A semana que começa
Inflação e Ormuz no radar
A inflação norte-americana e as negociações sobre o Estreito de Ormuz dominam a agenda dos mercados, enquanto os resultados empresariais e as expectativas para a Fed completam a semana.
A segunda semana de Agosto será marcada pela divulgação dos dados da inflação nos Estados Unidos, depois de um relatório do emprego mais fraco do que o esperado ter reduzido as expectativas de subida das taxas de juro pela Reserva Federal.
Os investidores estarão particularmente atentos à evolução dos preços para perceber se a inflação poderá alterar novamente as perspectivas para a política monetária da Fed. Actualmente, a FedWatch Tool atribui cerca de 45% de probabilidade a uma subida das taxas na reunião de Setembro, mas um valor de inflação acima do esperado poderá reavivar as expectativas de uma política monetária mais restritiva.

No mercado energético, as negociações entre o Irão, os EUA e os países do Conselho de Cooperação do Golfo sobre o acesso ao Estreito de Ormuz continuarão a ser determinantes. Qualquer avanço diplomático poderá aliviar a pressão sobre o petróleo, enquanto um agravamento das tensões manterá o risco de novas subidas dos preços da energia e, consequentemente, da inflação.

No plano empresarial, a época de resultados continuará a influenciar o sentimento dos investidores, com destaque para as contas da Applied Materials, Cisco, CoreWeave, E.ON, RWE e Tencent Holdings.
Entre inflação, política monetária e geopolítica, os mercados entram assim numa semana em que novos dados poderão voltar a alterar as expectativas para a Fed e a trajectória dos principais activos financeiros.
Dados Económicos

Estados Unidos da América
A semana volta a “aquecer” com a divulgação dos dados da inflação. Após um primeiro dia vazio de indicadores económicos, na terça-feira teremos dados semanais do emprego da ADP, o índice NFIB de pequenas e médias empresas e as vendas de casas existentes. O NFIB, segundo o consenso do mercado, deverá mostrar uma subida de 97,4 para 97,8, enquanto as vendas de casas deverão mostrar uma queda, em Julho, de 0,7%, após a redução em Junho de 2,4%.
Na quarta-feira teremos então o destaque da semana, com a divulgação do índice de preços do consumidor do mês de Julho. As previsões apontam para uma subida mensal nos preços de 0,1%, após a queda de 0,4% no mês anterior, com a inflação homóloga a cair de 3,5% para 3,4%. Sem alimentos nem energia, os preços deverão mostrar uma subida mensal de 0,2%, com a inflação subjacente anual a cair de 2,6% para 2,5%.
Na quinta-feira é a vez de termos os dados da inflação à porta das fábricas. Em termos mensais, o índice de preços no produtor deverá mostrar uma subida em Julho de 0,1%, depois da queda de 0,3% no mês anterior. Sem alimentos nem energia os preços deverão voltar a subir 0,2%, em linha com o mês de Junho. Teremos ainda os habituais números semanais dos novos pedidos de subsídio de desemprego, que se deverão manter em torno dos 200 mil.
A semana termina com dados das vendas a retalho, confiança do consumidor e expectativas de inflação. As vendas a retalho em Julho deverão manter o crescimento do mês anterior de 0,2%, onde sem venda de gasolina nem de automóveis deverão acelerar dos 0,4% do mês anterior, para 0,5%, com o grupo de controlo a acelerar de 0,5% para 0,6%. Os mercados esperam que os dados da confiança do consumidor da Universidade de Michigan mostrem um recuo dos 55,2 para 54, com as expectativas de inflação de curto prazo a caírem de 4,2% para 4,1% e as de mais longo prazo de 3,3% para 3,2%. Teremos ainda os números dos inventários empresariais, onde o consenso aponta para uma desaceleração do aumento de 0,3% para 0,2%.
Zona Euro
A semana começa bem ligeira de indicadores económicos, com a divulgação do índice de confiança do investidor Sentix, onde os mercados apontam para uma recuperação de -3,1 para -0,7.
