Café da Manhã
E ainda Ormuz

Café da Manhã E ainda Ormuz

O impasse entre os EUA e o Irão mantém a pressão sobre o petróleo e reacende os receios de inflação e juros elevados. As bolsas recuam, enquanto o dólar recupera e o iene perde terreno.

Os mercados accionistas iniciam a sessão desta terça-feira com um tom prudente, perante a ausência de progressos concretos nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão para a reabertura do Estreito de Ormuz.

As exigências apresentadas por Teerão, que incluem compensações de guerra e o fim do bloqueio aos navios iranianos, chocam com as condições colocadas por Washington, reduzindo as expectativas de uma solução rápida para o impasse.

Em Wall Street, os principais índices terminaram a sessão de segunda-feira em terreno negativo. O Dow Jones recuou 0,11%, o Nasdaq 100 perdeu 0,32% e o S&P 500 desceu 0,06%. A subida do preço do petróleo voltou a alimentar os receios de que a inflação possa permanecer elevada durante mais tempo, condicionando a margem de manobra da Reserva Federal.

Na Ásia, a sessão apresenta um comportamento misto. O Kospi sul-coreano subiu 0,73%, enquanto o Hang Seng recuou 1,15% e os índices de Xangai e Shenzhen perdem cerca de 0,80%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 avançou 0,19%, depois de o RBA ter mantido a taxa directora em 4,35%. No Japão, os mercados encontram-se encerrados devido a feriado.

Na Europa, a abertura é igualmente marcada pela cautela, com o Euro Stoxx 50 praticamente inalterado. O DAX recua 0,31%, o CAC 40 perde 0,17% e o FTSE 100 desce 0,21%.

O petróleo voltou a acelerar perante o agravamento das posições de Washington e Teerão. O Irão considera que a reabertura do Estreito de Ormuz está dependente do cumprimento de várias exigências, enquanto Donald Trump insiste que os EUA mantêm o controlo da estratégica passagem marítima e exige compensações ao Irão.
O impasse aumenta a incerteza sobre o futuro do principal corredor mundial para o transporte de petróleo, mantendo o crude em máximos recentes.

A pressão sobre o mercado energético é ainda agravada pela redução das reservas estratégicas norte-americanas. Os stocks da Strategic Petroleum Reserve caíram 6,1 milhões de barris na última semana, para 298,7 milhões, descendo pela primeira vez em mais de quatro décadas abaixo dos 300 milhões de barris.
Recorde-se que, em Março, a Administração Trump ordenou a libertação de 172 milhões de barris das reservas estratégicas, numa tentativa de conter a subida dos preços provocada pelo conflito com o Irão.

O Brent negoceia actualmente nos 89,40 dólares por barril, enquanto o WTI ronda os 83,80 dólares.

No mercado cambial, o dólar recupera terreno depois das perdas registadas no final da semana passada. O índice DXY voltou a superar os 99,70 pontos, enquanto o EUR/USD negoceia próximo de 1,1535.
O iene continua a perder parte dos ganhos obtidos após a intervenção conjunta dos Estados Unidos e do Japão no mercado cambial. O USD/JPY regressou acima dos 159,00, pela primeira vez desde a intervenção do final de Julho, enquanto o EUR/JPY se aproxima dos 184,00.
A libra mantém a tendência positiva, com o GBP/USD a negociar em torno de 1,3500 e o EUR/GBP próximo de 0,8545.
O franco suíço permanece relativamente estável, com o USD/CHF em 0,8110 e o EUR/CHF em 0,9355.
O dólar australiano recua depois de o RBA ter mantido a taxa directora em 4,35%, em linha com as expectativas. A perspectiva de um mercado de trabalho mais fraco e de uma desaceleração do sector imobiliário poderá limitar a actividade económica e contribuir para uma moderação adicional da inflação, reduzindo a necessidade de novas subidas de juros.
O AUD/USD recua para 0,7050, enquanto o EUR/AUD negoceia próximo de 1,6365.


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