Semana Revista
Uma semana agitada

Semana Revista Uma semana agitada

O Banco Central Europeu, a inflação nos Estados Unidos, as perspectivas de paz no Médio Oriente e um IPO histórico, captaram as atenções dos mercados durante toda esta semana

A semana ficou marcada por uma forte intensidade noticiosa e por movimentos relevantes nos mercados financeiros, num contexto em que os investidores continuam a tentar perceber qual será o próximo grande catalisador para os ativos de risco. Entre decisões de política monetária, dados macroeconómicos, tensões geopolíticas e um dos maiores IPOs dos últimos anos, não faltaram temas para mexer com o sentimento dos mercados.




Médio Oriente à beira de um acordo histórico?

Os Estados Unidos e o Irão sinalizaram no último dia da que o acordo para encerrar a guerra está praticamente fechado, com um responsável norte-americano a afirmar que ambas as partes chegaram a entendimento quanto ao texto e que Washington espera assinar um acordo inicial nos próximos dias. Em Teerão, os órgãos de decisão iranianos reuniram-se para analisar o memorando.

Os termos conhecidos preveem a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio norte-americano aos portos iranianos, em troca da libertação de activos iranianos congelados e do alívio das sanções petrolíferas. A questão nuclear ficaria reservada para um período adicional de sessenta dias de negociações, prevendo-se ainda a possibilidade de compensações de guerra para Teerão e o abandono das exigências relativas ao programa de mísseis iraniano. Algumas das primeiras versões divulgadas pareceram favorecer sobretudo o Irão, o que levou Trump a desmentir essas informações, insistindo que o acordo continua a exigir o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a destruição do stock de urânio enriquecido. Tanto Trump como o vice-presidente JD Vance sublinharam que nenhuma verba será libertada antes do cumprimento das obrigações iranianas, descrevendo o entendimento como um acordo baseado em desempenho.

Do lado paquistanês, mediador do processo, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif afirmou que o texto final ficou definido, enquanto o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araqchi, considerou que um memorando para terminar a guerra nunca esteve tão próximo. Segundo fontes ocidentais, a assinatura poderá ocorrer já no domingo, por Vance e pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, a ter lugar na Europa, apontando-se Genebra como o local mais provável.

Israel mantém-se fora das negociações, com Netanyahu a garantir que o seu país não será parte do memorando, num contexto de tensão persistente com Washington sobre a contenção da acção militar israelita no Líbano. Assim, o fim de semana poderá marcar um momento decisivo para o conflito, ainda que com Israel à margem e diversas questões em aberto quanto aos detalhes finais.





O Banco Central Europeu A reunião do Banco Central Europeu desta semana trouxe aquilo que o mercado já antecipava, mas com nuances que merecem atenção: uma subida de 25 pontos base, elevando a taxa de depósito para 2,25%, acompanhada por um discurso que reforça a preocupação com a inflação, mesmo num contexto de crescimento anémico.

À primeira vista, trata-se de um movimento com forte componente simbólica. O BCE não entrou num ciclo agressivo de aperto, mas quis sinalizar credibilidade e compromisso com a estabilidade de preços, numa fase em que os riscos inflacionistas voltam a ganhar tração. Christine Lagarde foi clara ao afirmar que as pressões inflacionistas estão a alargar-se, num contexto em que o choque energético, amplificado pela instabilidade no Médio Oriente, começa a contaminar não apenas a energia, mas também bens, serviços e salários.

As novas projecções macroeconómicas confirmam esse enquadramento. A inflação é agora estimada em 3,0% para 2026, descendo gradualmente para 2,3% em 2027 e 2,0% em 2028. Ou seja, o regresso sustentado à meta de 2% continua a ser um processo lento e condicionado. Em paralelo, o crescimento económico foi revisto em baixa, com o PIB a crescer apenas 0,8% em 2026, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028, um cenário que reflete o impacto negativo dos preços da energia, da erosão do rendimento real e da deterioração da confiança.

