A semana que começa
Ormuz, Sintra, inflação e emprego

A semana que começa Ormuz, Sintra, inflação e emprego

Numa semana de encontro de banqueiros centrais, os mercados estarão ainda atentos aos importantes dados do emprego nos EUA e da inflação na Zona Euro, acompanhando também de perto os acontecimentos no Médio Oriente

Uma semana de quatro dias nos Estados Unidos, com os mercados de fora na sexta-feira no importante feriado do Dia da Independência, o mercado irá receber os importantes dados do emprego. Na Zona Euro as atenções vão para os dados da inflação do mês de Junho, enquanto em Sintra o BCE acolhe um número elevado de banqueiros centrais. Tudo isto, com os mercados certamente a acompanharem os acontecimentos no Médio Oriente, após acusações de parte a parte de violação do cessar-fogo acordado.




A situação no Médio Oriente continua a ser o pano de fundo que os investidores não conseguem ignorar. Os presidentes dos Estados Unidos e do Irão assinaram a 17 de Junho um memorando de entendimento que estabeleceu uma extensão de 60 dias do cessar-fogo, com o objectivo de negociar os termos finais de um acordo. Porém, a frágil paz construída ao longo das últimas semanas não tardou a ser posta à prova. Na passada sexta-feira, Trump afirmou que o regime iraniano disparou quatro drones sobre o Estreito de Ormuz, com um a atingir o convés superior de um navio cargueiro, violando assim o acordo de cessar-fogo. Do lado iraniano, as acusações apontam na direcção oposta: Teerão tem reclamado que os contínuos ataques israelitas no Líbano constituem eles próprios uma violação do memorando. Com acusações cruzadas de parte a parte e um cessar-fogo que parece mais frágil do que nunca, os mercados, e em particular o do petróleo, entrarão nesta semana com os olhos postos no Golfo.





Uma agenda económica que conta com importantes dados de ambos os lados do Atlântico.

Na Europa, as atenções concentram-se nos dados de inflação da Zona Euro referentes ao mês de Junho. O contexto é exigente: a inflação homóloga na Zona Euro fixou-se em 3,2% em Maio de 2026, o valor mais elevado desde Setembro de 2023 e muito acima do objectivo de 2% do Banco Central Europeu. Os preços da energia lideraram a subida, com um aumento de 10,8%, o mais acentuado desde Fevereiro de 2023, fortemente influenciados pelas perturbações de oferta associadas ao conflito no Médio Oriente. As projecções do Eurosistema apontam para que a inflação atinja um pico de 3,4% no terceiro e quarto trimestres de 2026, permanecendo acima de 3,0% até ao início do próximo ano. A leitura de Junho será, por isso, um teste decisivo para perceber se essa trajectória está a cumprir-se, e que margem de manobra a política monetária europeia tem pela frente.

Nos Estados Unidos, os dados do mercado de trabalho norte-americano dominam a agenda económica da semana. O relatório de emprego referente ao mês de Junho está agendado para quinta-feira, devido ao feriado do Dia da Independência. Os números mais recentes mostraram um mercado laboral que vai resistindo: a economia americana criou 172 mil empregos em Maio, bem acima das previsões de 85 mil, com a taxa de desemprego a manter-se nos 4,3%. A questão que se coloca agora é saber se essa resiliência se mantém num contexto de incerteza geopolítica crescente, ou se os efeitos do conflito no Médio Oriente começam a fazer-se sentir no tecido económico americano. A resposta da Reserva Federal ao relatório de emprego, e ao seu impacto nas expectativas de inflação, continuará a ser um dos factores mais acompanhados pelos mercados.





O Fórum anual de bancos centrais do BCE

Antes do início do segundo semestre, as atenções dos mercados voltam a centrar-se em Sintra, onde o Banco Central Europeu reúne, entre 29 de Junho e 1 de Julho, alguns dos principais responsáveis pela política monetária mundial. O encontro anual do BCE tem vindo a afirmar-se como um dos mais importantes fóruns de debate económico na Europa, reunindo banqueiros centrais, académicos e especialistas para discutir os principais desafios que a economia global enfrenta. O tema deste ano estará centrado no futuro da Europa, com especial enfoque na inovação, no crescimento económico, na estabilidade financeira e nos desafios estruturais que condicionam a competitividade da região.

O ponto alto do evento será o tradicional painel de encerramento, que contará com a participação da presidente do BCE, Christine Lagarde, do presidente da Reserva Federal norte-americana, Kevin Warsh, do governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, e do governador do Banco do Canadá, Tiff Macklem. Como habitualmente, os investidores estarão atentos a qualquer alteração no discurso dos principais banqueiros centrais, procurando sinais sobre a evolução das taxas de juro nos próximos meses.

Embora o fórum de Sintra seja frequentemente comparado ao simpósio de Jackson Hole, organizado pela Reserva Federal norte-americana, continua a desempenhar um papel diferente. Ao contrário de Jackson Hole, palco de alguns dos anúncios mais marcantes da política monetária das últimas décadas, Sintra tem sido sobretudo um espaço de consolidação das estratégias já em curso e de reflexão sobre os desafios futuros, mais do que um local para grandes mudanças de orientação.

