Semana Revista
Ormuz, inflação e mercados

Semana Revista Ormuz, inflação e mercados

A descida da inflação nos EUA animou as bolsas, mas as tensões entre Washington e Teerão mantiveram o petróleo sob pressão. Entre Ormuz, dívida e IA, os mercados continuam divididos entre optimismo e prudência.

A segunda semana de Agosto ficou marcada pelo confronto entre dois factores com impactos distintos nos mercados financeiros: por um lado, os sinais de moderação da inflação norte-americana, que reduziram a pressão sobre a Reserva Federal; por outro, a crescente incerteza em torno das negociações entre os Estados Unidos e o Irão e do futuro do Estreito de Ormuz, que voltou a colocar o petróleo e os riscos inflacionistas no centro das atenções.




No plano geopolítico, surgiram sinais de progresso nas negociações entre o Irão e Omã para encontrar uma solução que permita retomar a circulação marítima no Estreito de Ormuz. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, confirmou que as conversações estão na fase final, mas deixou claro que um eventual acordo não significará automaticamente a reabertura do estreito. Teerão continua a exigir novas concessões por parte de Washington, incluindo a retirada das forças norte-americanas, compensações pelos danos provocados pela guerra e um alívio das sanções.

A resposta de Donald Trump foi precisamente no sentido contrário, com o Presidente norte-americano a aumentar a pressão sobre Teerão e a exigir, entre outras condições, compensações por mortes ocorridas durante guerras, ataques e protestos.
Entretanto, a posição de Washington permanece particularmente dura. O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que a Marinha dos EUA tem capacidade para manter indefinidamente o bloqueio aos portos iranianos, garantindo a rotação dos meios navais necessários para sustentar a operação. As declarações surgem numa altura em que os EUA estarão a preparar o envio do porta-aviões USS George Washington para o Médio Oriente, em substituição do USS Abraham Lincoln, actualmente envolvido na operação militar contra o Irão.

A manutenção do bloqueio e o reforço da presença militar norte-americana reduzem, para já, as expectativas de uma reabertura rápida do Estreito de Ormuz.





A escalada retórica voltou a afastar a perspectiva de um acordo imediato e contribuiu para prolongar a recuperação do preço do petróleo.

O Brent chegou a ultrapassar os 90 dólares por barril durante a semana, antes de corrigir com as notícias de que Washington e Teerão poderiam estar próximos de algum entendimento. A recuperação foi, contudo, rapidamente retomada depois de novos incidentes no Golfo e no Mar Vermelho, incluindo ataques a navios e uma acção militar norte-americana no Golfo de Omã. A percepção de que a circulação de petróleo através de Ormuz poderá continuar condicionada durante algum tempo voltou a dominar o mercado.

A situação é particularmente delicada porque os stocks de petróleo da Reserva Estratégica norte-americana caíram para 298,7 milhões de barris, o nível mais baixo desde 1983 e, pela primeira vez em mais de quatro décadas, abaixo dos 300 milhões de barris. A libertação de reservas ordenada por Trump em Março, num esforço para limitar o impacto da guerra sobre os preços da energia, reduziu significativamente a margem de segurança de Washington.

O mercado petrolífero continua, assim, dependente da evolução diplomática. Qualquer sinal credível de acordo poderá provocar uma correcção rápida, aproximando novamente o Brent dos mínimos recentes, em torno dos 80 dólares. Pelo contrário, uma deterioração do conflito ou uma interrupção mais prolongada dos fluxos de crude, poderá manter o petróleo próximo dos 90 dólares, ou provocar uma nova aceleração dos preços.

Foi uma semana de ganhos nos mercados petrolíferos, onde o Brent avançou 6% e o WTI 5,4%, com o primeiro a terminar a semana a negociar a 88,60 dólares por barril e o segundo a 81,50 dólares, ainda assim a recuarem de máximos acima de 90 e 84 dólares, respectivamente.