Este trade-off entre inflação persistente e crescimento fraco continua a definir a actuação do BCE. No entanto, a comunicação de Lagarde sugere claramente que, neste momento, o balanço de riscos está inclinado para o lado da inflação. A presidente do BCE minimizou os riscos para a actividade e rejeitou a ideia de que esta subida foi meramente preventiva, sublinhando que o choque inflacionista está a ganhar amplitude na economia.

Do ponto de vista de forward guidance, o BCE manteve a habitual dependência dos dados e a abordagem reunião a reunião. Ainda assim, o tom foi suficientemente firme para alimentar expectativas de novas subidas. Os mercados já atribuem uma probabilidade significativa a um novo aumento em Julho, embora Setembro surja como cenário base para vários analistas.

O racional é relativamente claro: com a inflação acima da meta durante vários anos e riscos ascendentes associados à energia, salários e possíveis disrupções nas cadeias de abastecimento, o BCE vê necessidade de manter a política monetária em território restritivo. Ao mesmo tempo, evita um aperto excessivamente rápido que possa agravar a fragilidade do crescimento.

Em suma, o BCE deu um passo que era esperado, mas a mensagem foi mais relevante do que a decisão em si: a inflação continua a ser o principal foco e o ciclo de subida de taxas poderá ainda não ter terminado. O ritmo será gradual, mas a direcção permanece claramente definida.





Os dados de inflação nos Estados Unidos vieram reforçar a narrativa de pressão persistente sobre os preços, com o IPC de Maio a acelerar para 4,2% em termos homólogos, o ritmo mais elevado desde Abril de 2023. A subida mensal de 0,5%, após 0,6% em Abril, confirma uma dinâmica inflacionista resiliente, amplamente impulsionada pelo aumento dos preços da energia num contexto de tensões no Médio Oriente.
Este é já o terceiro mês consecutivo de surpresas em alta na inflação, num sinal claro de que o processo desinflacionista perdeu tracção. Mais relevante para a Fed, a inflação continua a corroer o rendimento real das famílias, com os salários a registarem nova queda em termos reais, o que poderá traduzir-se em fragilidade do consumo mais à frente.

Do lado da produção, o IPP divulgado no dia seguinte veio igualmente apontar para pressões a montante, sugerindo que o pipeline inflacionista permanece activo e poderá continuar a alimentar o IPC nos próximos meses.

Em termos de política monetária, este enquadramento dá margem à Reserva Federal para manter uma postura cautelosa por mais tempo, com o cenário de cortes de juros a ser sucessivamente adiado. O mercado começa, assim, a alinhar com a ideia de taxas elevadas durante um período prolongado, potencialmente já para lá de 2026.





SpaceX, um IPO histórico!

A SpaceX completou esta semana aquela que ficará registada como a maior entrada em bolsa de sempre, com um arranque em bolsa particularmente animado. A empresa de Elon Musk fixou o preço da oferta pública inicial em 135 dólares por acção, na quinta-feira, colocando à disposição do mercado pouco mais de 555 milhões de títulos e arrecadando cerca de 75 mil milhões de dólares. As acções começaram a ser negociadas na Nasdaq esta sexta-feira, dia 12 de Junho, sob o símbolo SPCX, abrindo já nos 150 dólares e continuando a valorizar ao longo da sessão, terminando em torno dos 161 dólares.

Esta operação supera de forma muito significativa o anterior recorde, detido pela Saudi Aramco, cuja entrada em bolsa em 2019 tinha gerado 29,4 mil milhões de dólares. O percurso até este momento foi rápido: a SpaceX apresentou um pedido confidencial junto do regulador norte-americano no início de Abril, e o roadshow junto de investidores arrancou já em Junho, mais cedo do que inicialmente previsto, beneficiando de uma revisão regulatória mais célere do que o esperado.

Um dos aspectos mais comentados desta oferta foi a forma como foi distribuída. Ao contrário do habitual em operações desta dimensão, em que a fatia de leão fica reservada a investidores institucionais, a SpaceX reservou cerca de 30% das ações para investidores particulares. Esta abertura ao investidor de retalho gerou uma procura muito acima da oferta disponível, com o livro de ordens a ficar mais do que duas vezes sobrestimado, traduzindo-se em pedidos no valor de cerca de 150 mil milhões de dólares para uma operação de 75 mil milhões.

