A semana que começa
O acordo, PMI e inflação

A semana que começa O acordo, PMI e inflação

Uma semana mais ligeira de bancos centrais, com as atenções voltadas para o acordo entre o Irão e os Estados Unidos, e ainda para uma agenda económica onde se destacam os PMI e a inflação preferida da Fed

Depois de várias semanas dominadas pelas decisões dos principais bancos centrais, os mercados entram agora num período relativamente mais tranquilo no que respeita à política monetária. Ainda assim, não faltam temas capazes de influenciar o sentimento dos investidores, com destaque para a evolução do acordo entre os Estados Unidos e o Irão, bem como para uma agenda económica onde os índices PMI e a inflação norte-americana assumem particular relevância.




O principal foco geopolítico continua a ser o entendimento alcançado entre Washington e Teerão, que permitiu o levantamento dos bloqueios navais e abriu caminho à normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. A reabertura desta rota estratégica para o comércio mundial de energia será acompanhada de perto pelos mercados, numa altura em que os preços do petróleo regressaram a níveis mais moderados após meses de volatilidade associada às tensões no Médio Oriente.

Para os investidores, a capacidade de o acordo se consolidar poderá ser determinante para a evolução dos mercados energéticos nas próximas semanas. Um fluxo mais regular de petróleo através da região reduz os riscos de interrupções na oferta global e contribui para aliviar algumas das pressões inflacionistas que têm condicionado as decisões dos bancos centrais.





No plano macroeconómico, os índices PMI serão dos primeiros grandes testes da semana. Tanto nos Estados Unidos como na Zona Euro, estes indicadores serão analisados em detalhe por oferecerem uma leitura antecipada da actividade empresarial no final do segundo trimestre. Do lado europeu, os investidores procurarão confirmar se a recuperação gradual observada nos últimos meses continua a ganhar consistência, especialmente nos serviços, enquanto a indústria tenta ainda ultrapassar um período prolongado de fragilidade. Já nos Estados Unidos, os PMI poderão ajudar a perceber se a economia mantém um ritmo de crescimento suficientemente robusto para sustentar o mercado laboral e o consumo.

Mas o indicador mais aguardado da semana será provavelmente o índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida da Reserva Federal. Depois de a Fed ter adoptado um discurso firme no combate à inflação, os números desta semana poderão fornecer pistas importantes sobre a trajectória dos preços e sobre a margem que o banco central terá para ajustar a política monetária nos próximos meses.

A acompanhar o PCE serão divulgados também os dados de rendimento e despesas das famílias norte-americanas, bem como as encomendas de bens duradouros. Em conjunto, estes indicadores permitirão avaliar a resistência da procura interna e a capacidade da economia norte-americana para continuar a crescer num contexto de taxas de juro ainda relativamente elevadas.





Assim, numa semana menos intensa em matéria de bancos centrais, as atenções dos mercados deverão dividir-se entre a consolidação do acordo entre os Estados Unidos e o Irão, com implicações directas para os preços da energia, e os indicadores económicos que ajudarão a medir o pulso da actividade e da inflação dos dois lados do Atlântico.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
Esta semana as atenções irão estar de novo voltadas para os dados da inflação, com a divulgação da medida preferida da Reserva Federal, o índice de preços core PCE. O PCE em Maio, em termos mensais, deverá mostrar uma subida de 0,4%, em linha com o mês anterior, onde a medida anual, segundo as previsões, deverá mostrar uma subida dos 3,8% no mês de Abril, para 4% em Maio. O índice de preços Core PCE em termos mensais deverá acelerar de 0,2% para 0,3%, onde em termos anuais deverá manter-se nos 3,3%. As despesas pessoais no mês de Maio deverão mostrar um aumento de 0,6%, acelerando dos 0,5% em Abril, e os rendimentos pessoais um aumento de 0,4%, após a estagnação no mês anterior.
Também em destaque estarão os números das encomendas de bens duradouros. As previsões apontam para uma queda mensal em Maio de 4,7%, após o crescimento de 8% no mês anterior, onde sem as encomendas de transportes, mostrem um crescimento de 0,5%, desacelerando dos 1,1% no mês de Abril.
A semana irá começar com os também importantes dados da actividade económica privada, os PMI da S&P Global. O consenso aponta para um ligeiro abrandamento, com o PMI composto a cair de 51,5 para 50,8, com a actividade industrial a recuar (55,1 para 54,5), enquanto o sector de serviços mostrará um ligeiro crescimento de 50,7 para 50,9. Teremos ainda os dados semanais do emprego ADP e o índice manufactureiro de Richmond que deverá mostrar um recuo dos 13 do mês anterior, para 8.
Na quarta-feira iremos ter os números da conta-corrente do primeiro trimestre que deverá mostrar um défice de 219 mil milhões de dólares, após os 191 mil milhões no trimestre anterior, e ainda as vendas de imóveis novos que deverão mostrar um aumento de 2,9%, após a redução de 6,2% no mês de Abril.
Na quinta-feira, além dos dados do PCE e das encomendas de bens duradouros, teremos também os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego que deverão manter-se em torno dos 225 mil, e ainda a leitura final do PIB do primeiro trimestre, que deverá confirmar o crescimento de 1,6% apresentado nos números anteriores da segunda leitura.
Na sexta-feira iremos ter os números da balança comercial de bens do mês de Maio, que deverão apresentar um défice de 85,4 mil milhões de dólares, após os 82,4 mil milhões em Abril. Teremos também os dados preliminares dos inventários grossistas, onde as estimativas apontam para um crescimento de 0,3%, mas desacelerando dos 0,6% no mês anterior. Finalmente teremos a revisão dos dados preliminares da Universidade de Michigan do índice da confiança do consumidor e das expectativas de inflação.

