Semana Revista
Entre Ormuz e o emprego
A diplomacia no Médio Oriente alivia o petróleo, mas a tensão em Ormuz permanece. O iene ganha força com a intervenção de EUA e Japão, enquanto o emprego norte-americano levanta os receios sobre a economia.
A primeira semana de Agosto ficou marcada por uma sucessão de acontecimentos políticos e geopolíticos que voltaram a colocar a energia, as divisas e a política monetária no centro das atenções dos investidores. Entre sinais de desanuviamento no conflito entre os EUA e o Irão, a possível reabertura do Estreito de Ormuz, a intervenção coordenada para travar a queda do iene e um mercado de trabalho norte-americano mais fraco do que o esperado, os mercados terminaram a semana com mais dúvidas do que certezas.
O início da semana trouxe algum alívio às bolsas e, sobretudo, ao mercado petrolífero. Donald Trump confirmou a retoma das negociações com o Irão, depois de ter cancelado um ataque que descrevera como o maior desde a Segunda Guerra Mundial, alegadamente na sequência dos apelos dos aliados norte-americanos no Golfo. A possibilidade de uma solução diplomática reduziu de imediato o prémio de risco geopolítico incorporado no petróleo, com o Brent a recuar de cerca de 90 dólares por barril no final da semana anterior para níveis próximos dos 84 dólares.

A reabertura do Estreito de Ormuz tornou-se, entretanto, um dos principais temas para os mercados. O Irão confirmou negociações com Omã para estabelecer uma nova rota de navegação através do estreito, embora Teerão tenha rejeitado inicialmente a existência de contactos directos com Washington. Mais tarde, surgiu a indicação de que um eventual acordo poderia atribuir ao Irão um papel determinante na gestão do tráfego marítimo, incluindo restrições à passagem de navios norte-americanos e israelitas, e possíveis exigências de compensação.
A aparente aproximação diplomática é, assim, acompanhada por riscos significativos. Qualquer solução que permita normalizar o trânsito de energia através de Ormuz seria claramente positiva para o mercado petrolífero e para as perspectivas de inflação global. Mas as condições colocadas por Teerão e a ausência de um acordo directo com os EUA deixam em aberto a possibilidade de novos episódios de tensão.
O risco geopolítico não se limita, contudo, ao Golfo Pérsico. No Mar Vermelho, os ataques dos Houthis voltaram a intensificar-se, enquanto a Arábia Saudita prepara uma eventual ofensiva contra o grupo no Iémen. Uma escalada naquele país poderia voltar a ameaçar a circulação marítima junto ao Bab el-Mandeb, criando uma segunda frente de risco para o transporte de energia e mercadorias.

O iene no centro das atenções
No mercado cambial, o acontecimento mais relevante da semana foi a intervenção coordenada dos EUA e do Japão para travar a desvalorização do iene. A confirmação por parte do Ministério das Finanças japonês colocou oficialmente fim às especulações sobre uma operação conjunta e demonstrou que Tóquio dispõe agora de um aliado de peso para defender a sua moeda.
O USD/JPY caiu abaixo dos 156, depois de responsáveis japoneses terem deixado claro que novas intervenções continuam em cima da mesa e poderão ser realizadas sem hesitação. A mensagem é particularmente importante porque reduz a percepção de que o Japão está sozinho na tentativa de inverter uma tendência de longa duração de desvalorização do iene.
Para Washington, a intervenção também tem uma dimensão estratégica. Uma queda excessiva da moeda japonesa poderia obrigar Tóquio a vender parte das suas reservas em dólares, nomeadamente Treasuries norte-americanos, acrescentando pressão sobre as taxas de juro de longo prazo nos EUA. A defesa do iene contribui, por isso, para limitar simultaneamente a volatilidade cambial e potenciais tensões no mercado de dívida norte-americano.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, reforçou esta mensagem ao afirmar que Washington fará “o que for necessário” para ajudar o Japão a estabilizar a moeda. A declaração deixa aberta a porta a novas intervenções e confirma que o comportamento do iene passou a ter uma importância que ultrapassa claramente as fronteiras japonesas.
A questão é saber se a intervenção será suficiente. A desvalorização do iene resulta de factores estruturais, incluindo o diferencial de taxas de juro, as preocupações com as finanças públicas japonesas e a elevada dependência energética do país. Sem uma alteração mais clara da política do Banco do Japão, será difícil garantir uma recuperação sustentada da moeda.

