Café da Manhã
Escalada no Médio Oriente
Os mercados voltam a negociar sob pressão após a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão. Wall Street caiu, a Ásia seguiu o mesmo caminho, a Europa abriu em baixa e o petróleo disparou com os receios sobre Ormuz.
Os mercados financeiros iniciam esta quarta-feira num ambiente claramente mais defensivo, com a escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irão a voltar a dominar o sentimento dos investidores. Depois dos ataques iranianos a três embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, Washington respondeu durante a noite com uma nova vaga de ataques contra mais de 80 alvos em território iraniano, revogando igualmente a licença temporária que permitia a venda de petróleo iraniano. Teerão retaliou poucas horas depois com ataques a bases militares norte-americanas no Kuwait e no Bahrein, reacendendo os receios de uma nova deterioração da segurança numa das mais importantes rotas energéticas do mundo.
Ontem, em Wall Street, as bolsas norte-americanas encerraram em queda, numa sessão marcada pelo regresso da aversão ao risco. A renovação das tensões geopolíticas foi acompanhada por uma forte correcção no sector tecnológico, particularmente entre os fabricantes de semicondutores, onde continuam a crescer as dúvidas sobre a sustentabilidade das avaliações extremamente elevadas impulsionadas pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial.
O Nasdaq foi o índice mais penalizado, recuando 1,16%, enquanto o S&P 500 perdeu 0,45% e o Dow Jones terminou com uma desvalorização de 0,25%, depois de ter chegado a negociar em máximos históricos durante a sessão. A pressão sobre as tecnológicas intensificou-se após notícias de que a empresa chinesa DeepSeek estará a desenvolver o seu próprio processador para inteligência artificial, aumentando as preocupações em torno da crescente concorrência num sector que tem liderado os ganhos em Wall Street ao longo deste ano.
Apesar da forte queda das empresas ligadas aos semicondutores, a maioria das restantes empresas do S&P 500 terminou a sessão em terreno positivo, sugerindo que os investidores continuam a efectuar uma rotação para sectores considerados mais defensivos. Ainda assim, a subida dos preços do petróleo fez regressar os receios de novas pressões inflacionistas, contribuindo para uma subida das yields das obrigações norte-americanas.
Durante a noite, na Ásia, os principais mercados accionistas acompanharam o sentimento negativo vindo de Wall Street e encerraram maioritariamente em baixa, depois da confirmação dos ataques norte-americanos contra o Irão e da rápida resposta militar de Teerão. O aumento da incerteza geopolítica voltou a penalizar os activos de maior risco, numa sessão em que os investidores procuraram reduzir a exposição aos mercados accionistas. O índice Kospi, da Coreia do Sul, foi o mais penalizado ao cair 5,35%. No Japão, o índice Nikkei seguiu-se ao perder 1,85%. Já o índice Hang Seng, em Hong Kong, negociou em contraciclo avançando 2,98%.
No plano económico, o destaque foi para o Reserve Bank of New Zealand, que aumentou a sua taxa directora em 25 pontos base, para 2,50%, naquela que foi a primeira subida de juros em cerca de três anos. A autoridade monetária justificou a decisão com a necessidade de reduzir o grau de estímulo monetário perante as persistentes pressões inflacionistas.
Na Europa, as principais bolsas iniciaram a sessão desta quarta-feira em queda, acompanhando o aumento da aversão ao risco observado nas restantes regiões. Os investidores continuam a acompanhar atentamente a evolução do conflito no Médio Oriente, enquanto aguardam também os desenvolvimentos do último dia da cimeira da NATO, que decorre em Ancara e onde os líderes mundiais deverão discutir, entre outros temas, a evolução da situação geopolítica. Os índices Euro Stoxx 600 e Euro Stoxx 50 recuam cerca de 0,70%, o DAX na Alemanha perde 1,16%, o CAC 40 em França 0,85% e o FTSE 100, no Reino Unido, 0,70%.
No mercado petrolífero, os preços continuam a registar uma forte valorização, prolongando os ganhos da sessão anterior. O petróleo beneficia da crescente preocupação em torno de possíveis perturbações no abastecimento mundial, numa altura em que o Estreito de Ormuz volta a estar no centro das tensões militares.
A decisão dos Estados Unidos de revogar a autorização temporária para a comercialização de petróleo iraniano agrava ainda mais os receios de uma redução da oferta global, deixando dezenas de milhões de barris de crude iraniano já carregados em navios numa situação de elevada incerteza. Ao mesmo tempo, os ataques a navios comerciais e a possibilidade de novas interrupções numa das principais rotas marítimas do comércio mundial de energia continuam a sustentar a subida das cotações. O Brent segue de momento a negociar a 76 dólares por barril e o WTI a 72, face aos recentes mínimos de 70 e 67 dólares, respectivamente.
No mercado cambial, a escalada das tensões no Médio Oriente continua, para já, a ter um impacto limitado. O dólar norte-americano mantém-se a negociar próximo dos níveis recentes, com o índice DXY a transaccionar em torno dos 100,75 pontos, enquanto o EUR/USD segue nos 1,1425.
O iene permanece sob pressão, com o USD/JPY a negociar acima dos 162 e o EUR/JPY em torno dos 185. Também a libra esterlina continua a apresentar uma evolução relativamente estável, com o GBP/USD nos 1,3370 e o EUR/GBP nos 0,8550. O mesmo se verifica com o franco suíço, que negoceia nos 0,8065 face ao dólar e nos 0,9215 face ao euro.
Já o dólar neozelandês destaca-se pela valorização registada após a decisão do Reserve Bank of New Zealand de aumentar a taxa directora em 25 pontos base durante a noite. Na sequência desta decisão, o EUR/NZD recua para a região dos 2,0000, enquanto o NZD/USD volta a negociar acima dos 0,5700.