A semana que começa
Uma semana mais calma?
Petróleo e Médio Oriente continuam a dominar a atenção dos mercados, enquanto as minutas da Fed e os PMIs europeus poderão dar novas pistas sobre juros e actividade económica.
Esta semana será marcada, uma vez mais, pela evolução do conflito no Médio Oriente e pelo impacto sobre o petróleo. Qualquer sinal de progresso nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão, nomeadamente em torno do Estreito de Ormuz, poderá aliviar a pressão sobre os preços da energia. Em sentido contrário, um agravamento das tensões poderá voltar a alimentar os receios de inflação e penalizar os mercados.

Na quarta-feira, a divulgação das minutas da última reunião da Reserva Federal será um dos principais acontecimentos da semana. O documento poderá esclarecer a discussão em torno da política monetária e dar novas pistas sobre a possibilidade de uma subida dos juros em Setembro, num momento em que os dados recentes sobre emprego e inflação reduziram essas expectativas.

Na Europa, a atenção estará centrada nos índices PMI preliminares de Agosto, que serão divulgados na sexta-feira. Os dados da Alemanha, França e Zona Euro serão importantes para avaliar a evolução da actividade económica e perceber até que ponto os custos energéticos e a incerteza geopolítica estão a afectar a indústria e os serviços.

A semana será também marcada por uma nova vaga de resultados empresariais. Entre os nomes de maior destaque estarão Target e Analog Devices na quarta-feira e Walmart na quinta-feira. Os resultados dos grandes retalhistas poderão dar novas pistas sobre a solidez do consumo norte-americano, enquanto os números da Analog Devices serão acompanhados de perto pelo mercado tecnológico.
Assim, entre geopolítica, petróleo, política monetária, indicadores de actividade e resultados empresariais, os mercados terão vários factores para avaliar numa semana que poderá trazer novas pistas sobre a direcção das principais classes de activos no final do verão.
Dados Económicos