Fed divide-se entre inflação e emprego
Nos EUA, a política monetária voltou a ganhar protagonismo. O presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, estará a avaliar uma alteração significativa ao funcionamento do banco central, reduzindo o número de reuniões destinadas exclusivamente à decisão sobre taxas de juro. A proposta apontaria para seis reuniões anuais de política monetária e duas reuniões adicionais dedicadas a temas económicos específicos.
A eventual mudança surge numa altura em que as divergências dentro da Fed se tornam mais visíveis, com governadores a defenderem que uma descida das taxas poderá deixar de ser possível sem sinais mais claros de moderação da inflação, e outros a considerarem necessário esperar por mais informação para perceber se as pressões sobre os preços são temporárias ou persistentes.
Por outro lado, há responsáveis que entendem que as taxas deveriam começar a subir gradualmente, considerando que a política monetária não é suficientemente restritiva. Já outros continuam a defender a manutenção das taxas, argumentando que a política monetária já é moderadamente restritiva.
O relatório de emprego divulgado no último dia da semana veio, contudo, alterar significativamente o equilíbrio desta discussão.

Mercado de trabalho dá novo sinal de fraqueza
A economia norte-americana perdeu 23 mil postos de trabalho em Julho, contrariando as expectativas, enquanto os dados dos dois meses anteriores foram revistos em baixa em mais 103 mil empregos. A média de criação de emprego dos últimos três meses caiu para apenas 20 mil postos, sinalizando uma deterioração considerável do mercado de trabalho.
A descida da taxa de desemprego, de 4,2% para 4,1%, pouco tem de tranquilizadora. O movimento resultou sobretudo de uma nova redução da população activa, com cerca de 250 mil pessoas a abandonarem o mercado de trabalho. A taxa de participação caiu para 61,4%, um nível que, excluindo o período da pandemia, não era observado desde a década de 1970.
Também o crescimento dos salários perdeu força, com a remuneração média por hora a crescer apenas 3,2% em termos homólogos, contra 3,5% anteriormente.
O conjunto dos dados aumenta a pressão sobre a Fed para considerar uma política monetária menos restritiva, sobretudo perante sinais crescentes de arrefecimento do mercado de trabalho. Mas a inflação continua a ser o principal obstáculo a uma mudança rápida de orientação.

Petróleo entre a esperança e o risco
É precisamente esta combinação que torna particularmente importante a evolução do petróleo nas próximas semanas. Uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz permitiria recuperar parte dos fluxos energéticos interrompidos e reduziria significativamente o prémio geopolítico incorporado nos preços.
Mas os acontecimentos desta semana demonstraram também como essa esperança continua frágil. As condições exigidas pelo Irão, a ausência de negociações directas com os EUA e a crescente instabilidade no Iémen mantêm elevados os riscos para o transporte marítimo na região.
Para os mercados, o petróleo continua assim a funcionar como o principal termómetro da tensão geopolítica. Uma descida sustentada seria positiva para as expectativas de inflação, para as obrigações e para as bolsas. Pelo contrário, qualquer nova escalada em Ormuz ou no Mar Vermelho poderá rapidamente inverter esse movimento.
Apesar da fragilidade da situação no Estreito de Ormuz, os preços do petróleo registaram esta semana perdas consideráveis, em redor de 9%. O barril de Brent terminou a semana a negociar a $82,20 e o de WTI a $77,10, após terem caído dos fechos da semana anterior de $89,65 e $86,30, respectivamente.

Ouro recupera terreno
O ouro voltou a ganhar protagonismo na primeira semana de Agosto, com cinco sessões consecutivas de valorização e um ganho semanal próximo dos 7%. O metal precioso terminou acima dos 4.300 dólares por onça, depois de ter iniciado a semana muito perto dos 4.000 dólares.
A recuperação foi sobretudo impulsionada pelo recuo das expectativas de uma política monetária mais restritiva por parte da Fed, após os sinais de fraqueza do mercado de trabalho norte-americano. A menor pressão sobre as taxas de juro voltou a favorecer o ouro, enquanto o desanuviamento das tensões entre os EUA e o Irão contribuiu para reduzir os receios em torno da inflação.
Apesar da forte subida dos preços, a procura física continua mais contida, sobretudo na Índia e na China, reflectindo a resistência dos consumidores perante cotações elevadas. O actual movimento continua, assim, a ser sustentado sobretudo pelas compras dos bancos centrais e pela procura de investidores institucionais.

