Café da Manhã
Confiança de volta
A confiança voltou aos mercados financeiros, após um volte-face de Donald Trump que o levou de um forte ataque iminente ao Irão, até um acordo pronto para ser assinado, provavelmente no fim de semana.
Donald Trump recuou nos ataques militares contra o Irão, horas depois de ameaçar atingir o país "com demasiada força" e apoderar-se das suas infraestruturas petrolíferas. Disse que mudou de ideias após conversações com os líderes iranianos sobre um fim negociado para a guerra e declarou aos jornalistas que uma cerimónia formal de assinatura poderá ocorrer já este fim de semana na Europa, com a presença prevista de JD Vance.
Desde então, o Irão tem atacado navios no Estreito de Ormuz, negou ter chegado a uma decisão final sobre qualquer acordo e prometeu não ceder nas suas “linhas vermelhas”.
Estas “boas notícias” foram mais do que razões suficientes para trazer de volta a confiança aos mercados, impulsionando o apetite pelo risco, com as acções a subir, as yields a cair, o petróleo a recuar e o dólar a desvalorizar.
As atenções anteriormente estiveram com o Banco Central Europeu que, tal como esperado, aumentou as suas taxas de juro pela primeira vez em quase três anos.
O BCE subiu a taxa de juro em 25 pontos base para 2,25%, citando pressões inflacionistas ligadas à guerra no Médio Oriente e ao aumento dos preços da energia. Apesar de manter uma abordagem dependente dos dados e sem orientação clara sobre os próximos passos, as novas projecções apontam para inflação acima de 2% durante mais tempo e sugerem pelo menos mais uma subida. Ao mesmo tempo, o crescimento foi ligeiramente revisto em baixa, reflectindo o impacto negativo do conflito. Lagarde reforçou que a decisão foi unânime e que o BCE está a reagir a um choque inflacionista mais amplo, mantendo aberta a porta a novos ajustamentos, com os mercados já a atribuírem cerca de 65% de probabilidade a uma nova subida em Julho.
Os preços do petróleo voltaram a subir com Trump a afirmar que iria atacar o Irão “em força” ameaçando tomar o controlo da Ilha de Kharg, no entanto, a inversão completa deste discurso, para um onde anunciava um acordo iminente de paz, levando a uma abertura do Estreito de Ormuz e ao final do bloqueio norte-americano ao Irão, levou os preços do crude para quedas acentuadas.
Apesar do Irão continuar a afirmar que não tomou qualquer decisão de assinar esse possível acordo, os preços estão a começar o dia continuando a cair, negociando em mínimos de quase dois meses. O Brent segue de momento a negociar em torno de 88,00 dólares por barril e o do WTI de 84,00 dólares.
No mercado cambial, o dólar perdeu com a confiança de volta aos mercados, onde o índice DXY recuou de um máximo de mais de dois meses atingido logo no início do dia de ontem a 100,30, para voltar a negociar bem abaixo dos 100 pontos. Está a começar o dia de hoje a negociar em torno dos 99,60.
O EUR/USD começou o dia de ontem pressionado pela escalada das tensões no Médio Oriente e nem uma subida de taxas por parte do BCE o levou a ganhos. Os ganhos vieram com o volte-face de Donald Trump ao anunciar a assinatura de um possível acordo neste fim de semana. O EUR/USD que negociava em torno de 1,1500, rapidamente recuperou os 1,1580, estando a começar o dia de hoje a negociar em torno dos 1,1560.
No Reino Unido, mais uma demissão no governo renova as pressões sobre Keir Starmer e sobre a libra. O GBP/USD segue de momento a negociar a 1,3400 e o EUR/GBP a 0,8635.
O iene continua a negociar em torno dos recentes níveis. O USD/JPY, ontem, chegou a cair de um máximo de 160,60 até um mínimo de 159,60, mas segue de momento a voltar acima dos 160 ienes por dólar. O EUR/JPY segue a negociar em alta, a 185,40.
O franco suíço registou uma pequena recuperação após um recuo nas yields obrigacionistas. O USD/CHF segue de momento a negociar a 0,7960 e o EUR/CHF a 0,9210.
Os mercados accionistas norte-americanos reagiram em alta após Trump ter sinalizado que os EUA estão perto de um acordo com o Irão, aumentando as esperanças de um fim para o conflito.
A contribuir também para o sentimento positivo do mercado esteve o histórico IPO da SpaceX, o maior da história, conseguindo uma colocação de mais de 555 milhões de acções a 135 dólares e tornando-a a empresa mais valiosa do mundo. Os investidores aguardam hoje pelo início da negociação em bolsa das acções da SpaceX.
O índice Dow Jones terminou a sessão a subir 1,86%, o S&P 500 1,75% e o Nasdaq 2,54%.
Esta noite, na Ásia, os mercados accionistas continuaram o optimismo geral motivado tanto pelas notícias do Médio Oriente, como pelo IPO da SpaceX, terminando a semana em ganhos significativos, em especial o sector tecnológico.
No Japão, o índice Nikkei terminou a última sessão da semana a ganhar 2,87% e o Topix 1,35%.
Na Austrália, o índice ASX 200 subiu 1,98%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, voltou a liderar os ganhos ao avançar 4,63%.
Na China, o índice CSI300 ganhou 1,16%, o Shanghai Composite 1,12% e o Hang Seng, de Hong Kong 1,67%.
Na Índia, os índices Nifty 5o e Sensex seguem de momento a ganhar 1,43% e 1,28%, respectivamente.
Os mercados accionistas europeus estão também a começar esta sexta-feira em alta.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a ganhar 1,88% e o Euro Stoxx 50 2,24%.
Na Alemanha, o índice DAX ganha 2,03%, o CAC 40, de França, 2,17% e no Reino Unido o FTSE 100 avança 1,43%.
Bom fim de semana!