Zona Euro
Na agenda económica desta semana destacam-se os indicadores de actividade económica privada, os PMI, onde os mercados esperam ver uma ligeira recuperação, embora mantendo-se em terreno de contracção.
Começamos por ter a divulgação dos PMI em França, onde o consenso aponta para uma subida do PMI composto de 44,9 para 46,4, continuando em contracção, com o sector manufactureiro a subir de 49,7 para 50,1, voltando para terreno de expansão, e o de serviços de 44,3 para 46.
Na Alemanha, o PMI composto deverá também mostrar uma ligeira recuperação, de 48,8 para 49,5, onde o PMI de serviços sobe de 48,1 para 48,5, enquanto o manufactureiro cai de 50,1 para 49,8, voltando para território de contracção.
Por fim temos os dados agregados da Zona Euro, com as estimativas a mostrarem uma subida do PMI composto de 48,5 para 49,1, onde a actividade de serviços sobe de 47,7 para 48,4, mantendo-se em contracção, e a industrial recua de 51,6 para 51,1, mas segue em expansão.
A semana começa com o índice de confiança do consumidor do Eurostat, onde o consenso aponta para uma ligeira recuperação dos -19 do mês anterior, para -18.
Na quarta-feira as atenções vão para o índice de confiança empresarial alemão IFO, onde as estimativas apontam para uma subida de 84,9 para 85,6, seguindo-se na quinta-feira o índice de confiança do consumidor GfK, onde os mercados esperam ver uma ligeira recuperação de -29,8 para -27,6.

Reino Unido
Uma semana bastante ligeira de indicadores económicos, onde o destaque vai também para os dados da actividade privada, os PMI da S&P Global.
O consenso aponta para um novo recuo na actividade económica, com o índice composto a cair de 49,7 para 49,1, ficando ainda mais em terreno de contracção. O PMI industrial, segundo as estimativas, cairá de 53,9 para 53,4, mantendo-se em expansão, enquanto o PMI de serviços sobe de 49,3 para 49,7 e continua em contracção.
Teremos também o índice de expectativa de encomendas industriais, onde as previsões apontam para uma subida de -41 para -33, e ainda o CBI Realized Sales, que poderá subir de -46 para -41.

Canadá
Por aqui é semana de inflação. Os preços em Maio deverão mostrar um aumento de 0,7%, acelerando dos 0,4% no mês anterior, com a inflação anual a subir de 2,8% para 2,9%. Sem alimentos nem energia, os preços em termos mensais deverão mostrar uma subida de 0,5%, acelerando dos 0,2% em Abril, com a inflação subjacente a subir de 2,1% para 2,2%. O CPI comum deverá manter-se nos 2,5%, tal como a medida seguida mais de perto pelo Banco do Canadá, a CPI Trimmed-Mean nos 2%.
Iremos ter também os números preliminares das vendas manufactureiras de Maio que deverão mostrar uma redução de 1,3%, após o crescimento de 4,2% em Abril, e ainda os números preliminares das vendas grossistas que, segundo as estimativas, deverão mostrar uma queda de 0,4%.