Resultados fortes, exigência maior
A primeira semana de Agosto confirmou que a época de resultados do segundo trimestre continua globalmente positiva, mas também revelou um mercado cada vez mais exigente. Superar as previsões já não é suficiente: os investidores querem crescimento sustentável, margens sólidas e provas de que os elevados investimentos em inteligência artificial vão gerar retornos.
Nos Estados Unidos, a inteligência artificial continuou no centro das atenções. A AMD apresentou receitas recorde de 11,5 mil milhões de dólares, mais 50% em termos homólogos, impulsionadas pelo negócio de centros de dados. Ainda assim, a reacção negativa das acções mostrou que as expectativas são particularmente elevadas.
Também a SpaceX superou as previsões, com receitas de 7,81 mil milhões de dólares, mais 92% do que um ano antes. Mas a empresa continuou a apresentar prejuízos e aumentou significativamente o investimento em infra-estruturas de inteligência artificial. O mercado começa, por isso, a questionar não apenas o crescimento, mas sobretudo o retorno sobre o capital investido.
Na Europa, a Siemens apresentou resultados recorde, com o lucro industrial a crescer 25% e as encomendas a atingirem um novo máximo. Apesar disso, as acções recuaram perante o desempenho abaixo do esperado da divisão Digital Industries. Já a Deutsche Telekom beneficiou de resultados operacionais superiores às previsões e de uma melhoria das perspectivas de geração de caixa.
Na farmacêutica, a Novo Nordisk voltou a beneficiar da forte procura pelos tratamentos contra a obesidade, mas a pressão sobre as margens e a concorrência crescente limitaram a reacção positiva dos investidores.
Na Ásia, a Toyota registou um forte crescimento das receitas e do lucro líquido, apoiada pela procura por veículos híbridos e por efeitos cambiais favoráveis. Contudo, o lucro operacional recuou, recordando a importância de distinguir entre factores extraordinários e a verdadeira evolução do negócio. A SoftBank apresentou igualmente bons resultados, embora o fluxo de caixa livre ajustado tenha entrado em terreno negativo, num contexto de forte investimento em inteligência artificial.
A mensagem deixada por esta primeira semana de resultados é clara: o crescimento continua robusto, mas a fasquia está cada vez mais elevada. Num mercado com avaliações exigentes, os investidores querem mais do que bons números, procuram evidências de que o crescimento anunciado pode ser transformado em lucros, margens e geração de caixa sustentáveis.
Dados Económicos

Nos Estados Unidos, todas as atenções estiveram colocadas na divulgação do relatório do mercado de trabalho de Julho. Os números que mostraram uma inesperada redução de 23 mil postos de trabalho, surpreenderam os mercados, onde o consenso apontava para um aumento de 80 mil. Ainda assim a taxa de desemprego caiu dos 4,2% para 4,1% e o crescimento salarial médio mensal desacelerou dos 0,3% para 0,1%.
Antes as vagas de emprego JOLTS caíram de 7,54 milhões para 7,36 milhões, abaixo das previsões de 7,42 milhões. Os números privados do emprego ADP mostraram-se também abaixo das estimativas, com um crescimento de 44 mil, face aos 71 mil esperados. Já os números do Challenger Job Cuts mostraram um recuo dos 45,8 mil para 33,4 mil e os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego mantiveram-se em torno dos 200 mil (199 mil), enquanto os dados dos custos laborais do segundo trimestre que mostraram uma aceleração dos 1,8% no primeiro trimestre para 1,3%, ficando abaixo dos 2,7% estimados.
O Institute for Supply Management (ISM) mostrou que a actividade transformadora segue em expansão, com o índice a subir de 53,3 para 55,6, bem acima dos 54 estimados, marcando a leitura mais elevada dos últimos quatro anos, enquanto a actividade de serviços subiu menos do que o esperado, de 54,0 para 54,1. Os PMI da S&P Global foram também revistos em alta, com o PMI manufactureiro de 53,8 para 53,9 e o de serviços de 53,6 para 54,6.
Tivemos ainda a divulgação dos números da balança comercial que apresentaram um défice de 73,3 mil milhões de dólares, as encomendas às fábricas de Junho reduziram inesperadamente em 0,3% e o índice de optimismo económico RCM/TIPP caiu de 45,5 para 45,1, contrariando o consenso do mercado que apontava para um subida para 47,5.
