EUR/USD
Semanal

EUR/USD  Semanal

O EUR/USD terminou a semana a iniciar uma correcção depois de voltar a renovar mínimos do ano. Irão os dados do emprego nos Estados Unidos dar continuidade a essa recuperação ou irá o mercado voltar rapidamente à tendência principal?

O EUR/USD continuou na semana passada a negociar em forte tendência descendente. O preço caiu dos níveis em torno de 1,1450, onde iniciou a semana, até um novo mínimo do ano nos 1,1324, antes de iniciar uma correcção.

Apesar da queda do petróleo, com os preços a regressarem a níveis que não se verificavam desde o início do conflito no Médio Oriente, e de um ambiente geopolítico ligeiramente menos tenso, factores que normalmente tenderiam a retirar algum apoio ao dólar, o mercado continua a mostrar um apetite praticamente inesgotável pela moeda norte-americana.

E razões não faltam.

A divergência das expectativas relativamente à política monetária do BCE e da Fed continua a favorecer claramente o dólar. Antes do conflito no Médio Oriente, os mercados já descontavam que o BCE estaria próximo de interromper o actual ciclo de subida das taxas de juro, antecipando uma pausa prolongada. Quanto à Fed, o cenário apontava para cortes das taxas ainda este ano. Hoje, a realidade é bastante diferente. Os mercados passaram a antecipar mais duas a três subidas das taxas de juro por parte do BCE, uma das quais já concretizada, enquanto relativamente à Fed esperam agora uma a duas subidas antes do final do ano.

Esta alteração das expectativas continua a reflectir-se no mercado obrigacionista. O diferencial das yields das obrigações a dois anos entre os Estados Unidos e a Zona Euro ronda agora 1,6%, favorável ao dólar, quando ainda há cerca de dois meses se situava próximo de 1,1%.

Ao mesmo tempo, os mercados accionistas continuam em alta, favorecendo estratégias de carry trade. Neste contexto, o dólar continua a reunir praticamente tudo aquilo que os investidores procuram: um diferencial de taxas atractivo, perspectivas de retorno ainda superiores e, simultaneamente, o estatuto de activo de refúgio num mundo que continua longe de oferecer estabilidade.

Também os dados económicos continuam a justificar esta preferência.

Na semana passada, os indicadores da actividade económica voltaram a mostrar uma economia norte-americana bastante mais resiliente do que a da Zona Euro. O Core PCE, a medida de inflação preferida da Fed, subiu de 3,3% para 3,4%, enquanto a variação mensal registou um aumento de 0,3%, mostrando que a inflação continua a afastar-se do objectivo de 2% da Reserva Federal. Curiosamente, o EUR/USD atingiu o mínimo anual ainda antes da divulgação destes dados.

Também Christine Lagarde poderá ter contribuído para alguma pressão adicional sobre o euro. Logo no início da semana afirmou que o BCE não teria necessidade de reagir de forma mais agressiva às repercussões do conflito no Médio Oriente, uma vez que a inflação deverá regressar ao objectivo de médio prazo. Uma mensagem ligeiramente mais dovish do que aquela que tinha deixado na conferência de imprensa após a primeira subida das taxas de juro desde 2023. Ainda assim, as declarações posteriores de Philip Lane, Isabel Schnabel e outros responsáveis do BCE acabaram por equilibrar parcialmente essa percepção.

Esta semana as atenções voltam-se para Sintra, onde decorre o Fórum anual do BCE. Espera-se muita verbalização por parte dos principais responsáveis dos bancos centrais mundiais, o que poderá aumentar a volatilidade numa semana que já conta, por si só, com uma agenda económica particularmente importante.

Na Zona Euro serão conhecidos os dados da inflação referentes ao mês de Junho. Depois das subidas dos últimos meses, o mercado espera agora alguma estabilização, com a inflação homóloga a recuar de 3,2% para 3,1%, enquanto a inflação subjacente deverá manter-se nos 2,6%.

Nos Estados Unidos, todas as atenções estarão concentradas no mercado de trabalho. Depois da surpresa positiva do mês passado, com a criação de 172 mil novos postos de trabalho, o consenso aponta agora para cerca de 110 mil. Um número que poderá voltar a mostrar a resiliência da economia norte-americana e continuar a sustentar as expectativas de manutenção de uma política monetária mais restritiva.

Na minha opinião, o mercado poderá ainda encontrar argumentos para prolongar por mais alguns dias a correcção iniciada na semana passada. No entanto, continuo a acreditar que a tendência principal permanece intacta. Enquanto as expectativas relativamente à Fed e ao BCE continuarem a evoluir neste sentido, o dólar deverá continuar a ser a moeda preferida dos investidores e o EUR/USD dificilmente conseguirá inverter a tendência descendente. Talvez esta semana não traga novos mínimos do ano, mas não me surpreenderia se esses níveis voltassem a ser testados num futuro muito próximo.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD, pela primeira vez em mais de um ano, terminou a semana a negociar abaixo de 1,1400, registou um novo mínimo deste ano a 1,1324, e ameaça romper a área de consolidação alargada onde tem negociado.

A linha de MACD segue abaixo da linha neutra e da linha de sinal, com o “momentum” negativo do par a acelerar, onde o RSI a 39, continua bem longe de uma situação de sobre-venda.

O mínimo de Agosto 2025 a 1,1390 está a ser fortemente testado. Os próximos suportes encontram-se nas referências dadas pelo máximo de 2023 a 1,1275, seguido do máximo de 2024 a 1,1214. O suporte mais forte, antes do psicológico 1,1000, está a 1,1065 (mínimo de Maio de 2025), enquanto o objectivo do break da área de consolidação poderá estar em torno de 1,0900.

O ultrapassar do nível psicológico 1,1500, poderá mostrar uma inversão de tendência no mais curto prazo, com o par a voltar para a área de consolidação, entre os 1,1500 e 1,1800.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.

O EUR/USD na semana passada, após ter registado um novo mínimo do ano a 1,1324, inverteu a tendência de muito curto prazo, e iniciou uma correcção, terminando a semana a 1,1386.

O MACD continua bem abaixo da linha neutra e da linha de Sinal. O RSI está fora de terreno de sobre venda, mantendo a possibilidade de mais perdas para o par.

O EUR/USD terminou a semana a recuperar do mínimo da semana (e do ano), testando a área (agora) de resistência 1,1390/1,1410, simultâneamente nos 23,6% Fibonacci retracement do movimento máximo das últimas duas semanas/mínimo desta semana. O ultrapassar desta resistência poderá colocar o objectivo desta correcção nos 38,2% Fib do mesmo movimento a 1,1435. O quebrar deste nível poderá apontar para uma correcção mais ampla, onde o objectivo poderá estar nos 61,8% Fib a 1,1508.

Uma inversão da tendência dos últimos dois dias, que leve o par a quebrar o recente mínimo do ano a 1,1324, poderá colocar o par a caminho de um primeiro objectivo a 1,1250, dado pelos 61,8% da projecção Fibonacci do movimento 1,1622/1,1324/1,1434. O ultrapassar dos 1,1250, com a área de suporte 1,1214/1,1275 a ser quebrada poderá colocar vivo o objectivo a 1,1135, dado pelos 100% da projecção Fibonacci mencionada acima.


Resistências - Suportes

1,1434 - 1,1324

1,1500 - 1,1275

1,1580 - 1,1214


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