A forte valorização registada já em bolsa confirma o entusiasmo dos investidores em torno do império de Musk, que combina foguetões, internet via satélite através da Starlink e, mais recentemente, inteligência artificial, depois da integração da xAI na SpaceX. Esta entrada em bolsa surge assim como um marco duplo: representa a maior operação de sempre em termos de dimensão, e o seu desempenho na primeira sessão sugere que os mercados estão dispostos a apostar fortemente na diversificação do negócio de Musk, num contexto em que vários analistas continuam a alertar para a volatilidade típica dos primeiros dias de negociação e para os riscos de uma abordagem excessivamente especulativa nesta fase inicial.



Dados Económicos




Nos Estados Unidos, os investidores estiveram especialmente atentos à divulgação do índice de preços do consumidor e do produtor do mês de Maio e ainda para os dados da Universidade de Michigan da confiança do consumidor e das suas expectativas de inflação.
A inflação em Maio saiu em linha com o esperado, com uma ligeira leitura em baixa. Os preços subiram em termos mensais 0,5%, ligeiramente abaixo dos 0,6% do mês de Abril, com a inflação anual a subir de 3,8% para 4,2% e atingindo um novo máximo dos últimos três anos. Sem alimentos nem energia, os preços aumentaram em Maio 0,2%, ficando abaixo dos 0,3% esperados pelo mercado, com a inflação subjacente a subir de 2,8% para 2,9%.
Mais tarde, o índice de preços do produtor em termos mensais mostrou uma subida de 1,1%, em linha com os do mês anterior revistos em baixo, mas acima dos 0,7% estimados pelo mercado, tendo em termos homólogos subido de 5,7% (revistos em baixo) para 6,5%. Sem alimentos nem energia, os preços subiram no mês 0,4%, abaixo dos 0,5% estimados, com o aumento do mês anterior a ser revisto também em baixo de 1% para 0,7% e em termos homólogos mantiveram o aumento de 4,9% (revisto em baixo) mostrado no mês de Abril.
Finalmente, os dados da Universidade de Michigan superaram as expectativas do mercado, tanto no consumo como na inflação. O índice de confiança do consumidor subiu do mínimo de sempre registado no mês passado nos 44,8, para 48,9, acima dos 46 estimados, enquanto as expectativas de inflação abrandaram, com as de curto prazo a cair de 4,8% para 4,6% e as de longo prazo (5 anos) de 3,9% para 3,6%, face a 4,8% e 3,8% estimados.
A semana começou com os números da balança comercial de Abril que apresentaram um défice de 55,9 mil milhões de dólares, baixando dos 56,6 mil milhões do mês anterior, revistos em baixo de 60,3 mil milhões.
Tivemos a divulgação do índice de pequenas empresas NFIB que mostraram uma queda de 95,9 para 95,3, contrariando estimativas de uma ligeira subida para 96. Os números semanais da ADP do emprego privado caíram dos 35,8 mil da semana anterior para 29 mil.
No mercado imobiliário, os números das vendas dos imóveis usados de Maio superaram as estimativas com um aumento de 3,2%, face aos 0,5% estimados pelo mercado.
Tivemos ainda os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, que aumentaram dos 225 mil da semana anterior, para 229 mil, contra um recuo estimado para 220 mil.

Na Zona do Euro foi uma semana bastante tranquila relativamente a indicadores económicos, onde o destaque foi para a divulgação do índice de confiança do investidor Sentix que superou as estimativas do mercado ao subir de -16,4 para -13,4.
Na Alemanha os números das encomendas às fábricas de Abril mostraram uma queda de 3,8%, bem acima dos 2,2% previstos. Os da produção industrial saíram ligeiramente acima do esperado ao mostrarem um crescimento de 0,4%, com a queda em Março a ser revista de 0,7% para 0,1%. Os números da balança comercial apresentaram um excedente de 14,5 mil milhões de euros.
Em Itália a produção industrial de Abril mostrou um aumento de 0,5%, acima dos 0,2% previstos, mas com o aumento do mês anterior a ser revisto em baixo para 0,6%.
Tivemos ainda os dados finais da inflação em Espanha, França e Alemanha que confirmaram os números preliminares.

