EUR/USD
Semanal
O mercado de trabalho desiludiu e as expectativas de subida de taxas de juro por parte da Fed recuaram. Iremos ter nova surpresa esta semana no relatório da inflação do mês de Julho?
Na semana passada perguntava a mim mesmo se o aumento da volatilidade seria para continuar, tendo em conta especialmente a divulgação do relatório do mercado de trabalho. A resposta, para já, veio esta semana e foi claramente um não!
Apesar da surpresa revelada pelo relatório, que mostrou que a economia norte-americana eliminou 23 mil postos de trabalho em Julho, com a revisão dos últimos dois meses em baixa de 103 mil. A taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%, mas o motivo não foi o melhor. O movimento resultou sobretudo de uma nova redução da população activa, com cerca de 250 mil pessoas a abandonarem o mercado de trabalho. A taxa de participação caiu para 61,4%, um nível que, excluindo o período da pandemia, não era observado desde a década de 1970.
Mas o EUR/USD, apesar de tudo isto, não foi além de um intervalo entre 1,1500 e 1,1580, valor que atingiu aquando da divulgação dos NFP.
Poderíamos argumentar que os elevados níveis dos preços energéticos, a “mini crise” política no seio da União Europeia com o caso do movimento migratório em Ceuta, ou ainda os fogos e os baixos níveis dos rios europeus, poderiam estar a colocar pressão sobre o euro. Mas não me parece que seja uma justificação completa, na medida em que o próprio índice do dólar, o DXY, também não registou um movimento que se pudesse definir como “volátil”.
Talvez seja do mês de férias, de Agosto! Ou da falta de “forward guidance” que Kevin Warsh tanto aprecia, apesar de isso colocar mais pressão nos mercados em torno da divulgação dos dados económicos.
Mas, ainda assim, as expectativas de subida de taxas da Fed recuaram. A FedWatch Tool, que mostrava antes dos NFP uma probabilidade de cerca de 55% para uma subida, terminou a semana nos 45%. Probabilidade essa que tem vindo a cair nas últimas semanas.
Mas aparentemente (estamos um pouco cegos relativamente ao que “pensa” a Fed) a inflação estará bem mais no centro das atenções do banco central norte-americano do que os dados do emprego, e uma surpresa nesta semana poderá levar a um aumento da volatilidade no dólar e, consequentemente, no EUR/USD.
Os mercados esperam por uma subida mensal dos preços em Julho de 0,1%, após a queda de 0,4% no mês anterior, com a inflação homóloga a cair de 3,5% para 3,4%. Esperam ver também a inflação subjacente anual a cair de 2,6% para 2,5%.
Uma surpresa em alta poderá levar a um repricing por parte dos mercados das expectativas de taxas da Fed, impulsionando novamente as yields obrigacionistas e levando o dólar a recuperar. Não me espantaria ver de novo o EUR/USD abaixo dos 1,1500, voltando a negociar no intervalo 1,1400/1,1500.
Já uma leitura mais “soft” da inflação poderá levar os mercados a duvidarem ainda mais de uma mexida por parte da Fed na próxima reunião de Setembro, trazendo novas pressões sobre o dólar e dando um novo impulso ao EUR/USD, provavelmente levando-o para lá dos 1,1600.
No meio de tudo isto temos sempre de contar com um outro “post” de Trump sobre temas que vão desde o Médio Oriente às tarifas, ou ainda com novas ameaças sobre membros da Fed, como Powell ou Cook. O retomar deste último tema certamente colocará pressão sobre os activos norte-americanos. Lembram-se do “Sell America”?
Uma boa semana para todos!
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD manteve-se a negociar num intervalo apertado entre um mínimo de 1,1500 e um máximo de 1,1580, dentro da área de consolidação que regista há mais de um ano e em torno da média móvel das 21 semanas.
A linha de MACD segue abaixo da linha neutra e da linha de sinal, mas o “momentum” negativo do par desacelera e onde o RSI recupera para níveis em torno da linha média de 50.
O mínimo de Agosto 2025 a 1,1390 resistiu ao forte teste das últimas semanas. O ultrapassar da resistência dada pela média móvel das 21 semanas, de momento a 1,1566, poderá colocar o par na direcção de um teste ao limite superior da área mais apertada de consolidação, nos 1,1830.
O retorno ao suporte a 1,1390 e o break do mesmo levará o mercado a voltar a avaliar a possibilidade de mais perdas para o par, onde os próximos suportes se encontram nas referências dadas pelo máximo de 2023 a 1,1275, seguido do máximo de 2024 a 1,1214.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD manteve-se dentro da Nuvem de Ichimoku diária, testando o seu limite superior (Senkou B), que de momento se encontra a 1,1560, registando um máximo de 1,1580, mas terminou a semana nos 1,1555.
O MACD continua acima da linha neutra e da linha de Sinal, mantendo o “momentum” ascendente crescente, onde o RSI segue longe de situação de sobre compra.
O quebrar da área de resistência 1,1560/1,1580, dada por Senkou B e o máximo da semana passada, poderá levar o EUR/USD a testar a próxima importante referência (e resistência) dada pela média móvel dos 200 dias, de momento a 1,1626.
O ultrapassar dessa resistência irá expor a próxima referência a 1,1685, dada pelo máximo do último dia de Maio.
Uma inversão da recente tendência ascendente irá encontrar um primeiro suporte no mínimo da semana passada a 1,1500. O quebrar deste nível poderá levar a um teste ao suporte dado por Senkou A diário (de momento a 1,1452), antes da área de suporte mais forte 1,1390/1,1410.
Resistências - Suportes
1,1580 - 1,1500
1,1626 - 1,1452
1,1685 - 1,1390