Terça-feira, em Itália, teremos a divulgação dos números da balança comercial, onde as previsões apontam para um excedente de 4,74 mil milhões de euros, ligeiramente abaixo dos 4,79 mil milhões do mês de Maio.
Na quarta-feira teremos os dados finais do IPC de Julho que deverão confirmar o aumento mensal dos preços na Alemanha e em Itália mostrados nas leituras preliminares de 0,8% e 0,2%, respectivamente.
Na quinta-feira iremos ter os dados da produção industrial, que após a queda de 0,2% em Maio, deverão mostrar um aumento do mesmo valor em Junho. Em Espanha os dados finais da inflação deverão confirmar a leitura preliminar mensal de 0,2%.
A semana termina com a divulgação da segunda estimativa dos números do PIB do segundo trimestre, que deverão manter o crescimento de 0,4% apresentado na leitura preliminar. Teremos os números da balança comercial do mês de Junho, que deverão apresentar, segundo as previsões, um défice de 2,2 mil milhões de euros, após os 5 mil milhões do mês anterior. Iremos ter ainda dados da variação do emprego no segundo trimestre que deverão manter o crescimento de 0,1% do trimestre anterior, com a medida anual a manter-se nos 0,5%. Na Alemanha, o índice de preços grossistas deverá mostrar uma queda mensal de 0,2%, desacelerando da queda de 0,7% no mês anterior, enquanto em França a leitura final da inflação deverá confirmar a subida dos preços de 0,6% em Julho.
Reino Unido
As atenções vão especialmente para os dados do crescimento económico, com a divulgação do PIB do mês de Junho onde as previsões apontam para uma contracção de 0,1%, após o crescimento de 0,1% no mês anterior. O PIB preliminar do segundo trimestre deverá apresentar um crescimento de 0,4%, desacelerando do de 0,6% no trimestre anterior.
Teremos também os números da balança comercial de bens, com as previsões a apontarem para um défice de 20,3 mil milhões de libras, após o de 18,7 mil milhões do mês anterior. A produção industrial deverá apresentar um crescimento de 0,1%, após a queda de 0,5% anterior e a produção de construção uma queda de 0,4%, ainda assim melhor do que a queda anterior de 0,8%. Os números preliminares do investimento empresarial, segundo as estimativas, deverão mostrar uma queda de 0,4%, após o aumento de 0,9% anterior. Iremos ter ainda o índice RICS do preço dos imóveis e o monitor das vendas a retalho do BRC que deverá desacelerar de 1,7% para 1,5%.
Canadá
Uma semana mais tranquila onde iremos começar por ter os números das licenças de construção que, segundo as estimativas, deverão mostrar um aumento de 1%, após a queda de 1,7% no mês anterior.
A semana termina com os números das vendas manufactureiras, onde as previsões mostram uma redução de 0,1%, após o aumento de 1,3% no mês anterior, e as vendas grossistas que deverão mostrar um crescimento de 2,7% em Junho, depois da estagnação observada em Maio.
Suíça
Por aqui as atenções vão para a divulgação do PIB do segundo trimestre no último dia da semana, onde as previsões apontam para um crescimento de 0,5%, após o de 0,4% do primeiro trimestre.
Antes iremos ter o índice de preços do produção e de importação, que deverá mostrar um aumento em Julho de 0,3%, após a queda de 0,3% em Junho.
China
Durante o fim de semana tivemos a divulgação dos dados da inflação do mês de Julho, que mostraram uma queda inesperada dos preços em termos mensais de 0,1%, face a um aumento estimado de 0,2%, onde a inflação anual caiu de 1% para 0,5%, abaixo dos 0,8% previstos.
O índice de preços no produtor mostrou uma maior desaceleração do que o esperado em termos homólogos de 4,1% para 3,5%, face a 3,8% estimados.
