A semana que começa
Uma semana mais tranquila

A semana que começa Uma semana mais tranquila

Uma semana bem mais ligeira de dados económicos, onde os mercados irão continuar a estar atentos à evolução das conversações entre os Estados Unidos e o Irão e ainda à divulgação das minutas da Fed e do BCE



Antes de mais dados da inflação nos EUA e das reuniões de política monetária deste mês, os investidores esta semana vão centrar a atenção nas minutas das últimas reuniões do Banco Central Europeu e da Reserva Federal, numa altura em que as expectativas para a política monetária sofreram um ajustamento significativo.

Na semana passada, a inflação na Zona Euro desacelerou de 3,2% para 2,8%, enquanto, nos Estados Unidos, o relatório do mercado de trabalho revelou uma criação de emprego abaixo do esperado. Em conjunto, estes indicadores aliviaram a pressão sobre os principais bancos centrais e levaram os mercados a reduzir as expectativas de novas subidas das taxas de juro no curto prazo.

As minutas do BCE e da Fed serão agora determinantes para perceber se os responsáveis de política monetária partilham esta visão mais moderada. Um tom mais cauteloso poderá reforçar a convicção de que o ciclo de aperto monetário está a perder intensidade. Pelo contrário, se os documentos revelarem uma preocupação persistente com a inflação, os investidores poderão voltar a antecipar uma trajectória mais agressiva para as taxas de juro nos próximos meses.





As conversações em Doha entre os Estados Unidos e o Irão continuarão a estar no centro das atenções dos mercados, principalmente nos preços do petróleo que terminaram a semana passada em níveis que não se verificavam desde antes do início do conflito no Médio Oriente.

As conversações indiretas entre os Estados Unidos e o Irão terminaram sem avanços significativos, mantendo o foco na implementação do acordo provisório alcançado há duas semanas, que permitiu reduzir as tensões no Médio Oriente.

As negociações decorreram em Doha e centraram-se sobretudo na reabertura da navegação no Estreito de Ormuz e no desbloqueio de fundos iranianos. A questão do programa nuclear ficou fora desta ronda, embora Washington tenha indicado que será um dos próximos temas em discussão.

Apesar de persistirem divergências, o Presidente norte-americano, Donald Trump, mostrou-se optimista quanto ao progresso das negociações, contribuindo para uma queda dos preços do petróleo, que atingiram mínimos de quatro meses. Ainda assim, a situação no Estreito de Ormuz continua frágil, com a circulação marítima a recuperar apenas de forma gradual e rodeada de incerteza.

As duas partes deverão voltar à mesa das negociações após as cerimónias fúnebres do líder supremo iraniano, mantendo viva a expectativa de um entendimento que permita consolidar a estabilidade na região e reduzir os riscos para os mercados energéticos.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
Iremos ter um semana bastante mais tranquila relativamente a dados económicos. Começamos com o indicador que mais atenção irá ter esta semana por parte do mercado, o índice PMI de serviços do ISM. As estimativas apontam para um ligeiro recuo de 54,5 para 54,2, com o sub índice do emprego a subir de 47,9 para 48,6 e o dos preços a cair de 71,3 para 69.
Na terça-feira iremos ter os números semanais do emprego da ADP e ainda os da balança comercial de Maio que deverão apresentar um défice de 79 mil milhões de dólares, após o de 55,9 mil milhões no mês anterior, e o índice de optimismo económico RCM/TIPP que deverá subir de 42,5 para 45.
Na quarta-feira teremos os números do crédito ao consumo de Maio, com as previsões a apontarem para 17,6 mil milhões de dólares, após 20,7 mil milhões em Abril.
Finalmente, na quinta-feira, teremos os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, com as estimativas a apontarem para uma ligeira subida de 215 mil para 219 mil, e ainda os números das vendas de imóveis existentes, que deverão mostrar uma redução de 2,5%.

Zona Euro
Por aqui teremos também uma semana bastante ligeira de indicadores económicos, que serão divulgados na sua maioria logo no primeiro dia.
Iremos ter o índice de confiança do investidor Sentix, onde o consenso aponta para uma ligeira recuperação de -13,4 para -8,9. O índice de preços no produtor do mês de Maio deverá mostrar uma subida mensal nos preços de 0,2%, desacelerando dos 0,6% do mês anterior. Finalmente, os números mensais das vendas a retalho deverão, segundo as previsões, mostrar um aumento de 0,2%, após a queda de 0,4% em Abril. Teremos ainda os números das encomendas às fábricas na Alemanha, onde as estimativas apontam para um aumento de 1,1%, após a redução de 3,8% no mês anterior.
Na terça-feira, na Alemanha teremos os dados da produção industrial de Maio que deverão manter o ritmo de crescimento de 0,4%, e em França os números da balança comercial deverão apresentar um défice de 5,2 mil milhões de euros, recuando dos 5,6 mil milhões do mês anterior.
Na quinta-feira é a vez da Alemanha apresentar os números da balança comercial que deverão mostrar um excedente de 14,2 mil milhões de euros, ligeiramente abaixo dos 14,5 mil milhões do mês anterior.
Finalmente, na sexta-feira, iremos ter os números da produção industrial em Itália, com as estimativas a apontarem para uma queda de 0,2%, após um crescimento anterior de 0,5%. Teremos ainda os dados finais da inflação na Alemanha e em França, onde não se esperam alterações dos números preliminares.

