EUR/USD
Semanal
Os mercados ignoraram o alívio geopolítico e focaram-se na Fed. Com uma mensagem mais dura sobre a inflação, Kevin Warsh deu novo impulso ao dólar frente ao euro.
O grande motor do dólar, e consequentemente do EUR/USD, voltou a ser a Reserva Federal dos Estados Unidos.
Na semana passada, o acordo entre os Estados Unidos e o Irão acabou por não fornecer o suporte esperado ao EUR/USD. Não propriamente pelas dúvidas que continua a suscitar entre os investidores, mas sobretudo porque os mercados rapidamente desviaram a atenção para um evento que se revelou bastante mais importante: a reunião da Fed. A primeira liderada por Kevin Warsh trouxe um tom mais hawkish do que o esperado e mostrou, para já, um presidente mais alinhado com a maioria do FOMC do que com as posições defendidas pela Casa Branca.
O suporte inicial proporcionado pelo anúncio do acordo no Médio Oriente, que permitiu a reabertura do Estreito de Ormuz e aliviou os receios de novas pressões inflacionistas associadas aos preços da energia, revelou-se efémero. O EUR/USD começou a semana próximo dos níveis de fecho da anterior, em torno de 1,1600, mas acabou por ceder perante uma Fed que reforçava a convicção dos mercados de que o próximo movimento das taxas de juro será em alta.
Como amplamente esperado, a Fed manteve as taxas de juro inalteradas. No entanto, apesar da ausência de qualquer forward guidance, as novas projecções revelaram uma inclinação claramente mais hawkish. Nove dos dezoito membros do FOMC antecipam pelo menos uma subida de taxas ainda este ano, enquanto vários admitem mais do que um movimento. Apenas um membro continua a projectar um corte. Em paralelo, as previsões de inflação foram revistas em alta de forma significativa, com o PCE a apontar agora para 3,6% em 2026, face aos 2,7% anteriormente previstos, e o Core PCE a subir para 3,3%, reflectindo pressões inflacionistas mais persistentes do que o antecipado.
Por outro lado, Warsh parece determinado a distanciar-se do modelo de comunicação seguido nos últimos anos. Menos é mais. O comunicado foi reduzido ao essencial, eliminando qualquer referência à orientação futura da política monetária. Duas ideias centrais permaneceram: a economia continua a crescer a um ritmo sólido, apoiada por um mercado de trabalho resiliente, e a inflação mantém-se acima do objectivo. A mensagem final não deixou margem para dúvidas: a Fed continua focada em assegurar a estabilidade de preços. Warsh foi igualmente claro ao rejeitar o conceito de forward guidance, defendendo que os mercados devem reagir aos dados e não tentar antecipar a reacção do banco central.
A reacção dos mercados não se fez esperar. As yields das Treasuries a dois anos dispararam, arrastando consigo o dólar, que terminou a semana em máximos de mais de um ano. Já o EUR/USD encerrou abaixo de 1,1500, recuperando apenas ligeiramente depois de ter negociado muito próximo dos mínimos anuais registados em Março.
Esta semana, os mercados continuarão naturalmente atentos à evolução do acordo entre os Estados Unidos e o Irão. No entanto, os acontecimentos recentes demonstram que, apesar do impacto significativo nos preços do petróleo, que regressaram para níveis próximos dos observados no início de Março, o acordo não trouxe, para já, suporte relevante ao euro nem pressão significativa sobre o dólar.
Por outro lado, a atenção dos investidores voltará também a centrar-se nos indicadores de actividade económica. Na Zona Euro, uma surpresa negativa nos PMI poderá aumentar a pressão sobre a moeda única, enquanto números mais fortes poderão oferecer algum suporte ao euro.
Ainda assim, será nos Estados Unidos que o impacto poderá ser mais expressivo. Depois de Warsh ter rejeitado o recurso ao forward guidance e defendido uma Fed mais dependente dos dados económicos, a volatilidade associada à divulgação dos indicadores macroeconómicos deverá aumentar. Os mercados terão agora de reagir mais aos números e menos às tentativas de antecipar a mensagem do banco central.
Além dos PMI, a semana trará também a divulgação da medida de inflação preferida da Fed. Os mercados esperam uma subida do PCE de 3,8% para 4,0%, enquanto o Core PCE deverá manter-se nos 3,3%. Estes níveis continuarão a sustentar as expectativas de duas subidas das taxas de juro até ao final do ano. Uma surpresa positiva poderá reforçar esse cenário. Pelo contrário, uma leitura abaixo do esperado poderá levar os investidores a regressar à expectativa de apenas uma subida.
Em minha opinião, o período de baixa volatilidade no EUR/USD poderá estar a aproximar-se do fim. O diferencial de taxas de juro entre o euro e o dólar continua claramente a favorecer a moeda norte-americana e, consequentemente, a tendência descendente do par. Salvo uma surpresa negativa significativa no Core PCE, o cenário continua a favorecer novos mínimos anuais no EUR/USD já durante esta semana, aumentando a probabilidade de uma quebra em baixa do longo intervalo de consolidação entre 1,1400 e 1,1900.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD terminou a semana a negociar abaixo do anterior suporte de 1,1480, após recuperar de um mínimo de 1,1417, muito próximo do deste ano atingido em Março a 1,1411.
A linha de MACD segue agora abaixo da linha neutra e da linha de sinal, mostrando o “momentum” negativo do par, onde o RSI a 42, está bem longe de uma situação de sobre-venda.
O quebrar da área 1,1390/1,1411 (mínimo de Agosto 2025 e de Março 2026), levará ao romper com a área de consolidação mais ampla 1,1400/1,1900. O nível psicológico de 1,1000 ficará exposto, e o objectivo poderá estar situado mais abaixo do mesmo em torno de 1,0900. Pelo meio, o EUR/USD irá encontrar um suporte/referência intermédio nos 1,1065 (mínimo de Maio de 2025).
O ultrapassar do máximo da semana passada a 1,1622, poderá mostrar uma inversão de tendência no mais curto prazo, mantendo o par na actual área de consolidação, entre os 1,1500 e 1,1800.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD na semana passada voltou a negociar em forte tendência descendente, quebrando o suporte psicológico de 1,1500 e aproximou-se do mínimo deste ano atingido em Março a 1,1411 .
O MACD segue bem abaixo da linha neutra, e o cruzamento descendente da linha de MACD com a linha de SINAL continua a validar mais perdas para o par. O RSI mantém-se longe de terreno de sobre venda, dando espaço a essas possíveis perdas do EUR/USD.
O EUR/USD terminou a semana a 1,1473, recuperando de um mínimo de 1,1417. O ultrapassar da área de resistência 1,1500/1,1505, poderá levar o par a registar uma correcção mais ampla, levando-o até 1,1544 (61,8% Fib Retracement do movimento máximo/mínimo da semana passada). Se ultrapassado, poderá ganhar força para novo teste à Nuvem de Ichimoku diária (1,1630/1,1740).
O quebrar da área de suporte 1,1390/1,1410 irá expor o nível psicológico de 1,1000, onde encontraremos acima um suporte intermédio de 1,1065 (mínimo de Maio de 2025). Antes, poderemos encontrar um primeiro objectivo a 1,1320, dado pela projecção Fibonacci do movimento 1,1685/1,1500/1,1622.
Resistências - Suportes
1,1500 - 1,1443
1,1580 - 1,1391
1,1630 - 1,1300