na terça-feira teremos todas as atenções voltadas para a divulgação dos dados da inflação. Segundo as previsões, os preços em Maio deverão mostrar uma subida de 0,2%, desacelerando dos 1% registados em Abril, com a inflação anual a subir de 3% para 3,3%, o valor mais alto desde Setembro de 2023. Sem alimentação nem energia, a inflação subjacente deverá mostrar uma subida de 2,2% para 2,4%.
Na quarta-feira voltam os PMI, desta vez do sector de serviços, e a inflação, desta vez à porta das fábricas. Em Espanha, o índice deverá subir de 47,9 para 48,3 e em Itália cair de 49,8 para 49,3. Na Zona Euro os números finais deverão confirmar a leitura preliminar. O índice de preços no produtor da Zona Euro deverá mostrar uma desaceleração dos 3,4% registados em Março, para 1,9% em Abril.
Na quinta-feira iremos ter os números das vendas a retalho, com o consenso a apontar para uma queda de 0,3% em Abril, após a de 0,1% em Março.
Por fim, na sexta-feira, teremos a revisão dos números preliminares do PIB onde não é esperada uma alteração ao crescimento apresentado pelos números preliminares de 0,1%. Em França teremos os números da produção industrial de Abril, com as previsões a apontarem para uma queda de 0,2%, após o crescimento anterior de 1%, e ainda os números da balança comercial que deverão apresentar um défice de 6,5 mil milhões de euros, ligeiramente abaixo dos 6,9 mil milhões registados no mês anterior. Em Itália, as vendas a retalho em Abril deverão mostrar um crescimento de 0,2%, desacelerando dos 0,8% do mês de Março.

Reino Unido
Iremos ter mais uma semana ligeira de indicadores económicos, que começa com os números finais do PMI manufactureiro, que deverão confirmar a leitura preliminar de 53,7, e ainda o índice de preços de imóveis da Nationwide que deverá mostrar uma queda de 0,1%, após a subida de 0,4% no mês anterior.
Teremos também dados das aprovações de hipotecas, com os números segundo as previsões a poderem cair dos 64 mil do mês anterior para 62 mil, e o empréstimo líquido a particulares a reduzir dos 8 mil milhões de libras do mês anterior para 7,1 mil milhões.
Na quarta-feira, teremos a leitura final do PMI de serviços e na quinta-feira o PMI da construção, onde o consenso aponta para uma subida de 39,7 para 40,1.
A semana termina com mais dados do mercado imobiliário, onde o índice de preços dos imóveis do Halifax deverá mostrar um aumento de 0,2%, após a queda de 0,1% no mês anterior.

Canadá
As atenções desta semana vão também para os dados do mercado de trabalho. A taxa de desemprego deverá manter-se nos actuais 6,9%, com a taxa de participação a subir de 65% para 65,1%. O número de novos postos de trabalho criados em Maio deverá ascender a cerca de 10 mil, após a redução de 17,7 mil no mês de Abril, onde se poderá verificar uma redução de cerca de 25 mil empregos a tempo parcial, mas um aumento de 35 mil a tempo inteiro.
A semana, entretanto, começa com o índice PMI manufactureiro da S&P Global, onde as estimativas apontam para uma queda dos 53,3 para 52.
Mais tarde o PMI de serviços deverá apresentar uma subida de 49,2 para 49,6 e o índice composto a recuar ligeiramente dos 49,9 para 49,8, mantendo a actividade económica em contracção.
Por fim, teremos a divulgação do Ivey PMI, com as estimativas a apontarem para uma queda dos 57,7 do mês anterior, para 53.

Suíça
Por aqui teremos uma semana mais bem preenchida de indicadores económicos. A semana começa com os números das vendas a retalho que deverão mostrar uma queda mensal de 0,2%, onde em termos homólogos mostrará um crescimento de 0,2%, desacelerando dos 0,5% do mês anterior.
Iremos ter também os números do PIB relativos ao primeiro trimestre, que em termos trimestrais deverão mostrar um crescimento de 0,5% acelerando dos 0,2% do trimestre anterior, com o crescimento em termos anuais a subir dos 0,7% no último trimestre de 2025, para 1% no primeiro trimestre de 2026.
Teremos ainda o PMI manufactureiro que deverá recuar dos 54,5 de Abril, para 54 em Maio.
Na quarta-feira teremos a divulgação dos números da balança comercial de Abril que deverá apresentar um excedente de 2,3 mil milhões de francos suíços, um pouco abaixo dos 2,7 mil milhões do mês anterior.
Na quinta-feira as atenções vão para os dados da inflação, que deverão mostrar uma subida dos 0,6% em Abril para 0,8% em Maio, com os preços em termos mensais a subirem 0,3%. Teremos ainda a divulgação da taxa de desemprego que deverá manter-se nos 3%.
Finalmente, na sexta-feira, teremos os números das reservas em moeda estrangeira do Banco Nacional da Suíça, onde as previsões apontam para uma redução de 715,7 mil milhões de francos suíços para 710 mil milhões.

China
Após os PMI oficiais divulgados este fim de semana, onde o índice geral mostrou uma subida de 50,1 para 50,5 um pouco acima do estimado pelos mercados, onde a actividade manufactureira mostrou uma subida de 50,3 para 50, mas abaixo do esperado, enquanto a de serviços subiu de 49,4 para 50,1 superando as estimativas de 49,9, a semana vai continuar com mais dados da actividade económica, desta vez com o índice privado da RatingDog.
Iremos ter esta noite o índice manufactureiro, onde as estimativas apontam para uma queda de 52,2 para 51,5.
Mais tarde, na quarta-feira, teremos a divulgação do índice do sector de serviços, que deverá mostrar um recuo dos 52,6 para 52,5, com o índice composto a cair de 53,1 para 52,8.

Japão
A semana começa com os números da despesa de capital do primeiro trimestre, com as previsões a mostrarem um crescimento homólogo de 4,7%, após os 6,5% no trimestre anterior.
Teremos ainda a leitura final dos PMI que deverão confirmar os números preliminares.
No final da semana as atenções vão para os números da despesa das famílias, onde as estimativas apontam para um aumento mensal de 1% após a redução de 1,3% no mês anterior, com a medida em termos homólogos a mostrar uma redução de 2,6%, após a de 2,9% anterior. Os ganhos salariais médios em termos homólogos em Abril deverão mostrar um crescimento de 2,8%, acima dos 2,7% apresentados no mês anterior.

Austrália
O destaque da semana vai para os números do crescimento económico do primeiro trimestre. O PIB em termos trimestrais deverá, segundo as previsões, apresentar um crescimento de 0,5%, desacelerando dos 0,8% do trimestre anterior, onde em termos anuais deverá mostrar uma subida dos 2,6% para 2,7%.
No início da semana iremos ter os dados do anúncio de empregos do ANZ, com as estimativas a apontarem para uma redução de 0,4%, após a de 0,8% no mês anterior.
Na terça-feira, os números das licenças de construção deverão mostrar uma queda de 1,5%, após a queda anterior de 10,5%. Os lucros empresariais brutos no primeiro trimestre deverão mostrar uma redução de 0,1%, após o aumento de 5,8% no trimestre anterior.
Na quinta-feira, teremos os números da balança comercial de Abril, onde as previsões mostram um excedente de 1,5 mil milhões de dólares australianos, após o défice de 1,84 mil milhões em Março.




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