Café da Manhã
Mercados entre Fed e Ormuz
As bolsas começam a semana positivas, apoiadas pela expectativa de uma Fed menos agressiva. O petróleo sobe com o impasse em Ormuz, enquanto o dólar recua e o euro recupera terreno.
As negociações entre os Estados Unidos e o Irão, ou a ausência de progressos concretos, continuam a dominar o fluxo de notícias e a condicionar o comportamento dos mercados.
O Irão afirmou no domingo que um acordo com Omã para definir novas rotas de navegação no Estreito de Ormuz está na fase final, mas reiterou que a reabertura da passagem dependerá do cumprimento de outras condições por parte dos Estados Unidos. Um cenário que, para já, parece pouco provável.
Ao mesmo tempo, os Houthis afirmam ter retomado os ataques à cidade portuária de Mocha, no Mar Vermelho, aumentando a preocupação entre os operadores que utilizam o estreito de Bab el-Mandeb. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou entretanto que o Estreito de Ormuz acabará por se tornar “irrelevante”, à medida que o transporte de petróleo seja redireccionado através de oleodutos.
Nas bolsas norte-americanas, o sentimento permaneceu positivo, depois de os dados do mercado de trabalho norte-americano terem reforçado as expectativas de que a Reserva Federal não deverá avançar com uma subida das taxas de juro na reunião de Setembro.
Os dados de Julho foram particularmente fracos, com a economia norte-americana a perder 23 mil postos de trabalho, quando o mercado esperava a criação de 80 mil. As revisões acumuladas dos meses de Maio e Junho foram igualmente negativas, em 103 mil empregos. A taxa de desemprego desceu, contudo, para 4,1%, mas acompanhada por uma queda da taxa de participação para 61,4%, o nível mais baixo desde Fevereiro de 2021.
O Dow Jones ganhou 0,27%, o S&P 500 avançou 0,62% e o Nasdaq 100 subiu 1,19%.
No início desta semana, as bolsas asiáticas seguiram o caminho deixado pelas suas congéneres norte-americanas na passada sexta-feira. O Nikkei destacou-se com uma subida de 2,22%, enquanto o Hang Seng avançou 1,06% e o Kospi ganhou 0,65%. O Shanghai Composite avançou 0,67% enquanto o Shenzhen Composite recuou 0,16%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu 0,33%.
Na Europa, as principais praças começaram a semana praticamente inalteradas, numa sessão de maior prudência antes de uma semana marcada por vários indicadores económicos, incluindo os dados do PIB da Zona Euro e do Reino Unido.
No mercado petrolífero, a ausência de um acordo sobre Ormuz continua a sustentar os preços. O Brent segue a negociar em torno dos 83,80 dólares por barril, enquanto o WTI ronda os 78,30 dólares, num contexto agravado pelas notícias de novos ataques no Mar Vermelho.
No mercado cambial, o dólar inicia a semana em queda, depois de os dados do emprego terem reduzido as expectativas de uma subida das taxas da Fed em Setembro. O índice DXY chegou a recuar para 99,30 pontos e negoceia agora próximo de 99,50, enquanto o EUR/USD se mantém acima de 1,1550.
O iene japonês continua a corrigir parte dos ganhos obtidos após a recente intervenção cambial, com o USD/JPY a negociar em torno de 158,50 e o EUR/JPY próximo de 183,30.
A libra esterlina começa a semana em alta, com o GBP/USD novamente acima de 1,3500 e o EUR/GBP em 0,8560. Também o franco suíço apresenta um desempenho positivo, com o USD/CHF próximo de 0,8080 e o EUR/CHF em 0,9340.