Café da Manhã
Petróleo em queda
O segundo semestre do ano está a começar com os preços do petróleo a voltarem para níveis que não se registavam desde o início do conflito no Médio Oriente e as acções seguem pressionadas pelo sector tecnológico
Os mercados petrolíferos encerraram ontem em forte baixa, com os preços do crude a atingirem os níveis mais baixos dos últimos quatro meses, numa altura em que diminuem os receios em torno da oferta mundial.
O principal factor por detrás desta queda foi o aumento do optimismo em relação às negociações entre os Estados Unidos e o Irão, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que as conversações realizadas no Qatar decorreram de forma positiva. A perspectiva de um eventual entendimento entre as duas partes veio aliviar os receios de eventuais constrangimentos na oferta de petróleo, pressionando assim as cotações.
Os preços continuam hoje em perdas, com o Brent a negociar de momento a 70,65 dólares por barril e o WTI a 67,70 dólares, em níveis anteriores ao início do conflito no Médio Oriente.
As bolsas norte-americanas encerraram a sessão de quarta-feira em ligeira baixa, num início de mês e de trimestre marcado pela prudência dos investidores, com o sector tecnológico a liderar as perdas e a interromper parte do forte impulso registado nas últimas semanas.
O principal foco de pressão esteve nos fabricantes de semicondutores, depois de um índice que acompanha o sector ter recuado mais de 6%, reflectindo alguma realização de mais-valias e renovadas preocupações em torno das avaliações elevadas das empresas tecnológicas e do ritmo crescente de investimento em inteligência artificial.
Os mercados encontraram algum suporte nas declarações do presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, que afirmou que os riscos inflacionistas têm vindo a diminuir nos últimos meses, reforçando a expectativa de que o banco central poderá dispor de maior margem para flexibilizar a política monetária, caso a evolução da economia o justifique.
Do lado macroeconómico, os investidores analisaram ainda o índice ISM da indústria transformadora, que mostrou uma desaceleração da actividade em Junho. Apesar disso, os dados continuam a apontar para um sector industrial resiliente, afastando, para já, receios de uma deterioração mais acentuada da economia norte-americana.
No fecho da sessão, o Dow Jones recuou 0,02%, o S&P 500 perdeu 0,21% e o Nasdaq terminou com uma desvalorização de 0,66%.
Esta noite, na Ásia, os mercados accionistas encerraram maioritariamente em baixa, numa sessão novamente marcada pela pressão exercida pelo sector tecnológico.
No Japão, o índice Nikkei recuou 2,33%, penalizado pelas perdas nas empresas ligadas à tecnologia, enquanto o Topix conseguiu manter-se praticamente inalterado, encerrando com um ganho de 0,09%.
Na Coreia do Sul, o Kospi destacou-se pelas maiores perdas da região, ao afundar 7,89%, ao passo que, na Austrália, o ASX 200 terminou praticamente inalterado, com uma ligeira valorização de 0,02%.
Na China, o sentimento permaneceu negativo, com o CSI300 a recuar 2,96% e o Shanghai Composite a perder 2,03%. Em contraciclo, o Hang Seng, de Hong Kong, regressou do feriado da véspera para encerrar com um ganho de 0,42%.
Na Índia, os principais índices, Nifty 50 e Sensex, seguem de momento a negociar em alta, ambos com ganhos próximos dos 0,50%.
Os mercados accionistas europeus iniciaram a sessão desta manhã em ligeira alta, embora os ganhos permaneçam limitados, numa demonstração da prudência dos investidores após a pressão registada ontem no sector tecnológico a nível global.
O índice Euro Stoxx 600 avança, nesta altura, 0,15%, enquanto o Euro Stoxx 50 segue praticamente inalterado, com uma valorização de apenas 0,02%, reflectindo a ausência de uma tendência definida no arranque da sessão.
Entre os principais mercados europeus, o alemão DAX soma 0,06%, o francês CAC 40 ganha 0,40% e o britânico FTSE 100 valoriza 0,18%, num contexto em que os investidores aguardam novos catalisadores macroeconómicos antes de assumirem posições de maior convicção.
No mercado cambial, as declarações proferidas ontem por Kevin Warsh, durante o Fórum do BCE em Sintra, tiveram um impacto limitado no dólar norte-americano. A divisa mantém-se a negociar em torno dos 101 pontos no índice dólar, enquanto o EUR/USD continua abaixo da barreira dos 1,1400.
A libra esterlina destaca-se pela positiva, beneficiando de um discurso mais hawkish por parte do governador do Banco de Inglaterra, que, em Sintra, deixou claro que uma redução das taxas de juro não está, para já, em cima da mesa. O GBP/USD transaciona acima dos 1,3300 (1,3330), enquanto o EUR/GBP negoceia confortavelmente abaixo dos 0,8600 (0,8555), em mínimos de mais de um ano.
Já o iene japonês continua a negociar próximo dos níveis mais baixos das últimas quatro décadas face ao dólar, numa altura em que os investidores permanecem atentos à possibilidade de uma nova intervenção das autoridades cambiais japonesas. O USD/JPY está a começar o dia em volatilidade adicional, caindo de um máximo nos 162,85 para cotar de momento a 161,55, enquanto o EUR/JPY cai para os 184,00.
Por sua vez, o franco suíço mantém-se relativamente estável, com o USD/CHF a negociar em torno dos 0,8100 e o EUR/CHF nos 0,9210.