EUR/USD
Semanal

EUR/USD Semanal

A volatilidade chegou finalmente ao EUR/USD nas últimas semanas, levando o par a terminar o mês de Julho acima da referência psicológica dos 1,1500. Será para continuar?

Há três semanas escrevi que acreditava que o EUR/USD poderia encontrar-se hoje abaixo dos níveis de então, provavelmente a registar novos mínimos do ano. Mas, como tantas vezes acontece nos mercados, houve muito espaço para ser surpreendido. O par encontra-se agora em máximos de mais de um mês, novamente acima dos 1,1500.

Desde então, os dados da inflação nos Estados Unidos, abaixo das estimativas, com a inflação total a cair de 4,2% para 3,5%, deram o primeiro golpe no dólar, ao levarem o mercado a reduzir as expectativas de novas subidas de taxas de juro. Pouco depois, a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão impulsionou significativamente os preços do petróleo, reacendendo os receios de novas pressões inflacionistas. As yields obrigacionistas voltaram a subir e o dólar recuperou parte das perdas. Entretanto, o BCE manteve as taxas de juro inalteradas, tal como esperado, mas deixou a porta bem aberta para uma nova subida na reunião de Setembro, dando algum suporte adicional à moeda única.

Mas foi a reunião da Fed que acabou por marcar decisivamente o mercado.

A Reserva Federal manteve as taxas de juro inalteradas, em linha com as expectativas, mas o seu presidente não conseguiu convencer os investidores da determinação do banco central no combate à inflação. Kevin Warsh pretende reformular a estratégia de comunicação da Fed, embora, a julgar pelas críticas à sua conferência de imprensa, talvez devesse começar por aperfeiçoar a sua própria comunicação. Falou bastante, mas explicou pouco sobre a forma como pretende conduzir a inflação de volta ao objectivo. Mais importante ainda, deixou dúvidas quanto ao compromisso da Reserva Federal com a sua meta de estabilidade de preços de 2%. Um reflexo dessa leitura do mercado foi a subida das yields obrigacionistas de longo prazo.

Ao mesmo tempo, a medida de inflação preferida da Fed mostrou um abrandamento mensal de 0,3% para 0,1%, enquanto o crescimento do PIB norte-americano desacelerou de 2,1% para 1,5% no segundo trimestre.

Já na Zona Euro, a inflação voltou a acelerar. A medida subjacente subiu de 2,4% para 2,5%, enquanto a inflação total passou de 2,8% para 2,9%. Ao mesmo tempo, o PIB surpreendeu positivamente, registando um crescimento trimestral de 0,4%.

Tudo isto, em conjunto com o que pareceu ser uma nova intervenção do Ministério das Finanças japonês no mercado cambial, através da venda de USD/JPY, eventualmente com alguma coordenação das autoridades norte-americanas, pressionou ainda mais o dólar e deu suporte ao euro, levando o EUR/USD de um mínimo de 1,1350 para um máximo próximo dos 1,1550 ao longo da última semana.

Entramos agora em Agosto, tradicionalmente um mês de férias, mas que este ano começa tudo menos tranquilo. As próximas reuniões da Fed e do BCE apenas terão lugar em Setembro, pelo que os mercados terão várias semanas para irem ajustando as suas expectativas. Neste momento, atribuem uma probabilidade ligeiramente superior a 80% a uma nova subida de taxas por parte do BCE, enquanto para a Fed essa probabilidade ronda os 70%.

O primeiro grande teste chegará já esta semana, com a divulgação do relatório do emprego norte-americano. Um novo número abaixo das estimativas, actualmente fixadas em 90 mil novos postos de trabalho, depois dos 57 mil registados no mês anterior, poderá provocar um novo recuo das expectativas de subida de taxas de juro, penalizando o dólar e impulsionando ainda mais o EUR/USD. Pelo contrário, um relatório significativamente acima das previsões poderá desencadear uma correcção deste movimento de valorização do euro.

Mas haverá ainda outros factores a acompanhar. Os mercados continuarão atentos à possibilidade de uma nova vaga de venda de dólares por parte das autoridades japonesas, eventualmente com o apoio das norte-americanas. Se tal acontecer, a pressão sobre o dólar poderá manter-se bem viva. Ao mesmo tempo, importa perceber se a desconfiança dos investidores relativamente à liderança de Kevin Warsh continuará a aumentar, podendo alimentar uma nova vaga de afastamento do dólar. Tudo isto num contexto em que a instabilidade no Médio Oriente permanece elevada, fruto do conflito entre os Estados Unidos e o Irão.

Tudo indica, por isso, que Agosto começará exactamente onde Julho terminou: com volatilidade acrescida. Os mercados aguardam agora pelos dados do emprego norte-americano, sem perder de vista a evolução da situação no Estreito de Ormuz, os "posts" de Donald Trump e a possibilidade de novas intervenções cambiais.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD voltou para a área de consolidação que tem vindo a marcar os dois últimos anos, com o preço a terminar a semana acima de 1,1500 pela primeira vez em mais de um mês.

A linha de MACD segue abaixo da linha neutra e da linha de sinal, mas o “momentum” negativo do par desacelera e onde o RSI recupera para níveis em torno da linha média de 50.

O mínimo de Agosto 2025 a 1,1390 resistiu ao forte teste das últimas semanas. O ultrapassar da resistência dada pela média móvel das 21 semanas, de momento a 1,1559, poderá colocar o par na direcção de um teste ao limite superior da área mais apertada de consolidação, nos 1,1830.

O retorno ao suporte a 1,390 e o break do mesmo levará o mercado a voltar a avaliar a possibilidade de mais perdas para o par, onde os próximos suportes se encontram nas referências dadas pelo máximo de 2023 a 1,1275, seguido do máximo de 2024 a 1,1214.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

Pode acompanhar diariamente os comentários/análises ao EUR/USD no nosso canal YouTube clicando aqui .
O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.

O EUR/USD recuperou de mínimos em torno de 1,1300 para terminar a semana bem acima de 1,1500 (1,1547), voltando a negociar dentro da Nuvem de Ichimoku diária.

O MACD segue em cima da linha neutra e da linha de Sinal, apontando para um “momentum” ascendente crescente, onde o RSI está ainda bem longe de situação de sobre compra.

O ultrapassar do máximo da semana passada a 1,1547, poderá levar o par a um teste ao limite superior da Nuvem de Ichimoku (Senkou B) diária, de momento a 1,1586, que se ultrapassada irá deixar exposta a próxima importante referência (e resistência) dada pela média móvel dos 200 dias, de momento a 1,1629.

Uma inversão da tendência da semana passada encontrará um primeiro obstáculo na área de suporte dada por Senkou A e a MM 55 dias (de momento 1,1489/1,1494). O quebrar desta área irá expor o suporte dado pela MM 21 dias (de momento a 1,1423) antes do mínimo da semana passada a 1,1353.


Resistências - Suportes

1,1547 - 1,1489

1,1586 - 1,1423

1,1629 - 1,1353


O que pensa sobre este tema?