Café da Manhã
Em modo de espera

Café da Manhã Em modo de espera

Os mercados financeiros estão a começar o mês de Julho de forma cautelosa, enquanto aguardam hoje pelos dados da inflação na Zona Euro e pelos do mercado de trabalho nos Estados Unidos de amanhã

As bolsas norte-americanas encerraram a sessão de ontem em alta, concluindo igualmente o segundo trimestre com a melhor performance desde 2020. Apesar de um período marcado por tensões geopolíticas no Médio Oriente e por alguma volatilidade ao longo dos últimos meses, os investidores mantiveram o optimismo, sustentados pela resiliência da economia norte-americana e pela expectativa de um crescimento sólido dos resultados empresariais.
O sentimento dos investidores continuou a beneficiar da percepção de que existem progressos nos esforços diplomáticos para consolidar um cessar-fogo duradouro no Médio Oriente. Ainda que a situação permaneça frágil e as declarações de responsáveis norte-americanos apontem para a manutenção de uma postura militar firme caso seja considerada necessária, os mercados parecem acreditar que o risco de uma escalada significativa diminuiu nas últimas semanas.
No plano económico, a sessão ficou marcada pela divulgação de vários indicadores relevantes. Os investidores analisaram os dados relativos às ofertas de emprego, à confiança dos consumidores e ainda à evolução dos preços da habitação, medidos pelo índice S&P CoreLogic Case-Shiller. De um modo geral, os indicadores continuaram a retratar uma economia que mantém um ritmo de crescimento suficientemente robusto para sustentar os lucros das empresas, sem alimentar receios imediatos de um abrandamento acentuado.
No fecho da sessão, o Dow Jones avançou 0,26%, renovando máximos históricos de fecho pelo segundo dia consecutivo. O S&P 500 valorizou 0,79%, enquanto o Nasdaq liderou os ganhos, com uma subida de 1,52%. Em termos trimestrais, o S&P 500 e o Nasdaq registaram a melhor evolução desde 2020, enquanto o Dow Jones alcançou o seu melhor trimestre desde 2022.

Nos mercados accionistas asiáticos, a sessão que marcou o arranque do mês de Julho decorreu sem uma tendência comum, com os investidores a reagirem a indicadores económicos positivos no Japão e na China. O optimismo entre as grandes empresas industriais japonesas atingiu o nível mais elevado desde 2018, enquanto a actividade transformadora na China surpreendeu pela positiva, ao revelar um desempenho superior ao esperado pelos analistas.
No Japão, o índice Nikkei encerrou a sessão com uma valorização de 0,60%, enquanto o Topix ganhou 0,42%. Em sentido contrário, o ASX 200, da Austrália, recuou 0,64%, ao passo que o Kospi, da Coreia do Sul, registou a maior queda da região, ao perder 2,04%.
Na China, o comportamento dos principais índices foi misto. O CSI 300 recuou 0,41%, enquanto o Shanghai Composite avançou 0,44%. O mercado de Hong Kong permaneceu encerrado, sem negociação no índice Hang Seng. Na Índia, os principais índices, Nifty 50 e Sensex, negociam em alta, com ganhos próximos de 0,70%.

Na Europa, os principais mercados accionistas transaccionam igualmente sem uma tendência definida, numa sessão marcada pela expectativa em torno da divulgação dos dados preliminares da inflação da Zona Euro.
O Euro Stoxx 600 recua, nesta altura, 0,16%, enquanto o Euro Stoxx 50 perde 0,25%. Entre os principais mercados nacionais, o DAX, da Alemanha, avança 0,25%, e o FTSE 100, do Reino Unido, soma 0,07%. Em sentido contrário, o CAC 40, de França, recua 0,45%.

No mercado cambial, o dólar terminou o mês, o trimestre e o semestre como a moeda de melhor desempenho entre as principais divisas, beneficiando da procura por activos denominados em dólares e da resiliência da economia norte-americana. O índice do dólar (DXY) valorizou cerca de 2,3% durante o mês de Junho, encerrando em torno dos 101 pontos, depois de ter iniciado o período próximo dos 99 pontos.
O euro perdeu terreno face à moeda norte-americana, com o EUR/USD a recuar de níveis próximos de 1,1700 para negociar muito perto de 1,1300 no final do mês. A libra esterlina também desvalorizou face ao dólar, com o GBP/USD (cable) a cair de 1,3500 para a zona de 1,3150. Ainda assim, a moeda britânica evidenciou maior robustez perante o euro, levando o EUR/GBP a recuar dos máximos do mês, próximos de 0,8700, para terminar em torno de 0,8615.
O iene japonês voltou a destacar-se pela negativa, prolongando a tendência de depreciação observada nos últimos meses. Face ao dólar, a divisa nipónica encerrou Junho em mínimos de cerca de 40 anos, com o USD/JPY a atingir os 162,60. Perante o euro, terminou igualmente muito próximo dos mínimos históricos, com o EUR/JPY a encerrar em torno dos 185,75.
Também o franco suíço registou perdas ao longo do mês, penalizado pela subida generalizada das yields das obrigações soberanas. O USD/CHF recuperou de mínimos próximos de 0,7800 para terminar muito perto de 0,8100, enquanto o EUR/CHF subiu de níveis em torno de 0,9100 para encerrar acima de 0,9200.

Os preços do petróleo terminaram o mês nos níveis mais baixos desde o início do conflito no Médio Oriente, no final de Fevereiro. O crescente optimismo em torno da possibilidade de um acordo de paz duradouro reforçou as expectativas de uma normalização da navegação no Estreito de Ormuz. Em simultâneo, as perspectivas de aumento da produção por parte dos principais produtores e de um eventual regresso do petróleo iraniano aos mercados internacionais continuaram a exercer pressão descendente sobre os preços da energia. O Brent, que iniciou o mês nos 92,60 dólares por barril e chegou mesmo a negociar próximo dos 99 dólares, terminou Junho em torno dos 73,40 dólares. O WTI seguiu uma trajectória semelhante, recuando de máximos próximos dos 97 dólares para encerrar junto dos 70 dólares por barril. O mês de Julho está a começar com os preços a estabilizarem nos actuais níveis, com o Brent a negociar de momento a 73 dólares e o WTI a 69,50.


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