Café da Manhã
Em alta

Café da Manhã Em alta

Os mercados accionistas encaminham-se para o final da semana com o sentimento dos investidores a melhorar, sustentados pelo aliviar das expectativas de novas subidas das taxas de juro por parte dos principais bancos centrais.

Christine Lagarde afirmou esta semana que o Banco Central Europeu não tem pressa em voltar a aumentar as taxas de juro, numa altura em que a descida dos preços da energia continua a aliviar as pressões inflacionistas. Já ontem, nos Estados Unidos, o relatório do emprego veio reforçar a ideia de que a Reserva Federal poderá também dispor de menor urgência para avançar com novas subidas das taxas de juro.

As bolsas norte-americanas encerraram a sessão de ontem com desempenhos divergentes, numa sessão marcada pela divulgação do relatório do emprego nos Estados Unidos referente ao mês de Junho. Enquanto o Dow Jones voltou a renovar máximos históricos, beneficiando da descida das taxas de juro e do alívio das expectativas de um novo aumento das taxas por parte da Reserva Federal, o Nasdaq terminou em queda, pressionado por uma nova vaga de vendas no sector tecnológico e, em particular, nas empresas ligadas aos semicondutores. Já o S&P 500 encerrou praticamente inalterado.
O relatório do mercado de trabalho revelou a criação de apenas 57 mil postos de trabalho em Junho, um valor significativamente abaixo dos cerca de 110 mil esperados pelo mercado. Além disso, os dados dos dois meses anteriores foram revistos em baixa, reforçando a ideia de que o mercado laboral norte-americano está finalmente a perder algum dinamismo. 
Estes dados foram bem recebidos pelos investidores, uma vez que reduz a probabilidade de a Reserva Federal voltar a endurecer a política monetária nos próximos meses. As yields das obrigações do Tesouro a dois anos recuaram, o dólar perdeu terreno face às principais divisas e os mercados passaram igualmente a incorporar um menor risco de novas subidas das taxas de juro.
Em termos sectoriais, o destaque voltou a ser negativo para a tecnologia, com o sector dos semicondutores a prolongar a correcção iniciada no início da semana.
No fecho, o Dow Jones valorizou 1,14%, estabelecendo um novo máximo histórico de encerramento, enquanto o S&P 500 cedeu 0,01% e o Nasdaq recuou 0,80%.

Em termos semanais, e apesar da volatilidade registada nas últimas sessões, os principais índices norte-americanos terminaram a semana mais curta em alta. O Dow Jones avançou cerca de 2,0%, registando a quarta semana consecutiva de ganhos, o S&P 500 somou 1,8% e o Nasdaq valorizou 2,1%. Hoje, as bolsas norte-americanas permanecerão encerradas devido às celebrações do Dia da Independência dos Estados Unidos.

Os mercados accionistas asiáticos encerraram a última sessão da semana em alta, recuperando das perdas registadas nas duas sessões anteriores, à medida que os investidores regressaram ao sector tecnológico. O sentimento foi igualmente favorecido pela divulgação de um relatório do emprego nos Estados Unidos mais fraco do que o esperado, que reduziu as expectativas de novas subidas das taxas de juro por parte da Reserva Federal.
Na Coreia do Sul, o Kospi destacou-se pela positiva, ao disparar 5,76%, recuperando de forma expressiva depois de, na véspera, ter chegado a negociar próximo de território de mercado bear. Também no Japão a sessão foi claramente positiva, com o Nikkei a avançar 1,53% e o Topix 1,24%. Na Austrália, o ASX 200 valorizou 1,37%.
Na China, os ganhos foram mais moderados, numa sessão em que os investidores continuaram a acompanhar os indicadores económicos do país. A actividade do sector dos serviços voltou a expandir-se em Junho, embora a um ritmo ligeiramente inferior ao registado no mês anterior, sugerindo que a recuperação da segunda maior economia mundial continua, mas permanece desigual. O CSI 300 encerrou com uma valorização de 0,62%, o Shanghai Composite subiu 0,37% e o Hang Seng, em Hong Kong, avançou 1,18%.
Na Índia, o sentimento positivo também prevaleceu, com os principais índices, Nifty 50 e Sensex, a negociarem em alta de cerca de 0,40%, acompanhando o movimento de recuperação observado nas restantes praças asiáticas.

Na Europa, a última sessão da semana está igualmente a decorrer em terreno maioritariamente positivo, com os investidores a prolongarem o sentimento favorável observado durante a madrugada nos mercados asiáticos, beneficiando do alívio das expectativas de novas subidas das taxas de juro nos Estados Unidos.
O Euro Stoxx 600 avança, nesta altura, 0,16%, enquanto o Euro Stoxx 50 valoriza 0,31%.
Entre as principais praças europeias, o destaque vai para a Alemanha, onde o DAX ganha 0,58%. Em contrapartida, França e Reino Unido registam ligeiras correcções, com o CAC 40 e o FTSE 100 a recuarem cerca de 0,10%, num movimento que não altera o tom globalmente positivo da sessão.

No mercado cambial, o dólar recuou ontem, na sequência da divulgação do relatório do emprego nos Estados Unidos. O índice DXY caiu dos máximos da sessão, em torno dos 101,20 pontos, até um mínimo de 100,30, continuando esta manhã a negociar em perdas transaccionando a 100,50. Em sentido inverso, o EUR/USD disparou até um máximo de 1,1472, seguindo de momento a negociar a 1,1450.
A libra esterlina mantém igualmente a tendência de valorização que tem vindo a evidenciar nas últimas semanas. O GBP/USD segue a negociar em torno dos 1,3360, enquanto o EUR/GBP transacciona próximo dos 0,8570. 
Depois de ter atingido esta semana um novo máximo dos últimos quarenta anos, o USD/JPY encontra-se hoje em correcção, negociando em torno dos 161,00. Já o EUR/JPY segue nos 184,30, numa sessão em que os investidores continuam atentos à possibilidade de uma intervenção das autoridades cambiais japonesas. O feriado nos Estados Unidos deverá traduzir-se numa liquidez significativamente mais reduzida, circunstância que poderá amplificar os movimentos no mercado cambial. 
Também o franco suíço continua a evidenciar força relativa. O USD/CHF negoceia de momento nos 0,8020, enquanto o EUR/CHF voltou a cair abaixo da barreira dos 0,9200.

Os preços do petróleo preparam-se para encerrar mais uma semana de perdas expressivas. O aliviar das tensões no Médio Oriente, em particular entre os Estados Unidos e o Irão, bem como a expectativa de uma normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, continuam a exercer pressão sobre as cotações do crude. 
O Brent segue a negociar em torno dos 71,50 dólares por barril, enquanto o WTI transacciona próximo dos 68,50 dólares.

Bom fim de semana!


O que pensa sobre este tema?