A semana que começa
Ormuz, resultados, Warsh e inflação
O Estreito de Ormuz continua no centro das atenções, onde se irão juntar esta semana resultados empresariais, Kevin Warsh no Congresso, os dados da inflação nos EUA e a balança comercial e o PIB na China
Interrompemos a publicação da “Semana que começa”. Estaremos de regresso no primeiro fim de semana de Agosto.
A nova semana arranca com os mercados financeiros a enfrentarem um conjunto invulgarmente alargado de factores de risco, numa altura em que os principais índices norte-americanos continuam próximos de máximos históricos. Os investidores terão de conciliar a evolução dos resultados empresariais, os dados da inflação nos Estados Unidos e os desenvolvimentos no Médio Oriente, factores que poderão definir o rumo dos mercados nos próximos dias.
A situação no Estreito de Ormuz continuará a ser um dos principais focos de atenção. Apesar de os preços do petróleo terem recuado dos máximos registados durante a escalada do conflito, qualquer agravamento das tensões entre os Estados Unidos e o Irão poderá voltar a pressionar os mercados energéticos e aumentar a aversão ao risco. O comportamento do crude será acompanhado de perto, dada a sua influência nas expectativas para a inflação e para a política monetária.

Em Wall Street, a época de resultados do segundo trimestre ganha verdadeiramente impulso com a divulgação das contas dos grandes bancos norte-americanos. Depois de um primeiro semestre marcado pelo forte desempenho do sector tecnológico, os investidores procurarão perceber de que forma a volatilidade dos mercados, as taxas de juro elevadas e as tensões geopolíticas estão a afectar os resultados das empresas e, sobretudo, as perspectivas para o resto do ano.

No plano da política monetária, as atenções centrar-se-ão em Kevin Warsh, que irá prestar depoimento perante a Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes na terça-feira e, no dia seguinte, perante a Comissão Bancária do Senado. Desde que assumiu a presidência da Reserva Federal, as expectativas de uma subida das taxas de juro intensificaram-se, impulsionadas pela valorização do petróleo e pelo tom mais restritivo adoptado pelo banco central na reunião de Junho. Os investidores procurarão perceber se Warsh deixará em aberto uma subida das taxas já em Setembro ou se os sinais de abrandamento do mercado de trabalho alteraram a sua avaliação sobre a economia norte-americana.

No plano macroeconómico, o principal destaque será a divulgação da inflação nos Estados Unidos. Os números poderão influenciar as expectativas em relação à trajectória da Reserva Federal, numa altura em que os mercados continuam atentos às declarações do presidente Kevin Warsh e procuram sinais sobre o calendário de futuras alterações das taxas de juro. Uma surpresa em alta poderá reforçar a expectativa de uma política monetária mais restritiva durante mais tempo.

Também a China estará sob os holofotes, com a publicação dos dados do Produto Interno Bruto do segundo trimestre, da produção industrial e da balança comercial. Os indicadores serão importantes para avaliar a capacidade de recuperação da segunda maior economia mundial, num contexto de procura interna moderada e de persistentes desafios no sector imobiliário.
Dados Económicos

