Café da Manhã
A inflação e a Fed

Café da Manhã A inflação e a Fed

A tensão entre EUA e Irão mantém os mercados cautelosos. O petróleo aproxima-se dos máximos e o dólar estabiliza, enquanto a inflação dos EUA poderá definir as próximas decisões da Fed.

A incerteza em torno das negociações entre os Estados Unidos e o Irão continua a condicionar o sentimento dos investidores, enquanto os mercados aguardam pelos dados da inflação norte-americana, que poderão ser decisivos para as expectativas em torno da próxima decisão da Fed.

Wall Street encerrou a sessão de ontem em terreno negativo, com os investidores cada vez mais cépticos quanto à possibilidade de um acordo entre Washington e Teerão que permita a reabertura do Estreito de Ormuz. A tensão aumentou ainda com o ataque dos Houthis a mais um navio saudita.
O Dow Jones recuou 0,34%, o S&P 500 perdeu 0,32% e o Nasdaq 100 caiu 0,60%. Entre os títulos em destaque pela negativa, a Honeywell recuou 5,27% e a AppLovin perdeu 5,99%.

Apesar da pressão sobre os principais índices, os resultados empresariais continuam a revelar a força do investimento em inteligência artificial. A CoreWeave disparou 16% nas negociações após o fecho, depois de apresentar um crescimento das vendas superior ao esperado, enquanto a Super Micro Computer avançou 7,6%, beneficiando de uma previsão de receitas acima das estimativas.

Na Ásia, a sessão foi mais positiva, embora com desempenhos distintos. O Kospi sul-coreano disparou 3,68%, impulsionado pelas empresas tecnológicas, com a Samsung e a SK Hynix a valorizarem cerca de 7%. O Nikkei japonês ganhou 0,99%, enquanto o Shanghai Composite avançou 0,32%. Em sentido contrário, o Hang Seng caiu 1,07% e o ASX 200 australiano perdeu 0,45%.

Na Europa, o arranque da sessão é igualmente misto, com o Euro Stoxx 50 a ganhar 0,05%, o DAX 0,16% e o CAC 40 a recuar 0,20%. O FTSE 100 negoceia praticamente inalterado.

O petróleo continua próximo dos máximos recentes, com o Brent a negociar em torno dos 89,70 dólares e o WTI nos 84,00 dólares.
A subida reflecte sobretudo o agravamento das dúvidas em torno das negociações entre os Estados Unidos e o Irão. Apesar de o ministro da Defesa do Paquistão considerar que as duas partes estarão próximas de um entendimento, Washington e Teerão parecem estar a endurecer as respectivas posições.
Os ataques a dois navios reforçam, entretanto, os receios de perturbações no fornecimento de petróleo proveniente do Médio Oriente. A evolução dos inventários norte-americanos, que apontaram para um aumento das reservas de crude, acaba por ter um impacto secundário perante o risco geopolítico.

O mercado cambial começa o dia praticamente inalterado, numa altura em que os investidores aguardam os dados da inflação nos Estados Unidos. A evolução dos preços no consumidor poderá contribuir para clarificar as expectativas em torno de uma eventual subida das taxas de juro pela Fed já na reunião de Setembro.
A FedWatch Tool da CME apresenta, neste momento, probabilidades muito semelhantes entre uma subida das taxas e a manutenção dos actuais níveis, tornando os dados de hoje particularmente relevantes para o mercado.
O dólar negoceia próximo dos níveis de fecho de terça-feira, com o índice DXY nos 99,75 pontos e o EUR/USD em 1,1535.
No Japão, o iene voltou a perder terreno, aumentando a especulação em torno de uma eventual intervenção das autoridades. O USD/JPY mantém-se acima de 159,00, aproximando-se novamente da zona dos 160, um nível particularmente sensível para o mercado. O EUR/JPY negoceia em torno de 184,00.
Na libra, o GBP/USD encontra-se nos 1,3500, enquanto o EUR/GBP negoceia a 0,8545. O franco suíço regista perdas ligeiras, com o USD/CHF nos 0,8120 e o EUR/CHF nos 0,9370.


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