Na Zona do Euro foi uma semana mais tranquila. Os dados preliminares do PMI foram revistos ligeiramente em alta, com o índice composto a subir de 51,9 para 52, onde os serviços subiram de 51,6 para 51,7 mas o sector manufactureiro recuou de 52 para 51,9. Em Espanha, o PMI manufactureiro subiu de 49,7 para 50,2, ficando abaixo dos 50,5 estimados, enquanto o de serviços superou as previsões ao disparar de 54,2 para 58,3, bem acima dos 54,8 esperados. Em Itália, o sector manufactureiro mostrou um recuo inesperado de 52,2 para 51,3, enquanto os serviços ultrapassaram as estimativas com o índice a subir de 50,2 para 52,5, face aos 51,2 esperados.
O índice de preços no produtor do mês de Junho na Zona Euro mostrou uma queda de 0,3%, em linha com o esperado, enquanto os números das vendas a retalho caíram no mês 0,3%, face a um crescimento estimado de 0,1%.
Na Alemanha, as vendas a retalho apresentaram uma queda mensal de 1,1%, superior à de 0,4% estimada, após o crescimento revisto em alta no mês anterior de 1,2%. As encomendas às fábricas superaram em muito o aumento esperado de 0,5%, ao crescerem 3,1%, e a produção industrial cresceu 0,2%, face a uma estabilização estimada. Os números da balança comercial apresentaram um excedente de 15,4 mil milhões de euros, ficando abaixo dos 17 mil milhões previstos.
Em França, o crescimento da produção industrial ficou abaixo dos 0,3% esperados, registando um aumento de 0,1%, enquanto os números da balança comercial apresentaram um défice de 5,8 mil milhões de euros, melhor do que os 6,5 mil milhões estimados.
Em Itália as vendas a retalho caíram 0,1%, face a um crescimento esperado do mesmo valor, tal como desiludiram os números da produção industrial que mostraram uma queda mensal em Junho de 1%, face a um crescimento esperado de 0,3%.
No Reino Unido foi também uma semana bastante desprovida de indicadores económicos de primeira linha. O PMI composto da S&P Global foi também revisto em alta, de 52,1 para 52,2, com um abrandamento da actividade industrial e uma aceleração nos serviços. O índice PMI da construção mostrou uma recuperação de 38,4 para 44,7, superando as estimativas que apontavam para 40.
O índice do preço de imóveis da LLoyds mostrou uma estabilização dos preços, face a um aumento estimado de 0,2%.
No Canadá foram também os dados do mercado de trabalho que estiveram em destaque. A taxa de desemprego caiu inesperadamente de 6,5% para 6,4%, com a taxa de participação a aumentar de 65% para 65,1%. A economia canadiana em Julho mostrou um aumento de 75,1 mil postos de trabalho, bem acima dos 18,2 mil do mês anterior e das estimativas de 15 mil, com um crescimento de 38,6 mil empregos a tempo inteiro e 36,5 mil a tempo parcial.
A semana começa com os números da balança comercial que apresentaram um excedente de 3,9 mil milhões de dólares canadianos, acima dos 3 mil milhões previstos, e ainda com o PMI manufactureiro a superar as estimativas, subindo de 53,0 para 53,5.
Por fim, o índice Ivey PMI caiu dos 56,2 para 55,1, abaixo das estimativas que apontavam para 55,4.
Na Suíça a semana começou com os dados da inflação do mês de Julho que mostraram uma queda mensal dos preços de 0,1%, em linha com as previsões do mercado, mas com a inflação anual a cair de 0,5% para 0,4%. O PMI manufactureiro desiludiu o mercado ao cair de 54,3 para 53,2, face a uma ligeira subida estimada para 54,5.
A taxa de desemprego manteve-se nos 3,1%, tal como previsto pelos mercados.
A semana terminou com o índice de confiança do consumidor SECO, que mostrou uma pequena recuperação de -36 para -35.
Na China as atenções foram especialmente para o último dia da semana onde tivemos a divulgação dos dados da balança comercial. As exportações aumentaram 23,9% em termos homólogos e as importações 27,5%, com o saldo a mostrar um excedente de 112,5 mil milhões de dólares, abaixo dos 125,6 mil milhões do mês anterior, mas acima dos 109,4 mil milhões previstos.
