Café da Manhã
Tensões e perspectivas
Os mercados accionistas estão a continuar a semana a recuar dos recentes máximos históricos entre pressões vindas do Médio Oriente e uma desilusão resultante das perspectivas futuras apontadas por uma gigante tecnológica
As bolsas norte-americanas encerraram em queda, pressionadas pela subida das yields e pelo agravamento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irão, num contexto em que o aumento dos preços da energia reacende preocupações inflacionistas. O S&P 500 interrompeu uma sequência de nove sessões consecutivas de ganhos, recuando a partir de máximos históricos, enquanto o Dow Jones perdeu mais de 600 pontos, reflectindo a deterioração do sentimento de risco. Apesar do pano de fundo negativo, os dados macroeconómicos mostraram resiliência: o emprego no sector privado registou o maior aumento desde Janeiro de 2025, as encomendas à indústria cresceram ao ritmo mais elevado em 11 meses e a actividade no sector dos serviços surpreendeu positivamente, reforçando a narrativa de uma economia ainda robusta, mas sujeita a novos riscos inflacionistas e geopolíticos.
O índice Dow Jones caiu 1,21%, o S&P 500 0,73% e, por fim, o Nasdaq 0,89%.
Uma perspetiva decepcionante divulgada pela gigante tecnológica Broadcom após o fecho de Wall Street pesou nos mercados accionistas asiáticos, levando-os a terminar a sessão em perdas.
No Japão, o índice Nikkei perdeu 1,35% e o Topix 1,11%.
Na Austrália, o índice ASX 200 caiu 1,13% e o Kospi, da Coreia do Sul, o índice que mais tem valorizado este ano, terminou a recuar 1,84%, liderando as perdas.
Na China, o índice CSI300 perdeu 0,69%, o Shanghai Composite 0,64% e o Hang Seng, de Hong Kong, 1,53%.
Na Índia, os principais índices Nifty 50 e Sensex, seguem de momento a recuar cerca de 0,20%.
Na Europa, os mercados accionistas estão a começar o dia em terreno positivo, em ganhos modestos.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a avançar 0,15% e o Euro Stoxx 50 0,38%.
Na Alemanha, o índice DAX ganha 0,53% e o CAC 40, de França, 0,78%, enquanto no Reino Unido, o índice FTSE 100 recua 0,31%.
No mercado cambial, o agravamento das tensões no Médio Oriente continua a sustentar a procura por dólar, com o índice DXY a aproximar-se da zona dos 99,50 pontos, enquanto o EUR/USD testa novamente o suporte dos 1,1600 (1,1605). A libra mantém-se sob pressão, com o GBP/USD a recuar para os 1,3430 e o EUR/GBP a subir para 0,8645. O iene japonês, depois de perdas expressivas, recuperou após notícias que o Banco do Japão está a considerar um aumento de taxas já na reunião deste mês. Os ganhos estão a começar o dia a recuar, com o USD/JPY a voltar a estar mais perto da marca dos 160 e o EUR/JPY a avançar para 185,65. Também o franco suíço negoceia em baixa acentuada, com o USD/CHF acima de 0,7900 (0,7910) e o EUR/CHF nos 0,9185, reflectindo um claro movimento de rotação para o dólar num contexto de maior aversão ao risco.
Os preços do petróleo, após o aumento de tensões no Médio Oriente, voltaram ontem a negociar em alta, ajudados ainda mais tarde por uma redução nos inventários da EIA de 8 milhões de barris, bem superior ao esperado pelos mercados.
Esta noite, notícias de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Líbano voltaram a trazer alguma esperança aos mercados petrolíferos, com os preços a começarem o dia a recuar. O barril de Brent está a negociar de momento a 96,80 dólares por barril e o do WTI a 95,00.