Café da Manhã
Ormuz agita mercados

Café da Manhã Ormuz agita mercados

A escalada entre EUA e Irão volta a pressionar os mercados. Bolsas recuam, o petróleo aproxima-se dos máximos recentes e o dólar recupera terreno, enquanto cresce a incerteza em torno do Estreito de Ormuz.

A semana arrancou com um aumento da aversão ao risco, depois de os Estados Unidos e o Irão terem voltado a trocar ataques durante o fim de semana. Washington confirmou novos bombardeamentos contra alvos militares iranianos, justificando a operação com a necessidade de reduzir a capacidade de Teerão para atacar navios civis no Estreito de Ormuz. Em resposta, o regime iraniano voltou a lançar ataques contra instalações norte-americanas e de países aliados na região, mantendo igualmente a ameaça de encerrar uma das mais importantes rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.

A incerteza em torno da navegabilidade do Estreito de Ormuz voltou a colocar os mercados em alerta. Enquanto Washington garante que a passagem permanece aberta ao tráfego marítimo internacional, Teerão insiste que o estreito continuará encerrado "até nova ordem", alimentando receios de perturbações na oferta global de crude e de um novo agravamento das pressões inflacionistas.

Na sexta-feira, Wall Street ainda conseguiu encerrar em terreno positivo, beneficiando de notícias que apontavam para uma eventual retoma das conversações directas entre os Estados Unidos e o Irão esta semana, na Suíça. Apesar de essas informações terem sido posteriormente desmentidas pelos meios de comunicação iranianos, o Dow Jones terminou a sessão com um ganho de 0,29%, enquanto o S&P 500 subiu 0,42% e o Nasdaq 100 avançou igualmente 0,29%.

Contudo, o sentimento deteriorou-se significativamente após os acontecimentos do fim de semana. Os futuros norte-americanos apontam para uma abertura em baixa, ao mesmo tempo que as yields das obrigações do Tesouro continuam a subir, reflectindo o receio de que uma nova escalada dos preços da energia possa obrigar a Reserva Federal a manter uma política monetária mais restritiva durante mais tempo.

Na Ásia, a reacção foi claramente negativa. O índice MSCI Ásia-Pacífico registou uma das maiores quedas das últimas semanas, penalizado sobretudo pelo sector tecnológico e pela forte correcção do mercado sul-coreano. O Kospi afundou 8,95%, com a SK Hynix a liderar as perdas, depois da forte valorização registada na estreia das suas acções cotadas nos Estados Unidos. No Japão, o Nikkei recuou 1,76%, enquanto o CSI 300 perdeu 1,79%, o Shanghai Composite caiu 2,06%.

Na Europa, o início da sessão também decorre em terreno negativo, embora com perdas mais moderadas. O Euro Stoxx 600 e o Euro Stoxx 50 recuam cerca de 0,30%, o DAX perde 0,20%, o CAC 40 desvaloriza 0,30% e o FTSE 100 cede aproximadamente 0,10%, numa sessão marcada pela procura de activos considerados mais defensivos.

No mercado petrolífero, o crude voltou a acelerar, reflectindo os receios de interrupções na oferta provenientes do Médio Oriente. O Brent negoceia em torno dos 78,80 dólares por barril, muito próximo dos máximos da semana passada, enquanto o WTI sobe para cerca de 74 dólares. A evolução dos preços continua a depender das notícias em torno do Estreito de Ormuz, cuja importância para o abastecimento energético mundial mantém os investidores em permanente estado de alerta.

No mercado cambial, o dólar voltou a beneficiar do seu estatuto de activo de refúgio. Embora tenha corrigido parte dos ganhos registados durante a sessão asiática, o índice DXY continua a negociar em torno dos 100,75 pontos, enquanto o EUR/USD recuperou ligeiramente para a zona dos 1,1420, depois de ter voltado a negociar abaixo de 1,1400 durante a madrugada.
O iene permanece sob pressão, com o USD/JPY novamente acima dos 162 e o EUR/JPY próximo dos 185. A libra esterlina inicia igualmente a semana em baixa, com o GBP/USD abaixo de 1,3400 e o EUR/GBP nos 0,8530. Já o franco suíço mantém um comportamento relativamente estável, com o USD/CHF a negociar em torno de 0,8085 e o EUR/CHF perto de 0,9240.

O foco continua agora na evolução do conflito no Médio Oriente, numa altura em que qualquer sinal de agravamento das hostilidades poderá provocar novos movimentos de aversão ao risco, pressionar os mercados accionistas, sustentar a subida do petróleo e reforçar as expectativas de que os principais bancos centrais mantenham uma política monetária mais restritiva durante mais tempo.


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