EUR/USD
Semanal

EUR/USD  Semanal

Dados do mercado de trabalho acima das expectativas pressionaram o EUR/USD, levando-o para mínimos dos últimos dois meses. Será que a inflação nos Estados Unidos e o BCE irão provocar uma correcção?

Na minha opinião, numa resposta curta: não!

O mês de Junho começou com promessas de uma resolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, que permitisse normalizar a circulação no Estreito de Ormuz. Tal parece estar cada vez mais distante. Enquanto Donald Trump continua a afirmar que um acordo está próximo de ser assinado, referindo mesmo que o Irão está “desejoso” de o alcançar, a verdade é que Teerão continua a rejeitar as condições norte-americanas, quer relativamente à circulação no Estreito de Ormuz, quer no que diz respeito ao acordo nuclear. Ao mesmo tempo, o cessar-fogo continua a ser frequentemente violado por ambas as partes.

Este impasse continua a afectar a mais importante rota de abastecimento energético mundial, sustentando preços elevados do petróleo e alimentando receios de novas pressões inflacionistas à escala global. As yields obrigacionistas mantêm-se próximas dos máximos recentes e os bancos centrais continuam a adoptar posições cada vez mais agressivas.

Na semana passada, o EUR/USD negociou num canal relativamente estreito entre os 1,1600 e os 1,1650, com volatilidade reduzida, apesar do fluxo noticioso considerável vindo do Médio Oriente e da sucessão de dados do mercado de trabalho norte-americano acima do esperado. Isto manteve-se até à divulgação dos nonfarm payrolls. O relatório oficial do emprego surpreendeu claramente pela positiva, revelando a criação de 172 mil novos postos de trabalho. O número reforçou as expectativas de taxas de juro mais elevadas durante mais tempo por parte da Reserva Federal, levando os mercados a começarem a admitir a possibilidade de uma subida em Outubro, ao mesmo tempo que atribuem uma elevada probabilidade de uma subida em Dezembro. O suporte nos 1,1579 acabou por ceder, com o par a terminar a semana nos 1,1525.

Esta semana teremos os dados da inflação nos Estados Unidos. O consenso aponta para uma subida da inflação homóloga dos 3,8% para 4,2%, o valor mais elevado dos últimos três anos, enquanto a inflação subjacente deverá acelerar dos 2,8% para 2,9%, afastando-se ainda mais do objectivo de 2% da Reserva Federal. Estes números deverão ser mais do que suficientes para sustentar o posicionamento hawkish da Fed, mesmo sob a liderança de Kevin Warsh.

Na Europa, os mercados não esperam outra coisa do Banco Central Europeu que não uma subida de 25 pontos base, elevando a taxa de depósitos de 2,00% para 2,25%, naquela que seria a primeira subida de taxas desde 2023. A decisão em si dificilmente terá impacto significativo no EUR/USD, uma vez que se encontra amplamente descontada pelos mercados. O foco deverá estar na conferência de imprensa. Christine Lagarde deverá manter um tom moderadamente hawkish, mas sem comprometer antecipadamente o BCE com novas subidas já em Julho. A abordagem deverá continuar dependente dos dados, numa lógica de reunião para reunião. Ainda assim, a combinação de uma inflação persistente e de projecções acima do objectivo poderá sugerir que o ciclo de aperto monetário ainda não terminou.

Este posicionamento poderá ajudar a limitar perdas mais acentuadas no EUR/USD, mas dificilmente será suficiente para inverter o sentimento predominante e a tendência descendente do par. Os mercados deverão continuar a olhar para os mínimos do ano nos 1,1411 e, eventualmente, para o suporte proporcionado pelo mínimo de Agosto de 2025 nos 1,1391.

A contrariar este cenário poderemos ter uma leitura da inflação norte-americana significativamente abaixo das expectativas e/ou uma comunicação mais agressiva por parte do BCE, sinalizando que o impacto da inflação foi mais intenso do que inicialmente antecipado e que a instituição está mais preocupada com a estabilidade dos preços do que com a desaceleração económica. Sinais claros de que este poderá ser apenas o início de um novo ciclo de aperto monetário poderiam alterar significativamente o sentimento do mercado e aumentar a probabilidade de uma inversão da actual tendência descendente do EUR/USD. br>
Este cenário pressupõe, naturalmente, a manutenção de alguma estabilidade no contexto geopolítico do Médio Oriente.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


Por aqui, no gráfico semanal, nada de novo

O EUR/USD continua a negociar dentro de uma área de consolidação em termos gerais entre 1,1500 e 1,1800, continuando na semana passada a negociar abaixo da média móvel das 21 semanas.

A linha de MACD praticamente coincidente com a linha neutra e a linha de sinal, em conjunto com um RSI muito perto da linha de 50, mantém um “momentum” neutro para o par.

O break do máximo do mês anterior a 1,1849, poderá levar ao quebrar do padrão de consolidação mais apertado, abrindo espaço para um teste à resistência a 1,1918, limite superior de um padrão de consolidação mais alargado. O ultrapassar desta resistência irá expor o máximo do ano a 1,2082, onde pelo meio encontra a resistência psicológica de 1,2000.

O quebrar do mínimo das últimas semanas a 1,1660, poderá confirmar a continuação do EUR/USD na área de consolidação 1,1480/1,1830. Só o break do suporte a 1,1480 colocará o par num cenário mais bearish, que o pode levar para os mínimos de Maio de 2025, a 1,1065.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.

O EUR/USD terminou a semana passada a negociar em forte tendência descendente, após ter testado a resistência dada pela Nuvem de Ichimoku diária e posteriormente quebrado o suporte de 1,1579.

O MACD abaixo da linha neutra mostra o momento descendente do EUR/USD e um cruzamento descendente da linha de MACD com a linha de SINAL dá um sinal bearish para o par. O RSI mostra ainda um longo caminho até terreno de sobre venda.

No último dia da semana passada o EUR/USD quebrou com força o suporte de 1,1579, terminando a 1,1525, perto do mínimo registado de 1,1518.

O quebrar do nível psicológico 1,1500, que começa a semana exposto, poderá dar força ao par para encetar um teste aos actuais mínimos do ano a 1,1411. Antes, o par terá de quebrar um suporte intermédio a 1,1443. O ultrapassar dos mínimos do ano irá expor o suporte de 1,1391, dado pelo mínimo de Agosto de 2025, que se por sua vez quebrado, poderá levar o mercado a colocar os olhos no próximo suporte a 1,1065, dado pelo mínimo de Maio de 2025.

Uma inversão da tendência descendente com que terminou a semana passada, irá encontrar agora como resistência o nível de 1,1579, que se ultrapassado irá mostrar a resistência mais forte dada pela Nuvem de Ichimoku diária, que começará a semana a 1,1630/1,1680, onde pelo meio se encontram as médias móveis 21,55 e 200 dias. O ultrapassar de toda esta área, abriria novamente caminho para um teste à área de resistência 1,1795/1,1805.


Resistências - Suportes

1,1579 - 1,1500

1,1630 - 1,1443

1,1680 - 1,1391


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