Para além da política monetária, o programa inclui debates sobre temas estruturais que deverão marcar a economia europeia na próxima década, como o fraco crescimento da produtividade, o impacto da inteligência artificial, os riscos para a estabilidade financeira e as crescentes tensões geopolíticas. Estes factores continuarão a influenciar as decisões dos bancos centrais e poderão definir o enquadramento económico e financeiro para os próximos anos.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
Uma semana de apenas quatro dias, com os mercados encerrados na sexta-feira anterior ao famoso 4 de Julho, o Dia da Independência, onde os investidores estarão com especial atenção aos dados do mercado de trabalho do mês de Junho.
Os nonfarm payrolls serão divulgados na quinta-feira, devido ao feriado no último dia da semana, onde os mercados estão a estimar um acréscimo de 110 mil postos de trabalho criados no mês de Junho, com a taxa de desemprego a manter-se nos 4,3%, e onde o crescimento médio salarial deverá mostrar um aumento de 0,2%, desacelerando dos 0,3% mostrados no mês anterior.
A semana começa ligeira de indicadores económicos, onde iremos ter a divulgação do índice manufactureiro da Fed de Dallas, onde as estimativas apontam para uma subida de 0,4 para 2.
Na terça-feira iremos ter os primeiros dados do mercado de trabalho, com a divulgação dos números de novas vagas de emprego JOLTS, onde as previsões apontam para um recuo dos 7,62 milhões para 7,28 milhões. As atenções estarão também colocadas no índice de confiança do consumidor da Conference Board, que deverá subir de 93,1 para 94,2. O índice Chicago PMI deverá recuar dos 62,7 para 60 e o índice de preço dos imóveis da S&P/Case-Shiller deverá manter o ritmo de crescimento de 0,8%.
Na quarta-feira teremos os dados privados do emprego ADP, onde os mercados prevêem 118 mil novos empregos, ligeiramente abaixo dos 122 mil do mês de Maio. Teremos também o Challenger Job Cuts com os mercados a esperarem ver um recuo dos 97 mil do mês anterior, para 85 mil. Iremos ter ainda a divulgação do índice ISM manufactureiro, com as estimativas a apontarem para um ligeiro recuo dos 54,0 para 53,7, onde o subíndice dos preços deverá cair de 82,1 para 79 e o das novas encomendas de 56,8 para 56. Teremos ainda a leitura final do PMI industrial da S&P global.
Na quinta-feira, além dos dados dos NFP, taxa de desemprego e crescimento médio salarial, teremos ainda os habituais números semanais de novos pedidos de desemprego, onde as previsões apontam para 220 mil, face aos 215 mil da semana anterior, e ainda os números das encomendas às fábricas de Maio, que deverão mostrar uma desaceleração dos 4,8% em Abril, para 2,1%.

Zona Euro
Esta semana as atenções voltam-se de novo para os dados da inflação.
Logo no primeiro dia da semana iremos ter os números de Espanha, com as previsões a apontarem para um aumento mensal dos preços em Junho de 0,4%, acelerando dos 0,1% do mês anterior, com a inflação anual a cair de 3,2% para 3,1% e sem energia nem alimentos a manter-se nos 2,9%. Teremos também o índice de confiança económica da Zona Euro, que deverá apresentar uma subida de 93,5 para 94,5.
Na terça-feira, é a vez de conhecermos os números dos preços em França, na Alemanha e em Itália. Em França, os preços em termos mensais deverão mostrar uma subida de 0,4%, com a inflação anual a manter-se nos 2,4%. Na Alemanha a inflação anual deverá também manter-se (2,6%), com os preços mensalmente a subirem 0,3%. Em Itália, a inflação anual deverá subir de 3,2% para 3,4%, com os preços a subirem em termos mensais 0,4%. Na Alemanha, as vendas a retalho deverão mostrar um crescimento de 0,1%, em termos homólogos, caindo no mês 0,4%, e a taxa de desemprego deverá mostrar uma subida de 6,3% para 6,4%.
Na quarta-feira, as atenções vão para os dados agregados da inflação na Zona Euro. Os mercados prevêem um crescimento mensal dos preços de 0,2%, acelerando dos 0,1% do mês anterior, com a inflação total a cair de 3,2% para 3,1% e a inflação subjacente, sem energia nem alimentos, a manter-se nos 2,6%. Iremos ter ainda os dados finais do PMI manufactureiro. Espanha e Itália irão divulgar os PMI industriais, onde o primeiro deverá mostrar uma subida de 51,2 para 51,5, enquanto o segundo deverá apresentar uma queda de 52,9 para 52.
Na quinta-feira, iremos ter os números do emprego. A taxa de desemprego na Zona Euro deverá manter-se inalterada nos 6,3% e em Itália nos 5,1%.
Finalmente, na sexta-feira, teremos os índices composto e de serviços em Espanha e Itália, e ainda os números finais dos PMI de serviços na Zona Euro. Em Espanha, o PMI composto deverá manter-se praticamente ao nível do mês anterior, recuando de 50,2 para 50,1, com o sector de serviços a mostrar uma queda de 50,1 para 49,7, entrando em contracção. O índice composto em Itália deverá mostrar que a actividade económica voltou a contrair, com o índice a cair de 50,4 para 49,9, com o índice de serviços a cair de 49,4 para 49, entrando ainda mais em terreno de contracção. Teremos também dados da produção industrial em França, onde o mercado espera ver uma aceleração no crescimento de 0,1% em Abril, para 0,5% em Maio. Em Itália, as vendas a retalho em Maio deverão mostrar um crescimento de 0,2%, após a estagnação no mês anterior.

