Café da Manhã
Diplomacia anima mercados

Café da Manhã Diplomacia anima mercados

Os mercados iniciam a semana mais optimistas após Trump suspender os ataques ao Irão. O petróleo recua, as bolsas recuperam e o iene continua em destaque depois da confirmação da intervenção cambial conjunta entre Japão e EUA.

O início da semana está a ser marcado por uma melhoria do sentimento dos investidores, impulsionada pelo recuo das tensões no Médio Oriente e pela forte queda dos preços do petróleo. A decisão de Donald Trump de suspender os ataques militares ao Irão, apostando numa solução diplomática para a reabertura do Estreito de Ormuz, devolveu algum optimismo aos mercados, embora a volatilidade continue elevada.

Nos Estados Unidos, a última sessão de Agosto terminou em terreno positivo. O Dow Jones valorizou 0,5%, o S&P 500 ganhou 0,7% e o Nasdaq avançou 1,0%, beneficiando sobretudo da recuperação das grandes tecnológicas. O índice das denominadas "Magnificent Seven" subiu 3,2%, com a forte valorização da Amazon a compensar a queda da Apple. Já o sector dos semicondutores encerrou praticamente inalterado, concluindo o pior mês desde 2008.

Apesar do bom desempenho das bolsas, a subida das yields das obrigações norte-americanas limitou parte do entusiasmo. A recuperação registada pelo petróleo e os comentários de Kevin Warsh continuaram a alimentar dúvidas sobre a evolução da política monetária da Reserva Federal. Três membros da Fed que votaram contra a manutenção das taxas de juro defenderam que adiar demasiado o combate à inflação poderá obrigar a medidas mais agressivas no futuro.

No plano macroeconómico, o índice de confiança dos consumidores da Universidade de Michigan foi revisto em alta para 55,2 pontos, superando a expectativa de 54,0 e reforçando a ideia de que a economia norte-americana continua a mostrar alguma resiliência.

Entretanto, a atenção dos investidores permanece centrada no Médio Oriente. Depois de, na semana passada, surgirem notícias de que os Estados Unidos e Israel preparavam uma ofensiva sem precedentes contra infra-estruturas energéticas iranianas, Donald Trump anunciou durante o fim de semana que os ataques seriam cancelados caso fosse alcançado rapidamente um acordo sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.

As negociações deverão prosseguir ainda hoje, depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmar que as conversações com Omã sobre a gestão daquela rota marítima se encontram na fase final. O eventual restabelecimento da normalidade na principal via de transporte de petróleo do mundo está a aliviar significativamente os receios de interrupções no abastecimento.

A reacção foi imediata no mercado petrolífero. O Brent negoceia esta manhã em torno dos 83,50 dólares por barril, enquanto o WTI recua para perto dos 79,40 dólares, depois de ambos terem registado quedas superiores a quatro dólares por barril na sequência das declarações de Trump.

Na Ásia, o sentimento foi mais cauteloso. O Nikkei 225 recuou cerca de 1%, penalizado pela forte valorização do iene, enquanto o Kospi sul-coreano afundou mais de 5%. Na China, o Shanghai Composite e o CSI 300 também encerraram em baixa, numa sessão marcada por indicadores que mostraram que a actividade industrial chinesa cresceu em Julho ao ritmo mais lento dos últimos quatro meses. A bolsa australiana foi a excepção, terminando com ganhos próximos de 0,5%.

Na Europa, o arranque da sessão é mais construtivo. O DAX lidera os ganhos, com uma valorização superior a 1%, enquanto o CAC 40 e o Euro Stoxx 50 também negoceiam em alta. O FTSE 100 segue praticamente inalterado.

No mercado cambial, o destaque continua a ser o iene. A moeda japonesa voltou a apreciar-se de forma significativa depois de Washington confirmar a participação numa intervenção coordenada com o Japão para travar a desvalorização da divisa. Segundo a Bloomberg, as autoridades japonesas terão comprado cerca de 53 mil milhões de dólares em ienes na passada quinta-feira, naquela que terá sido a maior intervenção cambial da sua história e a primeira operação conjunta entre os dois países desde 1998.

O USD/JPY recua para a região dos 156,75 ienes, enquanto o EUR/JPY desce para 180,65. No restante mercado cambial, o euro mantém-se confortável acima dos 1,1500 dólares. A libra esterlina negoceia em torno dos 1,3460 dólares, com o EUR/GBP nos 0,8560. Já o USD/CHF continua a negociar perto dos 0,8085, enquanto o EUR/CHF segue nos 0,9320.


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