Café da Manhã
Prudência nos mercados
A aproximação entre EUA e Irão mantém viva a esperança de reabertura do Estreito de Ormuz, mas os mercados mostram maior prudência. As tecnológicas pressionam as bolsas, o petróleo estabiliza e o dólar permanece junto dos mínimos recentes.
Os mercados financeiros iniciam a sessão de quinta-feira num registo de maior prudência, depois de uma sequência de máximos históricos em Wall Street. Os investidores continuam a acompanhar a evolução das negociações entre os Estados Unidos e o Irão sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo que avaliam uma nova vaga de resultados empresariais e indicadores económicos que apontam para um abrandamento gradual da economia norte-americana.
O optimismo em torno de um possível acordo para restabelecer a circulação marítima através do Estreito de Ormuz voltou a ganhar força depois de o Irão anunciar ter alcançado um entendimento com Omã sobre uma proposta para a gestão da navegação naquela que é uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo. Contudo, a ausência de uma reacção oficial de Washington e as sucessivas declarações da Administração Trump, rejeitando qualquer controlo iraniano sobre o estreito, continuam a alimentar alguma incerteza. Ao mesmo tempo, os novos ataques dos rebeldes Houthi a embarcações sauditas mantêm a tensão geopolítica elevada no Médio Oriente.
Nos Estados Unidos, a sessão de quarta-feira terminou sem uma tendência definida. O Dow Jones valorizou 0,49% e voltou a renovar máximos históricos, enquanto o S&P 500 encerrou praticamente inalterado. Já o Nasdaq 100 recuou 0,83%, pressionado pelas perdas no sector tecnológico, com destaque para a queda de 13,61% da SpaceX. Após o fecho, a Sandisk perdeu cerca de 8% e a Western Digital afundou mais de 12%, na sequência da divulgação dos respectivos resultados trimestrais.
Os investidores analisaram igualmente os últimos indicadores macroeconómicos norte-americanos. O índice ISM dos serviços mostrou que a actividade continuou a expandir-se em Julho a um ritmo sólido, embora as empresas continuem a enfrentar pressões nos custos. Em contrapartida, o relatório ADP revelou uma criação de emprego inferior ao esperado, reforçando os sinais de um abrandamento gradual do mercado de trabalho.
Na Ásia, as bolsas acompanharam a fraqueza de Wall Street, penalizadas sobretudo pelas empresas ligadas aos semicondutores e à inteligência artificial. O índice sul-coreano Kospi recuou 4,58%, depois da forte valorização registada na sessão anterior, com a SK Hynix e a Samsung entre as principais responsáveis pelas perdas. No Japão, o Nikkei 225 desceu 0,89%, enquanto a Kioxia caiu cerca de 9%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,70%, ao passo que, na China continental, o Shanghai Composite avançou 0,57% e o Shenzhen Composite cedeu 0,15%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 contrariou a tendência regional e terminou a sessão com uma subida de 0,47%.
Os mercados europeus iniciaram a sessão em terreno positivo, apoiados por uma nova ronda de resultados empresariais e pelos dados económicos provenientes da Alemanha, onde as encomendas à indústria registaram uma recuperação mensal. Entre os principais índices, o DAX avançava 0,11%, o FTSE 100 valorizava 0,22%, o CAC 40 ganhava 0,70% e o Euro Stoxx 50 subia 0,50%.
No mercado petrolífero, os preços mantêm-se relativamente estáveis, mas continuam condicionados pela evolução das negociações em torno do Estreito de Ormuz. A perspectiva de uma eventual normalização dos fluxos energéticos continua a limitar novas subidas do crude, embora a persistente instabilidade no Médio Oriente impeça uma correcção mais expressiva. O Brent negoceia em torno dos 79,70 dólares por barril, enquanto o WTI segue próximo dos 75,15 dólares.
No mercado cambial, o dólar permanece junto dos mínimos das últimas semanas, com o índice DXY a negociar em torno dos 99,60 pontos. O euro mantém-se próximo dos máximos da semana, com o EUR/USD a negociar em redor dos 1,1545.
O iene continua a devolver parte dos ganhos registados após a intervenção cambial concertada das autoridades japonesas e norte-americanas. O USD/JPY aproxima-se novamente da zona dos 158,00, enquanto o EUR/JPY permanece acima dos 182,00.
A libra esterlina prolonga a recuperação face ao dólar, com o GBP/USD a negociar perto dos 1,3470, mas perde algum terreno perante a moeda única, mantendo o EUR/GBP em torno dos 0,8580. Já o franco suíço permanece relativamente estável, com o USD/CHF nos 0,8085 e o EUR/CHF junto dos 0,9335.