No Reino Unido as atenções voltaram-se para os dados mensais do PIB que mostraram uma contracção de 0,1% em Abril, em linha com o estimado pelo mercado.
Tivemos os números da produção industrial que desiludiram os mercados ao mostrarem uma estagnação, face a um aumento estimado de 0,3%.
A balança comercial de bens de Abril apresentou um défice de 26 mil milhões de libras, após os 27,2 mil milhões do mês de Março.
Tivemos também o monitor de vendas a retalho BRC, que mostrou um crescimento inesperado de 3,4%, recuperando da queda anterior do mesmo valor, enquanto o índice do “Balanço de preço de casas RICS” manteve os -35% do mês anterior.

No Canadá tivemos uma semana bastante ligeira de dados económicos, com os números da balança comercial de Abril a superarem as previsões para um excedente de 1,5 mil milhões de dólares canadianos, apresentando um de 2,7 mil milhõe, enquanto os números das licenças de construção caíram 7,6%, uma queda maior do que a estimada de 5%, após o aumento revisto em alta de 10,6% no mês de Março.

Na China a semana começou com a divulgação dos números da balança comercial de Maio que superaram as previsões dos mercados, mostrando um excedente de 105,4 mil milhões de dólares, face aos 88,7 mil milhões estimados. Tanto as exportações como as importações subiram, as primeiras 19,4% e as segundas 27,4%.
O índice de preços do produtor em Maio mostrou uma subida de 1,2% em termos anuais, ligeiramente abaixo dos 1,3% estimados com os preços em termos mensais a caírem 0,1%. O índice de preços do produtor mostrou uma aceleração dos 2,8% para 3,9%, acima das estimativas de 3,8%, no valor mais elevado desde 2022.
Por fim tivemos os números dos novos empréstimos de 520 mil milhões de yuans, um pouco abaixo dos previstos 540 mil milhões, após a redução observada no mês anterior de 10 mil milhões de yuans.

No Japão a semana começou com os números finais do PIB do primeiro trimestre que confirmaram a leitura inicial de 0,5%. Os números da conta-corrente do mês de Abril mostraram um excedente acima dos 3,26 triliões de ienes esperados, de 4,21 triliões, assim como o índice dos observadores económicos que subiu de 40,8 para 43,6, bem acima do apontado pelo consenso de 41,9.
Tivemos os números preliminares das encomendas de maquinaria que desaceleraram dos 45,1% para 37,4%.
O índice de preços no produtor voltou a mostrar uma aceleração em termos anuais, desta vez dos 5,3% (revistos em alta) do mês anterior, para 6,3%, acima dos 5,6% estimados. Os preços em termos mensais mostraram uma subida de 2,8%, bem acima dos 0,5% previstos, mas desacelerando dos 2,8% (revistos em alta) no mês de Abril.
O índice manufactureiro BSI do segundo trimestre caiu inesperadamente 1,8%, após a subida de 3,8% no trimestre anterior.
Por fim, os números finais da produção industrial de Abril reviram em baixo as leituras preliminares, mostrando em termos mensais um crescimento de 0,5%, face aos números iniciais de 0,8%.

Na Nova Zelândia as vendas manufactureiras do primeiro trimestre mostraram um crescimento inesperado de 2,8% e o índice manufactureiro BusinessNZ caiu de 50,4 para 49,9, em linha com as estimativas do mercado.

Na Austrália o índice de confiança do consumidor Westpac mostrou uma queda de 2,9%, acima da estimada de 1,2%, enquanto o índice de confiança empresarial NAB subiu de -23 para -14, superando as estimativas do mercado que apontavam para -22.



