Café da Manhã
Optimismo de volta
O alívio das tensões entre EUA e Irão devolve o optimismo aos mercados. As bolsas sobem, o petróleo estabiliza e o dólar recupera, enquanto os investidores acompanham os resultados empresariais e a evolução do conflito.
O regresso das expectativas de uma solução diplomática para o conflito entre os Estados Unidos e o Irão devolveu o optimismo aos mercados financeiros, impulsionando as bolsas mundiais e aliviando a pressão sobre o mercado petrolífero. A suspensão de novos ataques norte-americanos reduziu os receios de uma escalada militar no Médio Oriente, favorecendo os activos de maior risco e contribuindo para uma descida das yields das obrigações do Tesouro norte-americano, após a forte volatilidade registada na semana passada.
Em Wall Street, os principais índices encerraram a sessão de segunda-feira em forte alta, aproximando-se novamente de máximos históricos. O S&P 500 valorizou 1,48%, o Nasdaq 100 ganhou 2,13% e o Dow Jones avançou 1,32%, beneficiando da recuperação das grandes tecnológicas e do optimismo em torno da época de resultados. A Palantir destacou-se ao rever em alta as previsões de vendas e lucros para o conjunto do ano, após apresentar resultados trimestrais acima das expectativas, levando as suas acções a dispararem mais de 14% nas negociações após o fecho do mercado.
O sentimento dos investidores foi igualmente apoiado pelos indicadores económicos. Nos Estados Unidos, o índice ISM da indústria transformadora subiu para 55,6 pontos em Julho, o nível mais elevado desde Maio de 2022, confirmando uma aceleração da actividade industrial, sustentada por uma procura robusta, aumento da produção e crescimento do emprego no sector.
Na Ásia, a sessão desta terça-feira prolongou o movimento positivo iniciado nos mercados ocidentais. O Kospi sul-coreano liderou os ganhos, com uma valorização de 1,6%, seguido pelo S&P/ASX 200 australiano (+1,4%), enquanto o Nikkei 225 japonês avançou 0,2%. Na China, o Shanghai Composite somou 0,3% e o Shenzhen Composite ganhou 1,3%, ao passo que o Hang Seng de Hong Kong contrariou a tendência e recuou 0,7%. Os investidores continuam atentos às negociações entre Washington e Teerão, depois de Donald Trump ter afirmado que a actual proposta constitui a "última oportunidade" para um acordo, embora o Irão continue a negar negociações directas com os Estados Unidos.
Na Europa, a abertura foi igualmente positiva, apoiada pela divulgação de novos resultados empresariais e pelo alívio das tensões geopolíticas. O DAX alemão segue a valorizar cerca de 0,8%, o Euro Stoxx 50 sobe 0,7%, enquanto o FTSE 100 e o CAC 40 avançam 0,5% e 0,4%, respectivamente.
No mercado petrolífero, os preços recuperam ligeiramente após a forte queda da sessão anterior. As mensagens contraditórias entre Washington e Teerão continuam a alimentar alguma prudência, sobretudo depois de novos incidentes envolvendo navegação no Estreito de Ormuz. Ainda assim, a expectativa de um eventual entendimento diplomático e da normalização do tráfego marítimo na região limita a pressão compradora sobre o crude. O Brent negoceia actualmente em torno dos 85 dólares por barril, enquanto o WTI segue próximo dos 81 dólares.
No mercado cambial, o início de Agosto continua a ser marcado por alguma volatilidade, embora parte dos fortes movimentos registados no final da semana passada esteja agora a ser corrigida. O dólar recuperou dos mínimos recentes, com o índice DXY a subir de 99,30 para novamente perto dos 100 pontos.
As atenções permanecem centradas no iene japonês. Depois da forte valorização provocada pela rara intervenção cambial conjunta entre os Estados Unidos e o Japão, a moeda nipónica perdeu parte do impulso inicial, num contexto em que muitos analistas consideram limitado o potencial de novas apreciações. O USD/JPY negoceia actualmente próximo dos 157,80, enquanto o EUR/JPY segue em torno dos 181,60, ambos acima dos mínimos recentes.
A libra esterlina perde algum terreno face ao dólar, com o GBP/USD a recuar de 1,3500 para 1,3430, enquanto o EUR/GBP sobe de 0,8540 para 0,8570. Já o franco suíço mantém um desempenho mais fraco, com o USD/CHF acima de 0,8100 e o EUR/CHF a negociar próximo de 0,9325. No conjunto, os mercados cambiais continuam condicionados pela evolução do conflito no Médio Oriente, pelas expectativas em torno da política monetária e pela possibilidade de novas intervenções das autoridades japonesas no mercado de câmbios.