Suíça
Uma semana ligeira de indicadores económicos, onde iremos ter a divulgação dos números da conta-corrente do primeiro trimestre e o índice de confiança económica.
A conta-corrente deverá mostrar um excedente de 11,9 mil milhões de francos suíços, após os 7 mil milhões apresentados no trimestre anterior.
O índice de confiança económica deverá mostrar uma subida dos -11,1 para 1,5.

China
Uma semana praticamente vazia de indicadores económicos, onde poderemos ter os números do investimento estrangeiro directo, com as estimativas a mostrarem uma redução de 11%, após os 10,3% apresentados no mês anterior.

Japão
As atenções vão para os dados da inflação, com a divulgação do índice de preços do consumidor da área de Tóquio. Segundo as estimativas, os preços em Junho em termos homólogos deverão mostrar um aumento de 1,7%, acelerando dos 1,4% em Maio, onde sem energia e alimentos frescos, a medida preferida do Banco do Japão, deverão subir 1,6%, após os 1,3% no mês anterior.
Também em destaque estarão no início da semana os dados da actividade económica privada. O PMI composto deverá recuar dos 51,1 para 50,8, mantendo-se em território de expansão, onde o PMI industrial deverá cair de 54,5 para 53,6, enquanto o de serviços poderá registar um ligeiro crescimento de 50 para 50,3.

Austrália
Por aqui será uma semana bem preenchida de indicadores económicos de primeira linha.
Começa com os dados da actividade económica privada, onde os mercados esperam ver uma ligeira recuperação, mas mesmo assim a manter-se em contracção, com o índice PMI composto a subir de 48,7 para 49,1. Segundo as estimativas, o PMI manufactureiro deverá recuar de 50,7 para 50, enquanto o de serviços irá subir de 48,7 para 49,1.
Seguem-se os dados da inflação. Os preços em Maio deverão mostrar uma redução mensal de 0,4%, após os 0,4% de aumento do mês anterior, com a inflação anual a subir dos 4,2% para 4,3%. A RBA Trimmed Mean CPI, a medida observada mais atentamente pelo banco central, que exclui 30% dos itens mais voláteis, deverá manter um crescimento mensal de 0,3%, com a medida anual a subir de 3,4% para 3,5%.
Por fim teremos os dados do mercado de trabalho. Os mercados prevêem uma queda na taxa de desemprego de 4,5% para 4,4%, com a taxa de participação a manter-se nos 66,7% e o número de postos de trabalho a crescer em 30 mil. A despesa das famílias deverá mostrar um aumento mensal em Maio de 0,5% (após a redução de 1,1% em Abril), onde em termos homólogos deverá apresentar um crescimento de 4,1%, face aos 4,9% mostrados no mês anterior.



Bancos Centrais



O Banco do México

Esta semana, o Banxico deverá manter a sua taxa de juro directora nos 6,50%, interrompendo o ciclo de flexibilização monetária iniciado em Março de 2024 e que resultou numa redução acumulada de 450 pontos base.

A expectativa dos mercados surge depois de a própria instituição ter sinalizado, na reunião de Maio, que a actual postura monetária continua adequada para enfrentar os desafios económicos e inflacionistas, num contexto internacional marcado pela incerteza geopolítica e pela persistência de riscos para os preços.

A estabilidade recente do peso mexicano tem sido um dos factores que sustenta a decisão de manter as taxas inalteradas. A moeda continua a apresentar um desempenho sólido face ao dólar, ajudando a limitar pressões inflacionistas importadas e reduzindo a necessidade de novos estímulos monetários.

Ao mesmo tempo, a recente reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos veio reforçar a prudência do banco central mexicano. Com a Fed a manter um discurso firme no combate à inflação e parte dos seus responsáveis a admitir novas subidas das taxas ao longo deste ano, o diferencial de juros entre os dois países permanece um elemento importante para a estabilidade financeira do México.

Ainda assim, o enfraquecimento da actividade económica continua a ser um factor de atenção. A economia mexicana registou uma contracção no primeiro trimestre e os indicadores de consumo apontam para uma desaceleração da procura interna, circunstâncias que poderão voltar a alimentar o debate sobre eventuais cortes adicionais mais à frente.

Para já, contudo, a expectativa dominante é de uma reunião sem surpresas, com o Banxico a privilegiar a estabilidade e a aguardar por novos sinais da inflação e da economia antes de voltar a ajustar a política monetária.


O Banco Popular da China

O banco central chinês deverá voltar a manter inalteradas as suas taxas de juro de referência para empréstimos a um e cinco anos em 3,0% e 3,5%, respectivamente.


O que pensa sobre este tema?