Gráfico Fonte XTB xStation 5





Inflação dá algum espaço à Fed

Nos Estados Unidos, o principal acontecimento económico da semana foi a divulgação da inflação de Julho. O índice de preços no consumidor aumentou 0,1% em termos mensais e 3,4% em termos homólogos, contra 3,5% anteriormente. A inflação subjacente subiu 0,2% no mês, enquanto a taxa anual recuou de 2,6% para 2,5%, atingindo o nível mais baixo desde Março de 2021.

Os dados foram recebidos positivamente pelos mercados, uma vez que reduzem, pelo menos temporariamente, a pressão para uma subida das taxas de juro em Setembro. A probabilidade implícita de uma subida de 25 pontos base caiu de cerca de 50% para 40%, tendo posteriormente caído para menos de um terço.

Mas a leitura da inflação está longe de ser inequívoca. Embora os dados mais recentes sejam encorajadores, a inflação continua acima do objectivo de 2% da Fed e a componente PCE, a medida preferida pelo banco central, permanece significativamente mais elevada. A própria Fed enfrenta opiniões cada vez mais divergentes sobre o próximo passo.

Beth Hammack, presidente da Fed de Cleveland, voltou a defender uma postura mais agressiva, argumentando que poderá ser necessário subir as taxas para garantir o regresso da inflação aos 2%. Por outro lado, Raphael Bostic e outros responsáveis reconhecem a melhoria recente dos indicadores de preços e defendem que é necessário avaliar se a tendência de desinflação é sustentável.

Esta divisão é particularmente relevante num momento em que a independência da Fed volta a estar sob pressão política. Donald Trump renovou as críticas ao banco central e voltou a pressionar a governadora Lisa Cook, reacendendo as dúvidas sobre a capacidade da Fed para preservar a sua independência face à Casa Branca. Para os mercados obrigacionistas, esta questão é tão importante como a própria trajectória das taxas de juro.





Obrigações continuam a ser uma fonte de preocupação

Apesar do alívio proporcionado pelos dados de inflação, o mercado de dívida norte-americano continuou a enviar sinais de alerta. O Tesouro dos Estados Unidos vendeu obrigações a 30 anos com uma taxa de 5,216%, o nível mais elevado numa emissão deste prazo desde 2001. A emissão a 10 anos também registou a taxa mais elevada desde 2007.

A questão já não é apenas a política monetária. O crescimento do défice orçamental norte-americano e a necessidade crescente de financiamento obrigam o Tesouro a oferecer rentabilidades mais elevadas para atrair investidores. A concorrência por capital está também a aumentar, tanto nos Estados Unidos, devido ao investimento em inteligência artificial, como na Europa, onde os governos se preparam para aumentar significativamente a despesa com defesa.

A Fitch manteve a notação de crédito dos Estados Unidos em AA+, mas alertou para a vulnerabilidade do país perante choques económicos, devido aos elevados défices orçamentais. A agência salientou ainda que a dívida pública norte-americana é superior ao dobro da mediana dos países com a mesma classificação.





O mercado accionista, contudo, conseguiu ignorar grande parte destas preocupações. A combinação entre, uma inflação mais moderada, a redução das expectativas de subida de juros e os fortes resultados empresariais, permitiu aos principais índices norte-americanos atingir novos máximos históricos.

O entusiasmo em torno da inteligência artificial continua a ser um dos principais motores das bolsas. Os resultados do segundo trimestre das empresas do S&P 500 apontam para um crescimento anual dos lucros superior a 50%, enquanto algumas das companhias mais directamente expostas à construção da infra-estrutura de IA voltaram a surpreender.

As acções da CoreWeave e da Super Micro Computer subiram cerca de 20% numa única sessão após a divulgação dos resultados, reforçando a percepção de que o investimento em centros de dados, semicondutores e capacidade computacional continuará a crescer.

Este movimento começa também a alimentar expectativas de novas grandes operações no sector tecnológico. O interesse em torno de potenciais IPO de empresas de inteligência artificial voltou a aumentar, num sinal de que o apetite pelo tema permanece elevado apesar das avaliações exigentes.