Bancos Centrais



O Banco do Canadá manteve, conforme amplamente antecipado, a taxa directora nos 2,25% pela quinta reunião consecutiva, sinalizando continuidade na actual postura de política monetária. Apesar de reconhecer dados económicos mais fracos desde Abril, o governador Macklem destacou que os indicadores subjacentes permanecem relativamente sólidos, justificando uma avaliação global praticamente inalterada da economia.
A autoridade monetária continua a navegar um equilíbrio delicado entre riscos opostos. Por um lado, as ameaças tarifárias dos EUA poderão pressionar o crescimento e eventualmente exigir cortes de juros; por outro, um eventual aumento sustentado dos preços da energia poderá reacender pressões inflacionistas, cenário que poderia implicar novas subidas de taxas, ainda que não constitua o cenário base.
No essencial, o Banco do Canadá reforça uma mensagem de prudência com flexibilidade: manter-se cauteloso, mas preparado para ajustar a política em qualquer direcção, consoante a evolução dos dados.

O Banco Central da Turquia manteve, como esperado, a taxa directora nos 37%, preservando igualmente a taxa de cedência de liquidez overnight nos 40%, num contexto ainda marcado por pressões inflacionistas elevadas. A inflação voltou a acelerar em Maio, atingindo 32,6% em termos homólogos, o que levou a autoridade monetária a rever em alta as projecções para o final do ano, agora apontando para 26%.
Apesar desta revisão e da recente subida dos preços, o banco central destaca uma ligeira moderação na tendência subjacente da inflação em Maio, após o impacto dos preços da energia no mês anterior. Em paralelo, os dados económicos sugerem um abrandamento da actividade no primeiro trimestre, com indicadores avançados a sinalizarem uma procura ainda frágil.
Neste enquadramento, a mensagem mantém-se clara: a política monetária deverá permanecer restritiva até que seja assegurada a estabilidade de preços. Ainda assim, o banco central mantém uma postura vigilante, advertindo que qualquer deterioração significativa e persistente do outlook inflacionista poderá justificar um novo aperto das condições monetárias.



Mercados accionistas



Esta semana ficou marcada por um aumento da volatilidade nos mercados acionistas globais, com especial foco no sector tecnológico, num contexto dominado pelos avanços e recuos das tensões geopolíticas no Médio Oriente, pelo ressurgimento das pressões inflacionistas nos Estados Unidos e ainda por uma subida de taxas do Banco Central Europeu e uma inflação nos Estados Unidos acima dos 4%.

Os investidores voltaram a questionar as avaliações em torno dos investimentos no sector tecnológico, em especial os relacionados com a Inteligência Artificial, levando a uma tomada de mais valias num sector que conta com uma forte valorização. A despoletar esse sentimento de aversão ao risco que levou a vendas, principalmente na primeira metade da semana, esteve um aumento das tensões no Médio Oriente, com Donald Trump a ameaçar fortes ataques ao Irão. Pouco tempo depois, recuou nessas ameaças, suspendendo os ataques que anteriormente tinha anunciado, e afirmar que a paz com o Irão estava perto, com um acordo a poder ser finalmente assinado “dentro de poucos dias”. O preço do petróleo recuou, as yields obrigacionistas caíram e as acções voltaram a negociar em alta.
O IPO da SpaceX e a sua entrada em bolsa no último dia da semana, ganhando cerca de 19% na sua primeira sessão, contribuiu também para o optimismo com que os investidores terminaram a semana.

Na Ásia, os principais índices terminaram o último dia da semana em alta, mas não o suficiente para, na grande maioria, conseguir chegar a terreno positivo na semana.
No Japão, o índice Nikkei recuou na semana 0,85% e o Topix 1,70%.
Na Austrália, o índice ASX 200 ganhou 2,07%, mas o índice Kospi recuou 0,45%, numa semana bastante volátil, onde logo nos primeiros dias afundou cerca de 8%, para os recuperar no dia imediatamente seguinte.
Na China, o índice CSI300 recuou 0,82% e o Hang Seng 0,98%, enquanto o Shanghai Composite terminou praticamente inalterado (+0,09%).
Na Índia, o índice Nifty 50 ganhou 1,10% e o Sensex 1,73%.