Reino Unido
A semana começa com os números da aprovação de hipotecas, com as previsões a apontarem para uma redução dos 66 mil em Abril para 63 mil em Maio, e ainda para os empréstimos líquidos a particulares que deverão apresentar uma redução dos 6,2 mil milhões de libras, para 6 mil milhões.
Na terça-feira teremos a divulgação dos números da conta-corrente, onde as previsões apontam para um défice de 21,5 mil milhões de libras, após o de 18,4 mil milhões no mês anterior. O índice de preço de imóveis da Nationwide, segundo as estimativas, deverá mostrar uma subida de 2,2% em termos homólogos, após 1,7% no mês anterior, onde em termos mensais, os preços deverão mostrar uma subida de 0,2%, após a queda de 0,6% no mês de Maio.
Iremos ter ainda os dados finais da actividade económica da S&P Global.

Canadá
O destaque vai para os números mensais do PIB, onde as previsões apontam para um crescimento de 0,4% no mês de Abril, após a contracção de 0,1% em Março, com as estimativas para os números preliminares de Maio a apontarem para um crescimento de 0,1%.
Teremos ainda o índice manufactureiro da S&P Global, com as estimativas a apontarem para uma subida dos 52,9 do mês passado, para 53,4 este mês.

Suíça
A semana começa com a divulgação do barómetro económico KOF, onde as estimativas apontam para uma subida de 98,0 para 99,4.
Na quarta-feira teremos os números das vendas a retalho de Maio, com as previsões a mostrarem uma redução de 0,1% em termos mensais, com os números em termos homólogos a caírem de um crescimento de 1,6% mostrado no mês anterior, para 0,4%. Iremos ter ainda o PMI manufactureiro, que deverá mostrar uma subida de 57,3 para 58.
Na quinta-feira, as atenções vão para os dados da inflação, com as previsões a apontarem para um aumento mensal dos preços de 0,1%, desacelerando de 0,2%, com a inflação anual a subir de 0,6% para 0,7%.

China
Por aqui é semana de PMIs. Começamos com os números oficiais do NBS que apontam para um ligeiro crescimento do índice geral de 50,5 para 50,7, com o sector industrial a mostrar uma subida de 50 para 50,3 e o de serviços de 50,1 para 50,5.
Mais tarde teremos os índices da RatingDog. O PMI composto, segundo as estimativas, deverá mostrar uma queda de 54 para 53,3, com o PMI manufactureiro a cair de 51,8 para 51,4, enquanto o de serviços sobe de 54,4 para 55.

Japão
Esta semana iremos ter uma agenda bem preenchida de indicadores económicos.
Começamos com os números das vendas a retalho que, segundo as previsões deverão mostrar um crescimento mensal de 0,7%, desacelerando dos 1,3% em Abril, onde em termos homólogos deverão mostrar em Maio um crescimento de 2,5% (face a 2,1% há um mês). Teremos ainda os números do início de construção de imóveis, onde se espera uma aceleração dos 11,4% no mês anterior, para um crescimento de 30% em Maio.
Na terça-feira, iremos ter dados do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego a manter-se nos 2,5%, e ainda os números da produção industrial de Maio, que deverão mostrar um crescimento mensal de 0,3%, após os 0,5% do mês anterior.
Na quarta-feira teremos os índices Tankan do segundo trimestre. O índice de grandes empresas industriais, segundo as previsões, deverá mostrar uma queda de 17 para 13 e o índice de serviços, de 36 para 34. Iremos ter também o índice de confiança do consumidor, onde o consenso aponta para uma queda de 33,6 para 32.
Iremos ter ainda as leituras finais dos PMI da S&P Global.

Nova Zelândia
O índice de confiança empresarial do ANZ, segundo as estimativas, deverá mostrar uma subida de 10 para 11, e o número de licenças de construção em Maio deverão mostrar uma redução de 6,3%, após o aumento de 10,9% em Abril.

Austrália
Começamos com os dados do crédito ao sector privado, que deverá mostrar um crescimento de 0,6% em Maio.
Na quarta-feira teremos os números das licenças de construção, onde as previsões apontam para um crescimento mensal em Maio de 4,5%, após a redução de 3,4% no mês anterior.
Na quinta-feira teremos os números da balança comercial de bens do mês de Maio, que deverá apresentar um excedente de 2,2 mil milhões de dólares australianos, acima dos 1,8 mil milhões de Abril.
Iremos ter também os números finais da actividade económica da S&P Global.




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