Durante esta semana iremos ter os números dos novos empréstimos em yuans, com as previsões a apontarem para uma queda acentuada dos 1610 mil milhões no mês de Junho, para 45 mil milhões em Julho, e ainda os números da conta corrente do segundo trimestre, que deverão mostrar um saldo positivo de 150 mil milhões de dólares, abaixo dos 184,3 mil milhões do trimestre anterior.
Japão
A semana começa com os números dos empréstimos bancários que, em termos homólogos em Julho, deverão mostrar um aumento de 5,7%, em linha com o mês anterior. A conta corrente do mês de Junho deverá mostrar um saldo positivo de 2,50 triliões de ienes, caindo dos 3,06 triliões do mês anterior. Teremos ainda o índice de confiança dos observadores económicos que deverá subir ligeiramente de 44,0 para 44,6.
Na quarta-feira teremos os números preliminares de Julho das encomendas de maquinaria que deverão mostrar um aumento de 42%, desacelerando dos 52,8% do mês anterior, e ainda o índice Reuters Tankan de Agosto, que deverá mostrar uma ligeira subida de 13 para 14.
Na quinta-feira teremos a divulgação do índice de preços do produtor, onde a medida mensal deverá mostrar uma aceleração dos 0,4% do mês anterior para 0,6% e a anual de 7,1% para 7,4%.
Nova Zelândia
As atenções esta semana voltam-se para as expectativas trimestrais da inflação para os próximos dois anos, onde o consenso aponta para uma aceleração dos 2,53% no trimestre passado, para 2,7%. Teremos ainda o índice manufactureiro BusinessNZ, onde o consenso espera ver um ligeiro recuo dos 59,7 do mês anterior, para 58,4.
Austrália
Com uma agenda económica bastante vazia esta semana, as atenções vão para o índice NAB de confiança empresarial, onde as estimativas apontam para uma queda dos -5 do mês de Junho para -6 em Julho.
Teremos ainda os empréstimos imobiliários do segundo trimestre, onde as previsões apontam para uma queda de 2,3%, após a de 4,3% no trimestre anterior, e o financiamento imobiliário para investimento que deverá acelerar da queda de 3% no primeiro trimestre, para 6,4% no segundo trimestre.
Bancos Centrais

O Reserve Bank of Australia
O banco central australiano deverá manter a taxa directora nos 4,35% na reunião de política monetária desta semana, num contexto em que a inflação tem vindo a desacelerar mais rapidamente do que o banco central previa.
No segundo trimestre, o IPC recuou para 3,9% em termos homólogos, bastante abaixo dos 4,8% projectados pelo RBA, reflectindo sobretudo a menor pressão dos custos da habitação e dos transportes. Apesar de a inflação dos serviços ter acelerado para 4,0%, a medida de inflação subjacente preferida pelo banco central, a “trimmed mean”, também ficou abaixo das expectativas, ao situar-se em 3,6%, contra uma previsão de 3,8%.
Os dados reforçam assim a percepção de que as pressões sobre os preços estão a perder força de forma mais rápida do que o RBA antecipava. Neste cenário, o banco central deverá optar por manter a actual política monetária, prolongando a pausa e reduzindo a probabilidade de alterações às taxas até ao final do ano.
O Norges Bank
O banco central da Noruega deverá manter a taxa directora nos 4,25% na reunião de política monetária deste mês de Agosto, mas a inflação elevada continua a limitar a margem para uma mudança de orientação.
A inflação subjacente permanece acima do objectivo de 2%, enquanto a evolução dos salários e dos custos mantém alguma pressão sobre os preços. Apesar de a actividade económica dar sinais de moderação, o banco central tem indicado que poderá voltar a subir os juros se as pressões inflacionistas persistirem.
A reunião deverá, por isso, centrar-se sobretudo na mensagem deixada para os próximos meses. Com o Norges Bank a projectar uma taxa directora ligeiramente acima de 4,5% no final do ano, a possibilidade de nova subida continua presente, mantendo a coroa norueguesa sensível às decisões e ao discurso do banco central.