Na Europa, os mercados accionistas registaram uma semana onde os principais índices terminaram quase unanimemente em alta, com excepção do índice alemão, que foi pressionado pelas perdas da SAP.
O índice Euro Stoxx 600 avançou 1,70% e o Euro Stoxx 50 1,96%.
O índice CAC 40, de França, ganhou 1,61% e o FTSE 10, no Reino Unido, 1%, enquanto o DAX, na Alemanha, foi a grande excepção, ao recuar 0,50%.
Por cá, em Portugal, o PSI 20 ganhou 1,82%.

Nos Estados Unidos, numa semana bastante volátil, os principais índices de Wall Street terminaram em terreno positivo, embora com ganhos bastante modestos. O índice Dow Jones ganhou esta semana 0,66%, o S&P 500 0,65% e o Nasdaq 0,70%, com o índice de pequenas e médias empresas, Russell 2000, a superá-los, valorizando 3,93%.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



Mercado cambial



A volatilidade nas negociações entre o Irão e os Estados Unidos, não deu mais do que uma incerteza que levou o mercado cambial a negociar com alguma indiferença. Com o impacto a ser mais visível nos mercados petrolíferos, foi por essa via que foi sentido alguma pressão no mercado de divisas.

Os dados da inflação nos Estados Unidos saíram em linha com as estimativas, mesmo do lado mais baixo das previsões. Isto, em conjunto com preços do petróleo mais baixos levaram a novo ajustamento nas expectativas do mercado relativamente a futuros movimentos de taxas por parte da Reserva Federal. O ajustamento desta vez veio em baixa. Após os mercados já estarem a precificar uma pequena probabilidade de uma subida em Outubro, dando esta como certa em Dezembro, segundo a FedWatch Tool da CME, terminaram a semana a descontar cerca de 74% de probabilidade em Dezembro, onde só colocam como certa uma subida em Janeiro de 2027.
A pressionar o dólar esteve também um melhor sentimento de risco nos últimos dias da semana, após Trump ter afirmado que a guerra com o Irão estaria terminada.
O índice do dólar, DXY, terminou a semana a negociar em torno dos 99,50 pontos, após ter começado acima dos 100 pontos e ter registado um máximo nos 100,30.

O euro viu a sua taxa de juro subir 25 pontos base, mas com o movimento já largamente esperado e descontado pelo mercado, tal não se fez sentir no preço do EUR/USD. Uma vez mais, foi o lado do dólar que mais fez mexer o preço do par. O EUR/USD, que negociava em torno de 1,1500, em mínimos dos últimos dois meses, acabou por terminar em máximos da semana em torno de 1,1570, impulsionado pelas expectativas das taxas de juro nos EUA, da queda das yields norte-americanas e ainda pelos preços do petróleo em baixa.

O iene japonês manteve-se a negociar pouco alterado durante praticamente toda a semana. Apesar das yields obrigacionistas norte-americanas terem recuado, assim como o preço do petróleo, cujos ganhos têm pressionado o iene, o iene manteve-se a negociar face ao dólar acima dos 160 ienes, numa área considerada pelo mercado como zona de intervenção das autoridades nipónicas.
O USD/JPY terminou a semana a 160,20, o mesmo nível com que começou, dentro de um intervalo 159,53/160,60.
O EUR/JPY começou a semana perto de mínimos a 184,46, para terminar em torno de máximos a 185,37.

A libra esterlina continuou esta semana a negociar em volatilidade reduzida e em torno dos recentes níveis, registando ligeiros ganhos, em véspera de uma semana de reunião do Banco de Inglaterra e onde a agitação no cenário político de mantém.
O EUR/GBP terminou a semana a 0,8630, após um início 7 pontos acima (0,8637), onde registou um máximo de 0,8656 e um mínimo de 0,8618, enquanto o GBP/USD, que começou a semana a negociar a 1,3340, terminou a 1,3405.

O franco suíço voltou esta semana a negociar em perdas, mais visíveis face ao euro, com o EUR/CHF a ser impulsionado pela subida de taxas na Zona Euro, enquanto face ao dólar, devido às perdas que registou, acabou por levar o franco suíço a manter-se.
O USD/CHF terminou a semana a negociar a 0,7970, após a ter começado a 0,7960 e ficando contido entre um mínimo de 0,7940 e um máximo de 0,8015.
O EUR/CHF, que começou a semana a negociar a 0,9175, terminou a 0,9220, o fecho semanal mais alto dos últimos dois meses.