O entusiasmo em torno da IA constitui, simultaneamente, uma força e um risco para os mercados. Por um lado, o investimento está a sustentar lucros, produtividade e crescimento. Por outro, a dimensão do investimento necessário aumenta a procura por capital e contribui para manter as taxas de juro de longo prazo sob pressão.


Na Ásia, enquanto as principais bolsas na China e na Austrália registaram perdas, na Coreia do Sul e no Japão mostraram sólidas recuperações. Após duas semanas consecutivas de perdas, o índice Kospi ganhou esta semana 11,5%, destacando-se dos demais. O índice Nikkei do Japão ganhou 4,74%, enquanto o Topix subiu 3%. Na Austrália, o ASX 200 caiu 1,60%. Na China, o Shanghai Composite e o CSI 300 recuaram, respectivamente, 0,33% e 0,61%, enquanto o Hang Seng liderou as perdas ao cair 2,15%.

Na Europa foi também uma semana mista. O Euro Stoxx 600 recuou 0,36%, enquanto o Euro Stoxx 50 avançou 0,20%. O DAX alemão foi o que mais avançou (0,43%), enquanto o FTSE 100, no Reino Unido, foi o que mais perdeu (-1,38%). Em França, o CAC 40 caiu 0,90%. Por cá, por Portugal, o PSI 20 avançou 0,80%.

Nos Estados Unidos, enquanto o S&P 500 terminou a semana com um novo fecho recorde, somando esta semana 0,36%, o índice Dow Jones recuou 0,56% e o Nasdaq terminou pouco alterado dos níveis de fecho da semana anterior (+0,14%).

Gráfico Fonte XTB xStation 5





Bancos centrais mantêm uma postura prudente

Fora dos Estados Unidos, os bancos centrais mantiveram igualmente uma postura cautelosa.

Na Austrália, o RBA manteve a taxa directora em 4,35%, depois de três subidas durante o primeiro semestre. Apesar de reconhecer que a política monetária já é restritiva e que o consumo está a desacelerar, a governadora Sandra Bullock manteve um discurso bastante hawkish, sublinhando que os riscos para a inflação continuam inclinados em sentido ascendente.

Na Noruega, o Norges Bank manteve a taxa em 4,25%, mas alterou ligeiramente a sua orientação. Depois de ter considerado em Junho que poderia ser necessário voltar a subir os juros, passou agora a admitir apenas que "poderá ser necessário" fazê-lo. A inflação subjacente mais fraca contribuiu para esta alteração, embora o banco central continue a considerar necessária uma política monetária restritiva.



Dados Económicos




Nos Estados Unidos as atenções estiveram especialmente voltadas para os dados da inflação, que saíram bem em linha com as previsões dos mercados. O índice de preços do consumidor do mês de Julho mostrou uma subida mensal nos preços de 0,1%, com a inflação homóloga a cair de 3,5% para 3,4%. Sem alimentos nem energia, os preços em termos mensais subiram 0,2%, com a inflação subjacente anual a cair de 2,6% para 2,5%. Tudo exactamente em linha com o estimado pelos mercados.
Já a inflação à porta das fábricas ficou abaixo das estimativas do mercado. Em termos mensais, o índice de preços no produtor mostrou em Julho uma estagnação, face a uma subida prevista de 0,1%, e onde sem alimentos nem energia os preços subiram 0,2%, com os números de Junho a serem revistos em alta, mostrando um aumento de 0,4%.
Após um primeiro dia vazio de indicadores económicos, a semana começou com a divulgação dos dados semanais do emprego da ADP que mostraram uma queda para 8.300 de média de postos de trabalho de média nas quatro semanas que terminaram a 25 de Julho. Tivemos também o índice NFIB de pequenas e médias empresas que subiu de 97,4 para 99,8, superando as estimativas do mercado, e ainda as vendas de casas existentes que registaram uma queda em Julho de 1,7%, maior do que a prevista de 0,7%.
Tivemos os habituais números semanais dos novos pedidos de subsídio de desemprego que mostraram um aumento dos 200 mil nas semanas anteriores, para 209 mil.
A semana terminou com dados das vendas a retalho, confiança do consumidor e expectativas de inflação. As vendas a retalho em Julho caíram inesperadamente 0,6%, face a um crescimento esperado e do mês anterior de 0,2%, onde sem venda de gasolina nem de automóveis caíram 0,3%, de 0,4% do mês anterior, para 0,5%, com o grupo de controlo a cair 0,4% face a um aumento esperado de 0,6%.
Os dados da confiança do consumidor da Universidade de Michigan mostraram um recuo dos 55,2 para 51, bem mais do que a queda esperada para 54, com as expectativas de inflação de curto prazo a subirem inesperadamente de 4,2% para 4,3% e as de mais longo prazo a manterem-se nos 3,3% para 3,2%.
Tivemos ainda os números dos inventários empresariais que se mantiveram estáveis.