Reino Unido
Uma semana quase vazia de indicadores económicos que começa com os dados da actividade de construção, onde o PMI deverá mostrar uma recuperação dos 38,2 para 40,1.
Teremos ainda o índice de preço de imóveis do Halifax, com as previsões a apontarem para um aumento de 0,2%, após a queda de 0,1% no mês anterior.

Canadá
Por aqui é semana de dados do emprego, que serão divulgados no último dia. A taxa de desemprego deverá manter-se nos 6,6%, com a taxa de participação a subir de 65% para 65,2%. O número de empregos deverá mostrar um crescimento de 10 mil em Junho, recuando dos 88 mil de Maio, com um crescimento de 25 mil empregos a tempo parcial, mas com uma queda de 15 mil a tempo inteiro.
Ainda na sexta-feira iremos ter os números das licenças de construção que deverão mostrar um aumento de 0,5%, após a redução de 7,6% no mês anterior.
Antes, na terça-feira, iremos ter os números da balança comercial que deverão mostrar um excedente de 2,4 mil milhões de dólares canadianos, ficando ligeiramente abaixo dos 2,7 mil milhões do mês anterior. Teremos ainda o índice Ivey PMI, onde o consenso aponta para uma subida de 58,2 para 59,1.

Suíça
Por aqui a taxa de desemprego deverá manter-se nos 3,1% e o índice de confiança do consumidor SECO deverá mostrar uma pequena subida de -38 para -35.

China
Semana de dados da inflação, onde as previsões apontam para que os preços em Junho se tenham mantido estáveis, com a inflação homóloga a manter-se nos 1,2%. A inflação à porta das fábricas deverá mostrar um subida de 3,9% para 4,1%.

Japão
Mais uma semana com um conjunto interessante de dados económicos.
Na terça-feira iremos ter os números do crescimento médio salarial do mês de Maio, que em termos homólogos segundo as estimativas deverá mostrar uma subida de 3,4%, desacelerando dos 3,6% do mês anterior. Teremos ainda os números da despesa das famílias que deverão mostrar uma redução de 2,2%.
Na quarta-feira iremos ter os números da conta-corrente, onde as previsões apontam para um excedente de 3,2 triliões de ienes, reduzindo dos 4,21 triliões do mês anterior, e ainda o índice dos observadores económicos que deverá mostrar uma subida de 43,6 para 44,6.
Na quinta-feira teremos os números preliminares das encomendas de maquinaria que deverão mostrar um aumento de 37,5% em termos homólogos.
A semana termina com a divulgação do índice de preços no produtor de Junho, com os preços em termos mensais, segundo as estimativas, a mostrar uma subida de 0,3%, desacelerando dos 0,9% do mês anterior, onde em termos homólogos deverão subir de 6,3% do mês anterior, para 6,8%.

Nova Zelândia
O índice manufactureiro BusinessNZ deverá mostrar um recuo dos 49,9 para 49, ficando ainda mais em território de contracção.

Austrália
Também uma semana muito ligeira de indicadores económicos, onde se destaca o índice de anúncio de empregos do ANZ do mês de Junho que, segundo as estimativas, deverá cair 0,6%, após a subida de 1,8% em Maio.



Bancos Centrais



O Reserve Bank of New Zealand

Antes da reunião do Banco Central da Nova Zelândia, os mercados antecipam uma decisão sem surpresas: a manutenção da taxa directora nos 2,25%. A descida recente dos preços do petróleo reduziu a pressão sobre a inflação, retirando força aos argumentos que, na reunião anterior, levaram parte do comité a defender uma subida das taxas.
Apesar disso, a atenção dos investidores estará centrada no comunicado. Embora o consenso aponte para juros inalterados esta semana, o mercado continua a acreditar que o próximo movimento será uma subida, possivelmente já em Setembro, à medida que o ciclo de cortes iniciado em 2024 é dado como concluído.
Para o dólar neozelandês, mais importante do que a decisão será o tom adoptado pelo RBNZ. Um discurso mais firme sobre a inflação poderá reforçar as expectativas de subida das taxas e apoiar a moeda, enquanto uma mensagem mais prudente, focada nos riscos para o crescimento económico, poderá limitar a sua valorização no curto prazo.


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