Café da Manhã
Mercados sob tensão
A escalada entre EUA e Irão volta a dominar os mercados. O petróleo dispara, as bolsas recuam, o dólar reforça o estatuto de activo de refúgio e aumentam as expectativas de uma nova subida das taxas pela Fed.
Interrompemos a publicação do “Café da manhã”. Estaremos de regresso no dia 3 de Agosto.
Os mercados financeiros continuam a ser dominados pelo agravamento das tensões no Médio Oriente. Os Estados Unidos realizaram uma terceira noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos, enquanto Donald Trump anunciou o restabelecimento do bloqueio naval ao Irão e propôs a cobrança de uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada através do Estreito de Ormuz, justificando a medida como forma de financiar a protecção da rota marítima.A possibilidade de novas perturbações no principal corredor energético mundial voltou a alimentar receios de um novo choque inflacionista, pressionando os mercados accionistas, impulsionando o petróleo e reforçando as expectativas de uma política monetária mais restritiva por parte da Reserva Federal.
Nos Estados Unidos, a sessão de segunda-feira terminou em queda, com o sector tecnológico a liderar as perdas perante a deterioração do sentimento de risco. O Dow Jones recuou 0,26%, o S&P 500 perdeu 0,79% e o Nasdaq caiu 1,55%, penalizado pelas empresas tecnológicas. Em sentido inverso, o sector da energia beneficiou da forte subida dos preços do crude.
Os investidores aguardam agora a divulgação da inflação norte-americana referente a Junho e o primeiro testemunho semestral de Kevin Warsh perante o Congresso, onde deverá ser confrontado sobre o impacto económico do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, e sobre a futura trajectória da política monetária.
A reforçar estas preocupações, o governador da Reserva Federal, Christopher Waller, voltou a adoptar um discurso claramente restritivo, admitindo que poderá ser necessária uma nova subida das taxas de juro num futuro próximo para controlar as pressões inflacionistas. As probabilidades implícitas nos mercados monetários apontam já para cerca de 50% de hipótese de uma subida das taxas na reunião de Julho, enquanto as yields das obrigações do Tesouro norte-americano continuam a subir.
Na Ásia, o sentimento foi mais construtivo, apesar da persistência do conflito. Os mercados beneficiaram dos sólidos dados do comércio externo chinês, com as exportações e importações a registarem em Junho o ritmo de crescimento mais elevado desde 2021. O excedente comercial aumentou para 125,6 mil milhões de dólares, superando as expectativas e reflectindo a forte procura internacional por semicondutores e infra-estruturas ligadas à inteligência artificial.
O CSI 300 liderou os ganhos ao subir 2,15%, seguido pelo Shanghai Composite, que avançou 1,36%. O Nikkei 225 ganhou 0,75%, o Kospi valorizou 0,73% e o Hang Seng terminou com uma subida de 0,44%.
Na Europa, a abertura foi negativa, acompanhando o aumento da aversão ao risco provocado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. O Euro Stoxx 50 cede cerca de 0,70%, o CAC 40 0,84%, o DAX 0,44% e o FTSE 100 0,47%, numa sessão marcada também pela expectativa em torno dos dados da inflação norte-americana.
No mercado cambial, o dólar continua a beneficiar da procura por activos de refúgio. O índice DXY voltou a negociar acima dos 101 pontos, enquanto o EUR/USD recua novamente abaixo dos 1,1400.
O iene recuperou algum apoio depois de o ministro das Finanças japonês admitir a inclusão das obrigações do Estado num programa de investimento isento de impostos, embora permaneça pressionado face ao dólar. O USD/JPY negoceia em torno dos 162,40, enquanto o EUR/JPY permanece próximo dos 185.
A libra esterlina também perde terreno num contexto de maior aversão ao risco. O GBP/USD desce para 1,3350, ao passo que o EUR/GBP sobe para 0,8530.
Já o franco suíço continua condicionado pela subida das yields globais e pelo reforço das expectativas de taxas de juro mais elevadas. O USD/CHF negoceia em máximos de aproximadamente um ano, perto dos 0,8150, enquanto o EUR/CHF sobe para 0,9275, muito próximo dos máximos registados este ano.
Nos mercados petrolíferos, a escalada militar entre Washington e Teerão continua a dominar as negociações. O restabelecimento do bloqueio naval ao Irão, os sucessivos ataques nas imediações do Estreito de Ormuz e a possibilidade de ser introduzida uma taxa sobre a passagem de navios pela região voltaram a aumentar os receios de interrupções no abastecimento mundial de crude.
Depois de registarem a maior subida diária desde Abril, os preços continuam a avançar. O Brent negoceia já em torno dos 86 dólares por barril, enquanto o WTI sobe para cerca de 80,50 dólares, acumulando ganhos próximos de 13% desde o fecho da passada sexta-feira. A evolução do mercado petrolífero continuará a ser um dos principais factores a acompanhar nos próximos dias, dada a sua influência directa sobre as expectativas de inflação e sobre as decisões dos principais bancos centrais.
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