Na Zona do Euro tivemos uma semana com uma agenda económica bem mais ligeira.
Começou com a divulgação do índice de confiança do investidor Sentix que superou as estimativas do mercado ao recuperar de -3,1 para 0,09, face a -0,7 esperado.
Na terça-feira, em Itália, tivemos a divulgação dos números da balança comercial que apresentaram um excedente de 4,23 mil milhões de euros, abaixo dos 4,74 mil milhões de euros previstos.
Os dados finais do IPC de Julho confirmaram o aumento mensal dos preços na Alemanha e em França de 0,8% e 0,6%, respectivamente, mas em Itália e Espanha as leituras preliminares de 0,2% foram revistas em alta para 0,3%.
A produção industrial da área do euro mostrou uma estagnação em Junho, após os dados de Maio terem sido revistos em alta de -0,2% para 0,3%.
A semana terminou com a divulgação da segunda estimativa dos números do PIB do segundo trimestre, que confirmou o crescimento de 0,4% apresentado na leitura preliminar. Os números da balança comercial do mês de Junho surpreenderam positivamente os mercados apresentando um excedente de 1,8 mil milhões de euros, face a um défice estimado de 2,2 mil milhões. Os dados da variação trimestral do emprego no segundo trimestre saíram em linha com as previsões com um crescimento de 0,1%. Na Alemanha, o índice de preços grossistas mostrou um aumento inesperado de 0,2%, contra estimativas de uma queda mensal de 0,2%.

No Reino Unido o destaque da semana esteve nos dados do crescimento económico, com a divulgação do PIB do mês de Junho, que superaram as previsões do mercado. A economia britânica cresceu 0,3% no mês de Junho, face a uma contracção prevista de 0,1%, com o crescimento do mês anterior a ser revisto em baixo. O PIB preliminar do segundo trimestre apresentou um crescimento de 0,4%, em linha com as estimativas do mercado.
Tivemos também os números da balança comercial de bens, que apresentaram um défice de 23 mil milhões de libras, superior ao esperado de cerca de 20 mil milhões e ainda o do mês anterior a ser revisto de 18,7 para 21,1 mil milhões.
A produção industrial voltou a mostrar uma contracção, desta vez de 0,2%, contrariando estimativas de um crescimento de 0,1%, e ainda com a queda anterior de 0,5% a ser revista para 0,7%.
A produção de construção apresentou uma queda de 0,1%, melhor do que a de 0,4% estimada pelos mercados.
Já os números preliminares do investimento empresarial superaram as estimativas ao mostrarem um aumento de 1,7%, face a uma queda esperada de 0,4%.

No Canadá, uma semana bastante tranquila de dados económicos começou com os números das licenças de construção que superaram largamente as estimativas com um aumento de 18,5%, face a 1% esperado, mas com os números do mês anterior a serem revistos em baixo de uma queda de 1,7% para 3%.
A semana terminou com os números das vendas manufactureiras que superaram as estimativas do mercado aumentando 0,1%, face a previsões de uma redução de 0,1%, e as vendas grossistas mostraram um crescimento de 2,8% em Junho, acima dos 2,7% esperados e depois da estagnação observada em Maio.

