EUR/USD
Semanal
O Médio Oriente voltou a dominar os mercados. As tensões aumentaram, o petróleo recuperou volatilidade e as yields obrigacionistas voltaram a subir. No EUR/USD, porém, a reacção continua praticamente inexistente.
Interrompemos a publicação do “EUR/USD Semanal”. Estaremos de regresso no primeiro fim de semana de Agosto.
Numa semana muito tranquila em termos de indicadores económicos, seria natural esperar que o EUR/USD continuasse a negociar próximo dos níveis recentes, prolongando a correcção das perdas registadas nas últimas semanas. Mas o regresso das tensões geopolíticas, os ataques a navios no Estreito de Ormuz e os bombardeamentos sobre alvos estratégicos no Irão teriam levado qualquer um (incluindo eu) a antecipar uma valorização do dólar. Afinal, foi precisamente isso que não aconteceu.Esta nova escalada do conflito está a reacender os receios de uma espiral inflacionista, levando os mercados a voltarem a atribuir maior probabilidade a uma política monetária mais restritiva por parte dos principais bancos centrais. Ainda assim, parece-me que os investidores deram maior importância aos últimos dados do mercado de trabalho norte-americano, bastante mais fracos do que o esperado, do que ao agravamento do risco geopolítico. Ao mesmo tempo, as expectativas de política monetária parecem ter recuado mais para o BCE do que para a Fed, contribuindo para manter o EUR/USD próximo dos actuais níveis.
Mas se as tensões no Médio Oriente continuarem a aumentar e o conflito voltar a escalar, continuo a acreditar que o dólar acabará por recuperar terreno já durante esta semana. O preço do TTF, referência para o gás natural na Europa, continua a subir. Um eventual encerramento do Estreito de Ormuz apenas agravaria este cenário e aumentaria a pressão sobre o euro. Com um dólar potencialmente mais suportado e um euro mais vulnerável ao impacto energético, continuo a acreditar que o caminho mais provável para o EUR/USD será o de retomar a tendência descendente dos últimos meses, com a possibilidade de assistir a novos mínimos este ano.
Eu irei estar fora até ao início de Agosto. Até lá teremos novos dados da inflação nos Estados Unidos (já esta semana) e na Zona Euro, os PMIs, o PIB do segundo trimestre e ainda as reuniões do BCE e da Fed.
As estimativas apontam, para já, para um abrandamento da inflação e para uma desaceleração do crescimento económico. A evolução da actividade económica poderá, no entanto, ser significativamente influenciada por uma nova escalada ou por um desanuviamento da situação no Estreito de Ormuz. Os PMIs têm revelado uma economia relativamente resiliente, mas um agravar da situação no Médio Oriente poderá alterar rapidamente esse sentimento. Com a Europa a parecer mais exposta ao choque energético, o EUR/USD continua a ter motivos para enfrentar pressões adicionais.
As reuniões do BCE e da Fed não deverão trazer qualquer surpresa ao nível das taxas de juro. Ambos os bancos centrais deverão manter as actuais taxas directoras. Será, uma vez mais, na comunicação que os mercados procurarão retirar pistas que possam alterar as actuais expectativas de política monetária. Neste momento, segundo a FedWatch Tool da CME, as probabilidades apontam para uma subida das taxas da Fed já em Setembro, seguida de uma nova subida durante o primeiro trimestre de 2027. Já as taxas implícitas do euro apontam para uma subida até ao final do ano, entre as reuniões de Outubro e Dezembro. O EUR/USD poderá voltar a ser influenciado pelo ajustamento deste diferencial de expectativas.
Com muito espaço para ser surpreendido, continuo a acreditar que, quando voltar em Agosto, o EUR/USD possa estar a negociar abaixo dos actuais níveis, registando novos mínimos do ano. O principal risco para este cenário poderá nem ser o Médio Oriente, mas antes uma surpresa em baixa na inflação, tanto nos Estados Unidos como na Zona Euro, ou uma alteração significativa na comunicação de um dos bancos centrais, hipóteses que, nesta fase, considero pouco prováveis.
Boas férias a quem vai de férias. Eu estarei de volta no dia 2 de Agosto.
Tecnicamente
Por aqui nada de novo
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5O EUR/USD recuou dos mínimos da semana anterior de 1,1324 (1,1361) e voltou esta semana a negociar acima de 1,1400, de novo para a área de consolidação alargada onde tem negociado desde há mais de um ano.
A linha de MACD segue abaixo da linha neutra e da linha de sinal, com o “momentum” negativo do par a acelerar, onde o RSI continua bem longe de uma situação de sobre-venda.
O mínimo de Agosto 2025 a 1,1390 continua a ser fortemente testado. Os próximos suportes encontram-se nas referências dadas pelo máximo de 2023 a 1,1275, seguido do máximo de 2024 a 1,1214. O suporte mais forte, antes do psicológico 1,1000, está a 1,1065 (mínimo de Maio de 2025), enquanto o objectivo do break da área de consolidação poderá estar em torno de 1,0900.
O ultrapassar do nível psicológico 1,1500, poderá mostrar uma inversão de tendência no mais curto prazo, com o par a voltar para a área de consolidação, entre os 1,1500 e 1,1800.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5 Pode acompanhar diariamente os comentários/análises ao EUR/USD no nosso canal YouTube clicando aqui .
O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD manteve os níveis de correcção atingidos na semana anterior, registando um máximo a 1,1472 (1,1460), em torno da resistência dada pela MM 21 dias.
O MACD continua bem abaixo da linha neutra, mas está a começar a semana acima da linha de Sinal, podendo sinalizar a possibilidade de uma inversão de alteração do “momentum” do par.
O movimento acima dos 38,2% Fib do movimento 1,1622/1,1324, está a sinalizar a possibilidade de termos uma correcção mais ampla no EUR/USD.
O ultrapassar da MM 21 dias, poderá dar força ao par para atingir o objectivo dessa correcção que poderá estar nos 61,8% Fib a 1,1508.
Uma inversão da tendência que leve o par a negociar abaixo do mínimo da semana passada a 1,1361, poderá colocá-lo de novo na tendência descendente, com um teste ao mínimo do ano a 1,1324. O quebrar deste mínimo poderá colocar o par a caminho de um primeiro objectivo a 1,1250, dado pelos 61,8% da projecção Fibonacci do movimento 1,1622/1,1324/1,1434. O ultrapassar dos 1,1250, com a área de suporte 1,1214/1,1275 a ser quebrada poderá colocar vivo o objectivo a 1,1135, dado pelos 100% da projecção Fibonacci mencionada acima.
Resistências - Suportes
1,1500 - 1,1390
1,1573 - 1,1324
1,1645 - 1,1214
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