EUR/USD
Semanal

EUR/USD  Semanal

O Médio Oriente e a Reserva Federal serão novamente os grandes motores do sentimento de mercado durante esta semana. Será que terão força para impulsionar um novo movimento no EUR/USD?

Na semana passada foi o Médio Oriente o principal responsável pelos movimentos registados no EUR/USD. Um início de semana marcado pelo reacender das tensões na região levou o dólar a ganhar terreno e o EUR/USD a testar novamente o nível psicológico dos 1,1500, registando um mínimo que não era observado desde Março.

Um Banco Central Europeu que subiu as suas taxas em 25 pontos base, tal como era esperado pelo mercado, pouco mais fez do que limitar perdas maiores. Nem mesmo uma Christine Lagarde com uma comunicação mais hawkish, minimizando os riscos para a actividade económica e rejeitando a ideia de que esta subida foi meramente preventiva, conseguiu alterar a tendência descendente da primeira metade da semana. Lagarde sublinhou que o choque inflacionista está a ganhar amplitude na economia, alimentando expectativas de novas subidas de taxas ainda este ano.

Do outro lado do Atlântico, a inflação superou pela primeira vez nos últimos três anos a fasquia dos 4%, acelerando de 3,8% para 4,2%, enquanto a inflação subjacente subiu para 2,9%, o valor mais elevado desde Outubro do ano passado. Estes números reforçaram os receios de que a inflação continua a afastar-se da meta de 2% da Fed, mas o dólar pouco reagiu.

As perdas do dólar e os ganhos do EUR/USD regressaram à medida que o sentimento de risco melhorou após notícias de um acordo iminente entre os Estados Unidos e o Irão. Os preços do petróleo recuaram, tal como as yields obrigacionistas, pressionando o dólar e impulsionando o EUR/USD, que recuperou boa parte das perdas registadas após os números dos nonfarm payrolls da semana anterior.

Trump anunciou um acordo praticamente concluído. Segundo o próprio, à data de redacção deste texto, o mesmo deveria já ter sido assinado. O mercado continuará a acompanhar de perto a evolução deste tema. A concretização do acordo, com o Estreito de Ormuz a voltar a ser livremente transitável, deverá contribuir para uma melhoria do sentimento geral de risco nos mercados, retirando algum suporte ao dólar.

Ainda assim, o impacto poderá revelar-se temporário. A situação na região permanece frágil e, mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, a normalização dos fluxos energéticos e comerciais poderá demorar algum tempo a ser alcançada. Pelo contrário, qualquer recuo nas negociações poderá fazer regressar rapidamente a procura por activos de refúgio, favorecendo novamente o dólar.

Esta semana teremos ainda a reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos. Os mercados não esperam outro resultado que não seja a manutenção das taxas de juro no actual intervalo entre 3,50% e 3,75%, estando as atenções novamente centradas na comunicação da instituição, agora que há um novo homem ao leme, Kevin Warsh.

A sua chegada acrescenta uma camada adicional de incerteza. Apesar de ter sido nomeado por uma administração que defendia taxas de juro mais baixas, os sinais dados até agora sugerem que dificilmente colocará em causa a credibilidade da Reserva Federal numa altura em que a inflação continua demasiado elevada. Pelo contrário, tudo indica que procurará afirmar a independência da instituição e alinhar-se com a maioria dos membros do FOMC.

Outro aspecto particularmente importante será a actualização das projecções económicas da Fed. O novo presidente já demonstrou reservas relativamente ao actual modelo de comunicação da instituição, colocando inclusivamente em causa a utilidade dos habituais dot plots. Para além das projecções de taxas dos vários membros do FOMC, caso os responsáveis revejam em alta as previsões para a inflação e mantenham uma perspectiva favorável para o crescimento económico, os investidores poderão interpretar essa combinação como um sinal de que as taxas permanecerão elevadas durante mais tempo. Mesmo sem uma subida imediata, a simples remoção das expectativas de cortes poderá continuar a sustentar o dólar e pressionar o EUR/USD.

Em minha opinião, salvo uma surpresa por parte de Warsh que leve os investidores a recearem uma Fed mais politizada e menos independente, o dólar poderá continuar a beneficiar de um suporte importante. Mesmo a concretização do acordo entre os Estados Unidos e o Irão poderá não proporcionar mais do que um alívio temporário ao EUR/USD, uma vez que a situação permanece delicada e os riscos geopolíticos dificilmente desaparecerão de imediato.

Esta semana poderemos assistir a um aumento da volatilidade. O mercado espera ver progressos concretos em torno do anunciado acordo. Caso este seja efectivamente materializado, o EUR/USD poderá recuperar parte das perdas do último mês, ultrapassando a zona dos 1,1580/1,1600 e testar uma resistência mais forte na área 1,1680/1,1700. Por outro lado, um eventual recuo nas negociações e uma nova escalada do conflito poderão desta vez levar à quebra do suporte psicológico dos 1,1500, colocando o EUR/USD no caminho de novos mínimos anuais.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


Por aqui, no gráfico semanal, nada de novo

O EUR/USD continua a negociar dentro de uma área de consolidação em termos gerais entre 1,1500 e 1,1800, continuando na semana passada a negociar abaixo da média móvel das 21 semanas.

A linha de MACD praticamente coincidente com a linha neutra e a linha de sinal, em conjunto com um RSI muito perto da linha de 50, mantém um “momentum” neutro para o par.

O break do máximo do mês anterior a 1,1849, poderá levar ao quebrar do padrão de consolidação mais apertado, abrindo espaço para um teste à resistência a 1,1918, limite superior de um padrão de consolidação mais alargado. O ultrapassar desta resistência irá expor o máximo do ano a 1,2082, onde pelo meio encontra a resistência psicológica de 1,2000.

O quebrar do mínimo das últimas semanas a 1,1660, poderá confirmar a continuação do EUR/USD na área de consolidação 1,1480/1,1830. Só o break do suporte a 1,1480 colocará o par num cenário mais bearish, que o pode levar para os mínimos de Maio de 2025, a 1,1065.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.

O EUR/USD volta a negociar em torno do anterior suporte, agora resistência de 1,1579, depois de recuperar de um mínimo de mais de dois meses a 1,1500.

O MACD abaixo da linha neutra continua a mostrar o momento descendente do EUR/USD enquanto o RSI mantém-se longe de terreno de sobre venda.

O EUR/USD continua a negociar abaixo da MM 21 dias e da Nuvem de Ichimoku diária, que contém a importante média móvel dos 200 dias.

A quebra da resistência nos 1,1579 e da MM21 dias que se lhe segue poderá abrir espaço para um teste à importante zona de resistência definida pela Nuvem de Ichimoku diária (1,1630-1,1701), onde se encontra igualmente a média móvel dos 200 dias. A superação desta área abrirá caminho para um teste à resistência dos 1,1795-1,1805.

O retomar da tendência descendente, levando a uma quebra do suporte psicológico dos 1,1500, poderá abrir caminho para um teste ao suporte intermédio dos 1,1443. A perda deste nível exporia os actuais mínimos do ano nos 1,1411. O ultrapassar destes mínimos abriria espaço para uma descida até aos 1,1391, mínimo de Agosto de 2025.


Resistências - Suportes

1,1630 - 1,1500

1,1676 - 1,1443

1,1795 - 1,1391


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