Café da Manhã
Ormuz e tecnologia

Café da Manhã Ormuz e tecnologia

Numa semana ligeira de dados económicos, os mercados continuam a oscilar entre ganhos e perdas, acompanhando a evolução da situação no Estreito de Ormuz e o crescente debate em torno das elevadas avaliações do sector tecnológico.

Ontem, as bolsas norte-americanas iniciaram a semana em terreno positivo, com o sector tecnológico a recuperar das perdas registadas na semana anterior e a devolver algum optimismo aos investidores.
O principal destaque voltou a centrar-se nas empresas ligadas aos semicondutores e à inteligência artificial. Depois da recente correcção, os investidores aproveitaram os níveis mais baixos para reforçar posições, sustentando a expectativa de que estas empresas venham a apresentar resultados sólidos na época de divulgação de contas do segundo trimestre.
Em termos macroeconómicos, os indicadores da actividade empresarial transmitiram uma mensagem mista, mas sem alterar significativamente o sentimento dos mercados. O índice ISM dos serviços recuou ligeiramente de 54,5 para 54,0 pontos, sinalizando uma moderação da actividade no maior sector da economia norte-americana. Em contrapartida, o índice composto da S&P Global subiu de 51,5 para 51,9 pontos, sugerindo que a economia continua a expandir-se, ainda que a um ritmo moderado.
Os principais índices de Wall Street encerraram a sessão em alta. O Dow Jones valorizou 0,30%, o S&P 500 ganhou 0,72% e o Nasdaq 100 destacou-se com uma subida de 1,12%, impulsionado sobretudo pelo forte desempenho das empresas tecnológicas.

Durante a noite, as notícias de novos ataques iranianos a navios no Estreito de Ormuz, a par do aumento das preocupações quanto a uma eventual sobre avaliação dos investimentos ligados à inteligência artificial, voltaram a pressionar o sentimento dos investidores, levando a uma sessão de fortes perdas nos mercados asiáticos.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi, fortemente exposto ao sector dos semicondutores, chegou a cair mais de 8% durante a sessão, antes de encerrar com uma desvalorização de 4,91%, penalizado pelas acentuadas quedas das acções da Samsung e da SK Hynix.
No Japão, o Nikkei terminou a sessão a recuar 2,04%, enquanto o Topix perdeu 0,97%. Na Austrália, o ASX 200 encerrou com uma queda de 0,31%.
Na China, o CSI 300 recuou 1,03%, o Shanghai Composite perdeu 1,26% e o Hang Seng desvalorizou 1,09%.
Em sentido inverso, os principais índices indianos mantiveram um desempenho positivo, com o Sensex a subir 0,34% e o Nifty 50 a avançar 0,13%.

Na Europa, os mercados accionistas iniciaram a sessão sem uma tendência definida, acompanhando atentamente os desenvolvimentos no Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, a produção industrial alemã surpreendeu positivamente, superando as expectativas dos analistas, enquanto a balança comercial francesa apresentou um desempenho inferior ao esperado.
O Euro Stoxx 600 segue, de momento, a valorizar 0,07%, enquanto o Euro Stoxx 50 recua 0,15%. Entre os principais mercados europeus, o DAX, da Alemanha, perde 0,26%, ao passo que o CAC 40, de França, avança 0,65% e o FTSE 100, do Reino Unido, sobe 0,31%.

No mercado cambial, o dólar continua a estabilizar em torno dos recentes níveis. O índice DXY transacciona actualmente em torno dos 100,70 pontos, enquanto o EUR/USD negoceia na região dos 1,1425.
A libra esterlina mantém a tendência de valorização, com o GBP/USD perto dos 1,3400 (1,3380), ao passo que o EUR/GBP continua a renovar mínimos de mais de um ano, ao negociar em torno dos 0,8540.
Já o iene permanece sob pressão, mas começa o dia a recuperar algum terreno, com o USD/JPY a negociar abaixo dos 162,00 (161,90) e o EUR/JPY em torno dos 185,00. O franco suíço segue a registar perdas ligeiras, com o USD/CHF a transacionar junto dos 0,8065 e o EUR/CHF nos 0,9215.

Os preços do petróleo regressaram aos ganhos, depois de novos incidentes no Estreito de Ormuz terem reacendido as preocupações dos investidores quanto à segurança da principal rota mundial de transporte de petróleo e gás natural liquefeito. O Brent segue de momento a negociar em torno dos 73 dólares por barril e o WTI a 69,50, depois de um navio de transporte de gás natural liquefeito ter sido atingido por um projéctil ao largo da costa de Omã, quando saía do Estreito de Ormuz. O incidente surge apenas algumas semanas após o acordo de paz alcançado no final de Junho entre os Estados Unidos e o Irão, colocando novamente em causa a estabilidade da região.


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