Na Suíça as atenções foram para os dados do crescimento económico do segundo trimestre, com o PIB a surpreender, mostrando uma subida de 1,5%, superando largamente os 0,5% previstos e os 0,4% do trimestre anterior.
Antes o índice de preços do produção e de importação mostrou uma queda mensal em Julho de 0,1%, face a um aumento estimado de 0,3%.

Na China tivemos os números dos novos empréstimos em yuans que mostraram uma redução acentuada de 340 mil milhões de yuans, face a um aumento esperado de 45 mil milhões e ainda após os 1610 mil milhões no mês de Junho.

No Japão a semana começou com os números dos empréstimos bancários que mostraram em termos homólogos um aumento de 5,4% em Julho,abaixo dos estimados e do mês anterior de 5,7%. A conta corrente do mês de Junho mostrou também um saldo positivo de 1,4 triliões de ienes, inferior ao esperado de 2,50 triliões de ienes e caindo dos 3,06 triliões do mês anterior.
Tivemos o índice de confiança dos observadores económicos que subiu de 44,0 para 45,7, acima dos 44,6 estimados.
Os números preliminares de Julho das encomendas de maquinaria mostraram um aumento de 50,4%, desacelerando ligeiramente dos 52,8% do mês anterior, mas acima dos 42% estimados pelo mercado, tal como o índice Reuters Tankan de Agosto, que mostrou uma subida de 13 para 18, bem acima dos 14 esperados.
Por fim, tivemos a divulgação do índice de preços do produtor, onde em termos mensais mostrou uma desaceleração dos 0,5% revistos em alta do mês anterior para 0,1%, ficando bem abaixo dos 0,6% estimados, com a medida anual a cair de 7,3% (revista em alta do mês anterior) para 7,2%, abaixo dos 7,4% previstos.

Na Nova Zelândia as atenções voltaram-se para as expectativas trimestrais da inflação para os próximos dois anos, que saíram abaixo dos 2,7% estimados e dos 2,53% no trimestre passado, para 2,34%.
Tivemos ainda o índice manufactureiro BusinessNZ, que recuou dos 60,1, revistos em alta do mês anterior, para 54,3, ficando abaixo dos 58,4 estimados pelo mercado.

Na Austrália foi uma semana bastante ligeira de indicadores económicos. A semana começou com o índice NAB de confiança empresarial que saiu bem em linha com o estimado em -6, em linha com o do mês anterior, revisto de -5 para -6.
Tivemos ainda os empréstimos imobiliários do segundo trimestre que apresentaram uma queda de 1,9%, melhor do que a esperada de 2,3%, e o financiamento imobiliário para investimento acelerou a queda de 3,2% no primeiro trimestre, para 10.2% no segundo trimestre, uma queda superior à de 6,4% estimada pelos mercados.



Mercado cambial



O mês de Agosto está a manter uma volatilidade bem reduzida no mercado cambial. Se na semana anterior ainda houve uma surpresa nos dados do emprego, que poderiam ter feito aumentar bem mais essa mesma volatilidade, esta semana os dados da inflação, exactamente em linha com o esperado pelos mercados ainda deu menos razão para um aumento dessa volatilidade, que se mantém excepcionalmente reduzida, mesmo com toda a instabilidade geopolítica onde vamos vivendo.

As expectativas de subida de taxas de juro por parte da Reserva Federal continuam a recuar. A FedWatch Tool da CME mostra agora uma probabilidade de uma subida em Setembro de cerca de 30%, bem longe de aproximadamente 60% apenas duas semanas atrás.

O índice do dólar DXY, tal como na semana anterior, terminou a semana praticamente inalterado face aos níveis de abertura, depois de negociar num intervalo estreito, entre um máximo de 99,98 e um mínimo de 99,36.