Esta semana tivemos ainda os PMI privados da RatingDog que mostraram uma desaceleração na actividade económica. O índice manufactureiro caiu de 51,7 para 50,9 e o de serviços de 54,1 para 50,4, ambos abaixo das estimativas do mercado.
No Japão tivemos também uma semana ligeira de dados económicos, onde os números do crescimento médio salarial mostraram uma ligeira aceleração dos 3,3% do mês anterior para 3,4%, em linha com as estimativas do mercado, enquanto os números da despesa das famílias mostrou uma queda inesperada de 3,3%, face a um crescimento estimado de 0,9%.
Na Nova Zelândia foram também os dados do mercado de trabalho que mereceram especial atenção nesta semana. A taxa de desemprego no segundo trimestre mostrou uma subida para 5,6%, bem acima dos 5,4% previstos e com a taxa do mês anterior a ser revista em alta de 5,3% para 5,4%, mas com a taxa de participação a subir de 70,4% para 70,7%, face a uma queda estimada para 70,3%. A variação do emprego mostrou um aumento de 0,5%, bem acima dos 0,1% esperados e dos 0,2% registados no primeiro trimestre. O índice de custo laboral trimestral subiu 0,7%, acima dos 0,6% estimados e dos 0,5% do trimestre anterior.
Logo no início da semana os números das licenças de construção mostraram uma queda de 3,6%, após a queda no mês anterior revista de 4% para 4,9%.
Na Austrália os números de anúncios de empregos do ANZ mostraram um aumento de 0,8%, contrariando estimativas que apontavam para uma redução mensal de 0,1%.
A despesa das famílias em Junho registou um aumento mensal de 0,8%, acima dos 0,4% esperados, mas desacelerando dos 1,2% mostrados em Maio.
Os números da balança comercial de bens surpreenderam os mercados ao apresentarem um excedente inesperado de 1,93 mil milhões de dólares australianos, face a um défice previsto de 1,08 mil milhões.
Bancos Centrais

O Banco do México
O Banxico optou por manter inalterada a sua taxa directora nos 6,50%, naquela que foi a segunda decisão consecutiva sem alterações depois do corte de Maio e da pausa de Junho. A inflação geral mexicana desceu para 3,10% na primeira quinzena de Julho, com a subjacente em 3,95%, mas o banco central sinalizou que a convergência para a meta de 3% só deverá concretizar-se no quarto trimestre de 2027, um horizonte mais dilatado do que o anteriormente projectado. O comunicado atribuiu a cautela às incertezas geradas pela política comercial norte-americana, o México enfrenta uma tarifa de 10% sobre parte das suas exportações, além de sobretaxas específicas ao aço, ao alumínio e ao sector automóvel, e à persistência dos conflitos geopolíticos internacionais. O banco central antecipou ainda que a taxa deverá permanecer neste nível nas próximas decisões, fechando, para já, a porta a novos cortes.
O Banco Central do Brasil
O banco central brasileiro voltou a cortar juros na sua reunião de Agosto, mas fê-lo com um recado que soou mais restritivo do que o mercado esperava. O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 pontos percentuais, para 14,00%, o quarto corte consecutivo de um ciclo iniciado em Março, quando a taxa caiu dos 15%. A decisão, unânime entre os sete directores do colégio presidido por Gabriel Galípolo, era já antecipada pelo mercado, mas o comunicado que a acompanhou surpreendeu pela maior agressividade. O Banco Central do Brasil classificou os riscos inflacionistas como "mais elevados que o usual, com assimetria altista", deixando cair do texto formulações mais conciliatórias de reuniões anteriores.
Mercados accionistas
A primeira semana de Agosto trouxe o optimismo de volta aos mercados accionistas, entre resultados empresariais robustos, um desanuviar das tensões no Médio Oriente entre os Estados Unidos e o Irão, onde nem os fracos dados do mercado de trabalho no último dia da semana nos Estados Unidos conseguiram estragar a festa.
Na Ásia, a bolsa da Coreia do Sul foi a grande excepção, com o índice Kospi a continuar a registar forte volatilidade, entre continuadas dúvidas em torno dos investimentos em IA e no sector de semicondutores. O índice terminou a semana perdendo 5,1%, mas ainda a ganhar no acumulado deste ano cerca de 50%. No Japão, apesar do avanço do iene, o índice Nikkei ganhou 1,93% e o Topix 1,79%. Na Austrália, o índice ASX 200 liderou esta semana os ganhos, valorizando 3,19%. Na China, o Shanghai Composite avançou 2,81% e o CSI300 2,32%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,84%.