Estados Unidos da América
Uma semana bem preenchida de indicadores económicos, onde os mercados irão estar atentos especialmente à divulgação dos dados da inflação, que abrem a agenda económica da semana. Os preços em Junho deverão mostrar uma queda mensal de 0,1%, com a inflação em termos homólogos a cair de 4,2% para 3,9%. Sem alimentos nem energia, os preços deverão mostrar um aumento mensal de 0,3%, acelerando dos 0,2% do mês anterior, com a leitura anual a manter-se nos 2,9%. Teremos ainda os dados semanais do emprego ADP e o índice de pequenas e médias empresas NFIB, onde as estimativas apontam para uma pequena subida de 95,3 para 95,6.
Na quarta-feira é a vez da inflação à porta das fábricas, com os preços, segundo as previsões, a poderem mostrar uma estabilização em termos mensais, onde sem energia nem alimentos deverão mostrar uma subida de 0,3%, desacelerando dos 0,4% do mês anterior. Iremos ter também o índice manufactureiro de Nova Iorque, que deverá apresentar uma subida de 5,7 para 8,7, e ainda a divulgação do livro Beige da Fed.
Quinta-feira iremos começar por ter a divulgação das vendas a retalho de Junho que deverão mostrar um crescimento mensal de 0,3%, desacelerando dos 0,9% no mês anterior, onde se excluídas as vendas automóveis, deverão mostrar uma queda de 0,1%, após o aumento de 0,8% no mês anterior. O grupo de controlo deverá mostrar um crescimento de 0,3%, desacelerando dos 0,7% de Maio. Os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego deverão manter os 215 mil pedidos. O índice manufactureiro da Fed de Filadélfia, segundo as estimativas, apresentará uma subida de 10,3 para 12,1, e os inventários empresariais deverão cair dos 0,5% no mês anterior, para 0,3%. Teremos ainda dados do mercado imobiliário, com o índice de mercado imobiliário NAHB a dever manter-se nos 35, enquanto as vendas pendentes de imóveis deverá mostrar uma queda de 0,3%, após o crescimento anterior de 3,8%.
Na sexta-feira, iremos ter mais dados do mercado imobiliário, com a divulgação das licenças de construção e o início de construção de imóveis. As licenças em Junho deverão voltar a cair, desta vez 0,7%, após os -0,9% no mês anterior, e os imóveis começados a construir estagnaram, após a queda de 15,4% no mês anterior. Teremos também os números da produção industrial, que deverão mostrar um crescimento de 0,2%, após os 0,1% do mês anterior. A semana termina com a divulgação dos números da confiança do consumidor e expectativa de inflação da Universidade de Michigan. As estimativas apontam para uma subida no índice de confiança do consumidor de 49,5 para 51,4, enquanto as expectativas de inflação no curto prazo deverão cair de 4,6% para 4,3%, e no longo prazo (cinco anos) deverão desacelerar de 3,3% para 3,1%.
Zona Euro
Mais uma agenda económica semanal bastante tranquila que terminará com a leitura final da inflação de Junho que deverá confirmar os números preliminares de 2,8% para a inflação total e 2,4% para a subjacente.
A semana começa com os dados da variação mensal dos preços no sector grossista que deverão mostrar uma subida de 0,2%, após a queda no mês de Maio de 0,6%.
Na quarta-feira iremos ter os números da produção industrial de Maio do agregado da Zona Euro, onde as estimativas apontam para um aumento de 0,3%, acelerando dos 0,1% no mês anterior.
Quinta-feira teremos os números de Maio da balança comercial, com as previsões a apontarem para um excedente de 2,5 mil milhões de euros, após 1,3 mil milhões no mês anterior. Itália também irá apresentar os números da balança comercial, onde as previsões apontam para um saldo positivo de 4,5 mil milhões de euros.
Reino Unido
Por aqui os dados económicos concentram-se na quinta-feira, onde os mercados irão estar atentos à divulgação do PIB mensal de Maio que deverá apresentar, segundo as previsões, um crescimento de 0,1%, após a contracção de 0,1% no mês anterior. Teremos também a produção industrial que deverá mostrar uma queda de 0,1% e a produção da construção de 0,3%.
Iremos ter ainda a balança comercial de bens onde as previsões apontam para um défice de 22,8 mil milhões de libras, após 26 mil milhões no mês anterior.
Canadá
As vendas manufactureiras de Maio deverão mostrar um crescimento de 1,1%, desacelerando dos 4,2% registados em Abril, e as vendas grossistas uma queda de 0,7%, mais do que anulando o aumento de 0,6% no mês anterior.
Teremos ainda os números do início de construção de imóveis, que deverão mostrar um recuo dos 261 mil do mês de Maio, para 257 mil em Junho.
Suíça
Por aqui, o índice de preços do produtor deverá mostrar uma queda de 0,5%, acelerando dos -0,4% do mês anterior.
China
Iremos ter uma semana bem preenchida de indicadores económicos.
Começamos pelos números dos novos empréstimos em yuans, onde as estimativas apontam para um aumento dos 520 mil milhões de yuans do mês de Maio, para 2.000 mil milhões em Junho.
As atenções irão estar especialmente voltadas para o PIB do segundo trimestre, que segundo as previsões deverá apresentar um crescimento trimestral de 0,9%, abaixo dos 1,3% do trimestre anterior, onde em termos homólogos deverá cair dos 5% do trimestre anterior, para 4,4%.
Teremos também os números da balança comercial de Junho, onde as previsões mostram um excedente de 121 mil milhões de dólares, após os 105,4 mil milhões do mês anterior, com um aumento de 24% nas importações e de 18% nas exportações. O índice de preço dos imóveis deverá mostrar uma queda de 3,4%, desacelerando dos -3,5% do mês anterior.
As previsões apontam para que as vendas a retalho de Junho mostrem uma queda mensal de 0,1%, após a queda anterior de 0,6%.
Por outro lado, a produção industrial em Junho deverá mostrar um aumento de 4,7%, acelerando dos 4,5% do mês anterior.
Os investimentos em activos fixos, segundo as estimativas, irão mostrar uma queda de 4,9%, após a queda de 4,1% no mês de Maio.
A taxa de desemprego deverá manter-se nos 5,1%.
Japão
Os números das encomendas de maquinaria, excluindo as de navios e centrais eléctricas, deverão mostrar, segundo as previsões, uma queda de 4,2%, após o aumento de 8,7% no mês anterior, e a actividade da indústria terciária deverá mostrar um aumento de 0,4%, desacelerando dos 1,3% no mês anterior.
Nova Zelândia
O índice de serviços BusinessNZ deverá mostrar uma subida dos 47,5 para 48,3, com o índice composto a subir de 48,4 para 48,9.
Austrália
O índice de confiança do Westpac, segundo as estimativas, deverá mostrar um aumento de 2,5%, após a queda de 2,9% no mês anterior, e o índice de confiança empresarial NAB de -14 para -12.
Bancos Centrais

O Banco do Canadá
O Banco do Canadá deverá manter a taxa directora inalterada nos 2,25% na reunião desta semana, prolongando a actual pausa na política monetária após os cortes realizados no final do ano passado. A decisão reflecte um enquadramento económico misto, marcado por um mercado de trabalho sem uma tendência clara, indicadores empresariais moderados, incerteza em torno do comércio internacional e pressões inflacionistas que continuam relativamente contidas.
Nas últimas semanas, diminuíram também os receios de que a subida dos preços da energia pudesse desencadear uma inflação mais persistente. Apesar do aumento temporário dos preços dos combustíveis, o impacto sobre o conjunto da economia tem sido limitado e as expectativas de inflação das empresas permanecem bem ancoradas. Neste contexto, o banco central deverá manter uma postura prudente, privilegiando uma estratégia de espera enquanto avalia a evolução da actividade económica e da inflação, sendo cada vez mais provável que as taxas de juro permaneçam inalteradas durante um período prolongado.
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