O EUR/USD, que negociou durante praticamente toda a semana em torno de 1,1550, viu a sua volatilidade aumentar ligeiramente no último dia da semana, altura em que registou um máximo da semana a 1,1585. O preço manteve-se entre esse máximo e um mínimo de 1,1511,atingido por breves instantes na quinta-feira.

A libra registou uma semana positiva, com ganhos tanto face ao dólar como ao euro. O GBP/USD manteve-se acima dos 1,3500 praticamente durante toda a semana, registando um máximo dos últimos três meses ao atingir os 1,3562. O EUR/GBP manteve-se em torno de 0,8550, tendo ainda registado um mínimo das últimas três semanas a 0,8525.

Já o franco suíço transacionou esta semana em perdas com algum significado, sendo a divisa que mais volatilidade mostrou. Apesar dos números do PIB terem mostrado um crescimento económico acima do esperado pelos mercados, o índice de preços de importação e do produtor voltou a mostrar uma leitura negativa, face a uma subida estimada de 0,3%. O USD/CHF manteve-se a negociar em torno de 0,8100, terminando perto dos máximos a 0,8130. Já face ao euro, o franco suíço atingiu um mínimo de quase um ano quando o EUR/CHF negociou a 0,9408, o que não se registava desde finais de Agosto do ano passado. Terminou encostado a esse máximo, após ter começado a semana a negociar a 0,9340.

O iene voltou esta semana de novo a negociar em perdas, continuando a recuar dos ganhos atingidos quando da intervenção cambial conjunta dos Estados Unidos e do Japão. Apesar do mercado continuar atento à possibilidade de nova intervenção, o USD/JPY recuou dos mínimos da semana anterior em torno de 155, para terminar esta semana de novo bem acima dos 159, enquanto o EUR/JPY terminou acima de 184, após ter iniciado a semana a negociar a 182,35 e ter recuperado dos mínimos da semana anterior em torno de 179.

De destacar a coroa norueguesa que foi a divisa que mais ganhou esta semana. O seu banco central manteve a sua taxa nos 4,25%. Apesar da sua orientação futura ser menos agressiva daquela mostrada uns meses atrás, ainda assim não fechou a porta a mais um aumento para os 4,50%. Os preços do petróleo em alta, a par da sua taxa de juro, continuam a dar suporte à NOK que avançou cerca de 0,65% face ao dólar e ao euro.

Nas divisas das economias emergentes, o real brasileiro foi o que mais se destacou esta semana, mas pela negativa. Sondagens que colocam Lula da Silva à frente na corrida eleitoral pressionaram desta vez a moeda brasileira que registou uma perda perto de 3% tanto face ao dólar como face ao euro. A leitura do mercado é a de que os activos brasileiros deixaram de oferecer um prémio de risco suficiente para compensar a volatilidade cambial associada à aproximação do ciclo eleitoral, sobretudo na ausência de sinais de correcção da trajectória da dívida pública para 2027.
o peso mexicano foi de novo a moeda emergente que mais valorizou, avançando cerca de 0,6%, tanto face ao dólar como ao euro.

Gráfico Fonte XTB xStation 5





Ouro

Dados da inflação nos Estados Unidos em linha com o esperado levaram a um recuo nas expectativas do mercado relativamente à subida de taxas de juro por parte da Reserva Federal, o que em conjunto com um dólar a negociar em baixa, trouxe novo suporte ao preço do ouro, que terminou pela segunda semana consecutiva em alta.

Se a contínua instabilidade no Médio Oriente também lhe traz suporte, já a subida das yields obrigacionistas continuam a refrear maiores ganhos, com a onça de ouro a terminar a semana a somar cerca de 0,7%.

O preço da onça de ouro terminou a semana a 4.376 dólares, acima dos 4.342 onde fechou a semana passada, mas a recuar de um máximo que atingiu a 4.450 dólares.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



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