A coroa norueguesa foi a divisa que mais perdeu esta semana, pressionada pela forte volatilidade que se fez sentir nos mercados accionistas e ainda pelas perdas semanais que se registaram nos preços do petróleo.
Face ao dólar recuou esta semana 0,6%, enquanto face ao euro perdeu 1%, com o EUR/NOK a terminar a semana acima dos 11,00 pela primeira vez desde meados de Abril.

O dólar canadiano acompanhou de perto as quedas da coroa norueguesa, após o seu banco central ter mantido a taxa de juro inalterada, pressionado pela queda dos preços do petróleo e ainda pelas ameaças da não renovação do acordo de comércio USMCA por parte de Donald Trump.
O dólar canadiano recuou 0,80% face ao euro e 0,40% face ao dólar, com o USD/CAD a atingir um novo máximo deste ano, acima dos 1,4000, o que não sucedia desde os primeiros dias do mês de Dezembro do ano passado.

As moedas dos mercados emergentes, na sua grande maioria, com excepção da lira turca, registaram esta semana ganhos, impulsionadas por um sentimento de risco melhorado, por preços do petróleo em baixo, assim como o dólar e as suas yields obrigacionistas.
O real brasileiro ganhou mais de 2% face ao dólar, o rand sul-africano 1,7% e o peso mexicano 1,4%.
Já em sentido contrário, a lira turca voltou a negociar em perdas, caindo 1% face ao euro e 0,5% face ao dólar, numa semana onde o seu banco central manteve a sua taxa de juro nos 37%.



Gráfico Fonte XTB xStation 5


Commodities



Petróleo

Uma vez mais tivemos o petróleo a servir de termómetro como instrumento de avaliação da “temperatura” no Médio Oriente, em especial entre os Estados Unidos e o Irão.
Logo no início da semana, com as tensões a aumentarem durante o fim de semana, com o conflito a escalar entre os Estados Unidos e o Irão, com ataques de parte a parte, o petróleo começou a negociar em alta tendo atingido logo à abertura o máximo da semana. Com as tensões a abrandarem e a escalada a não ter continuidade, a volatilidade nos preços do petróleo diminuiu, tal como o preço do barril de crude.
As afirmações de Donald Trump, apontando para o fim do conflito, e o anúncio posterior de que um acordo estaria pronto para ser assinado por ambas as partes, pressionou ainda mais os preços do petróleo que terminaram a semana em mínimos de quase dois meses, tendo registado esta semana uma queda em torno de 6%.

O Brent, que começou a semana a negociar a 95,50 dólares por barril e atingiu um máximo de 98 dólares, terminou a semana perto dos mínimos de 85,80 dólares, a 86,75.
O barril de WTI terminou a semana a 82,80 dólares, após a ter iniciado a 93 dólares e ter atingido um máximo de 95,50 dólares.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



Ouro

As expectativas de subidas de taxas de juro, devido às preocupações em torno de preços de energia mais elevados que estão a levar a inflação de novo em alta, tem colocado pressão no preço do ouro, e esta semana tal voltou a ser verificado. Inflação nos Estados Unidos acima dos 4% pela primeira vez em quase três anos e Estreito de Ormuz a prometer manter-se “fechado” por mais tempo sustentava a narrativa e as yields obrigacionistas, continuando a pressionar o preço da onça de ouro.
A perspectiva de um fim no conflito no Médio Oriente na segunda metade desta semana, levou a uma inversão no sentimento de mercado. Os preços do petróleo caíram, assim como baixaram as yields, o que trouxe algum suporte ao ouro, que terminou a semana a recuperar dos recentes mínimos do ano. Ainda assim foi mais uma semana negativa, perdendo cerca de 3%.

O onça de ouro terminou a semana a negociar a 4.218,60 dólares, recuperando de um mínimo de 4.024, após ter começado a semana a negociar a 4.321,30 dólares e ter chegado a atingir um máximo de 4.363,60.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



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