Na Europa, foi uma semana de ganhos generalizados. O Euro Stoxx 600 ganhou 1,71% e o Euro Stoxx 50 2,65%. O CAC 40, de França avançou 2,41%, enquanto o DAX da Alemanha liderou os ganhos ao subir 2,83%, enquanto o FTSE 100, no Reino Unido, foi o que menos ganhou avançando marginalmente 0,30%. Por cá, por Portugal, o PSI 20 avançou uns modestos 0,72%.
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street registaram ganhos sólidos. O índice Dow Jones ganhou 2,96%, o S&P 500 3,57%, enquanto o Nasdaq liderou ao subir 5,19%.
Gráfico Fonte XTB xStation 5
Mercado cambial
A volatilidade manteve-se relativamente contida no mercado cambial durante a primeira semana de Agosto, com os investidores a aguardarem pelos dados do mercado de trabalho norte-americano. O relatório de emprego acabou por surpreender negativamente, ao revelar uma perda inesperada de 23 mil postos de trabalho em Julho, enquanto os dados dos meses anteriores foram também revistos em baixa.
A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, mas a descida não reflectiu uma melhoria efectiva do mercado de trabalho. Pelo contrário, resultou sobretudo da redução da população activa, com mais pessoas a abandonarem a procura activa de emprego.
Os dados contribuíram para uma alteração das expectativas em relação à política monetária da Reserva Federal. Segundo a FedWatch Tool da CME, a probabilidade de uma subida das taxas de juro em Setembro, que antes da divulgação dos números se situava nos 55%, recuou para cerca de 45%.
O índice do dólar DXY terminou a semana praticamente inalterado face aos níveis de abertura, depois de negociar num intervalo relativamente estreito, entre um máximo de 99,93 e um mínimo de 99,27.
No EUR/USD, a negociação decorreu durante grande parte da semana entre 1,1500 e 1,1560, antes de o par atingir 1,1580 na sequência da divulgação dos dados de emprego. O euro acabou por corrigir ligeiramente, terminando a semana em 1,1560, contra 1,1540 no início da semana.
A libra manteve a tendência de valorização face ao dólar, embora tenha recuado perante o euro, num contexto de volatilidade igualmente reduzida. O GBP/USD negociou entre 1,3416 e 1,3493, enquanto o EUR/GBP oscilou entre 0,8546 e 0,8587.
O franco suíço manteve-se relativamente estável face ao dólar, com o USD/CHF a negociar entre 0,8055 e 0,8137. Face ao euro, contudo, a moeda suíça perdeu algum terreno, com o EUR/CHF a oscilar entre 0,9297 e 0,9374.
Foi no iene que a volatilidade voltou a assumir maior expressão. A semana começou ainda sob o efeito da intervenção conjunta do Ministério das Finanças japonês e do Tesouro norte-americano para travar a desvalorização da moeda japonesa. O iene chegou a atingir máximos de nove meses face ao euro, com o EUR/JPY nos 179,35, e de três meses face ao dólar, com o USD/JPY nos 155,23.
A recuperação não foi, contudo, sustentada. No final da semana, o dólar recuperava para 157,80 ienes, enquanto o euro avançava para 182,40 ienes, mostrando que a intervenção oficial poderá ter conseguido travar temporariamente a tendência de desvalorização, mas não eliminou os factores estruturais que continuam a pressionar a moeda japonesa.
A alteração das expectativas em relação à Fed beneficiou, por outro lado, as divisas das economias emergentes, particularmente aquelas que oferecem retornos mais elevados. O peso mexicano valorizou 1,2% face ao dólar e 1% perante o euro, enquanto o rand sul-africano registou ganhos ainda mais expressivos, de 2,5% e 2,2%, respectivamente.
A primeira semana de Agosto termina, assim, com um dólar praticamente estável, mas com uma alteração importante no equilíbrio das expectativas de política monetária. A fraqueza do mercado de trabalho norte-americano reduziu a pressão para uma política mais restritiva da Fed e abriu espaço para uma recuperação das moedas com maior exposição ao risco, enquanto o iene continua dependente da intervenção das autoridades e da evolução da política monetária japonesa.
Gráfico Fonte XTB xStation 5