Estados Unidos da América
Uma semana mais tranquila de indicadores económicos que termina com os dados da actividade económica da S&P global.
Começa com o índice manufactureiro de Nova Iorque, onde as estimativas apontam para uma queda dos 15,6 do mês anterior, para 10,6, e ainda o índice de mercado imobiliário NAHB, onde o consenso mostra uma ligeira queda de 34 para 33.
Na terça-feira teremos mais dados do mercado imobiliário. Segundo as previsões, os números das licenças de construção deverão aumentar 1,2% no mês de Julho, após a queda de 2,6% em Junho, enquanto os números do início de construção de imóveis deverão cair 4,7%, após o aumento de 19% no mês anterior. Teremos também os números das vendas pendentes de imóveis, que deverão mostrar um aumento de 0,1% após a redução de 5,4% no mês anterior. Iremos ter ainda os números da produção industrial, onde as previsões mostram um crescimento de 0,3%, acelerando dos 0,1% anteriores e os números semanais do emprego ADP.
Na quinta-feira iremos ter a divulgação do índice manufactureiro da Fed de Filadélfia, com as estimativas a apontarem para uma queda de 41,4 para 24,3, e ainda os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego que se deverão manter em torno dos da semana passada nos 209 mil.
Por fim, na sexta-feira, iremos ter os PMI da S&P global, onde o consenso aponta para que mostrem um abrandamento na actividade económica privada. O índice composto deverá cair de 54,5 para 53,2, onde a indústria transformadora recua de 53,9 para 53,5 e a actividade de serviços de 54,6 para 53,4.
Zona Euro
São também os dados dos PMI que estarão em destaque esta semana e que irão ser divulgados na sexta-feira.
Segundo as estimativas, a actividade manufactureira em França deverá mostrar uma pequena subida de 49,8 para 50, enquanto a de serviços recua de 49,6 para 49,5, com o PMI composto a mostrar uma recuperação da actividade económica de 49,4 para 49,9. Já na Alemanha, o PMI composto deverá recuar de 51,3 para 50,7, com o índice industrial a cair de 52,2 para 52, enquanto o de serviços deverá subir de 49,8 para 50,5.
No agregado da Zona Euro, a actividade económica deverá mostrar um pequeno recuo, com o índice composto a cair de 52 para 51,6, onde o sector manufactureiro recua ligeiramente de 51,9 para 51,8 e o de serviços de 51,7 para 51,5.
Ainda na sexta-feira iremos ter os dados da negociação do crescimento salarial que deverá registar uma ligeira aceleração de 2,46% para 2,50% e o índice de confiança do consumidor, onde as estimativas apontam para uma queda dos -15,9 em Julho, para -16,7 deste mês.
A semana vai começar com o índice alemão de confiança económica ZEW, onde o consenso aponta para uma subida na Zona Euro de 23,4 para 25,4 e na Alemanha de 26,3 para 30,0.
Na quarta-feira teremos os números da conta corrente que, segundo as previsões, deverão mostrar um saldo positivo de 22,1 mil milhões de euros, recuando dos 25,1 mil milhões no mês anterior, e ainda os dados finais da inflação que devrão confirmar as leituras preliminares de 2,9% para a inflação total e de 2,5% para a inflação subjacente.
Quinta-feira iremos ter dados da inflação à porta das fábricas, onde as previsões apontam para que em Julho, os preços mostrem uma subida mensal de 0,5%, após a queda de 0,3% registada em Junho.
Reino Unido
Por aqui iremos ter uma semana bem preenchida de indicadores económicos de primeira linha.
Começamos logo com os do mercado de trabalho. As previsões apontam para que a taxa de desemprego caia de 4,9% para 4,8%. Os ganhos médios incluindo bónus deverão mostrar uma desaceleração de 4,3% em Junho para 4,0% em Julho. O número de pedidos de subsídio de desemprego deverá aumentar dos 6.700 para 11.200.
Seguem-se os dados da inflação na quarta-feira. Os preços em Julho deverão mostrar um aumento mensal de 0,3%, acelerando dos 0,1% do mês anterior, com a inflação em termos homólogos a subir de 2,6% para 2,9%. Sem alimentos nem energia, os preços mensalmente deverão subir 0,3%, em linha com o mostrado no mês anterior, com a medida anual a recuar de 2,6% para 2,5%.
Na quinta-feira teremos o índice CBI das expectativas de encomendas à indústria, onde as estimativas apontam para uma recuperação dos -45 para -40.
A terminar a semana iremos ter os dados da actividade económica, os PMI da S&P Global, que deverão mostrar um ligeiro recuo. O consenso aponta para que o PMI composto recue de 52,2 para 52,1, com a actividade manufactureira a recuar de 51,9 para 51,8 e a de serviços de 52,1 para 52. Os mercados estarão também atentos aos números das vendas a retalho, com as previsões a apontarem para uma queda mensal de 0,4%, após o aumento anterior de 1%. Iremos ter ainda o índice GfK de confiança do consumidor, que se deverá manter nos -17, e os números dos empréstimos líquidos ao sector público, que deverão mostrar uma queda de 100 milhões de libras, após o mês anterior ter aumentado 16 mil milhões.
Canadá
As semana começa com as atenções focadas nos dados da inflação. No mês de Julho os números deverão mostrar que os preços subiram 0,5%, após a queda de 0,4% durante o mês de Junho. A inflação anual deverá mostrar uma subida de 2,8% para 2,9%, e sem energia e alimentos uma subida de 2,1% para 2,2%. O CPI trimmed-mean, a medida observada mais atentamente pelo Banco do Canadá, deverá manter-se nos 1,8%.
Na terça-feira teremos os números do início de construção de imóveis, onde as previsões mostram uma subida dos 239 mil para 249 mil.
A semana termina com os números das vendas a retalho do mês de Junho, onde as estimativas apontam para um aumento de 0,4%, desacelerando dos 1% do mês anterior, com os números preliminares de Julho a poderem mostrar uma queda de 0,5%. Em Junho, excluindo as vendas automóveis, as vendas deverão mostrar um aumento de 0,5%, desacelerando dos 1,2% no mês de Maio.
China
Por aqui iremos ter um início de semana bem preenchido de dados económicos.
O índice de preços de imóveis de Julho, em termos homólogos, deverá mostrar uma queda de 3,4%, após a de 3,3% apresentada em Junho.
As vendas a retalho deverão mostrar uma aceleração dos 1% no mês anterior, para 1,5%.
Os números da produção industrial, segundo as previsões, deverão mostrar um aumento de 5%, desacelerando dos 5,3% registados no mês de Junho.
A taxa de desemprego deverá mostrar uma subida de 5% para 5,1%.
O investimento em activos fixos deverá continuar a cair. As estimativas apontam para uma redução de 6,2%, após 5,7% no mês anterior, tal como o investimento estrangeiro directo que, após a queda de 5% no mês anterior, deverá agora mostrar uma de 6%.
Japão
Também aqui teremos uma semana bastante bem preenchida de indicadores económicos relevantes.
A semana começa com a divulgação dos números preliminares do PIB do segundo trimestre, que deverão mostrar um crescimento trimestral de 0,5%, em linha com o trimestre anterior. Teremos ainda os números de Junho da actividade da indústria terciária, que deverão mostrar uma queda de 0,9%, após uma subida de 1,1% em Maio.
Na quarta-feira teremos os números das encomendas de maquinaria, excepto de navios e centrais de energia, que deverão mostrar um aumento de 7,6%, após a queda de 12,4% no mês anterior.
Na quinta-feira, os números da balança comercial de Julho deverão apresentar um défice de 440 mil milhões de ienes, depois do de 880 mil milhões no mês de Junho.
A semana termina com os dados da inflação e da actividade económica privada. No mês de Julho, os preços em termos mensais deverão mostrar uma subida de 0,1%, desacelerando dos 0,3% de Junho, com a inflação em termos homólogos a manter-se nos 1,7%. A inflação subjacente, sem alimentos frescos, a mais observada pelo Banco do Japão, deverá acelerar dos 1,6% em Junho, para 1,8% em Julho. Segundo o consenso, os dados da S%P Global deverão mostrar uma ligeira aceleração na actividade económica, com o índice composto a subir de 52,7 para 52,8. O PMI da indústria transformadora deverá subir de 54,5 para 54,9, e o de serviços de 51,2 para 51,5.
Nova Zelândia
A semana começa com a divulgação do índice de serviços BusinessNZ que, segundo as estimativas, deverá mostrar uma subida de 50,6 para 51,4, com o índice composto a subir de 53,6 para 54.
Na quinta-feira teremos os números da balança comercial que deverão mostrar um excedente de 320 milhões de dólares, após os 23 milhões no mês anterior.
A semana termina com os números das despesas em cartão de crédito de Julho que deverão desacelerar dos 3,1% do mês anterior, para 2,8%.
Austrália
O destaque desta semana vai para os dados do emprego que serão divulgados lá mais para o final da semana.
A taxa de desemprego, segundo as previsões, deverá subir de 4,4% para 4,5%, mas com a taxa de participação a subir de 67% para 67,1%, com a economia a dever acrescentar 12.500 empregos.
A semana começa com o índice de confiança do consumidor Westpac, que deverá cair de 83,9 para 81,7, uma queda de 2,6%, após a subida de 4,1% no mês anterior.
Na quarta-feira teremos o índice de preços salariais do segundo trimestre, que deverá manter-se nos 0,8%.
A semana termina com os dados da actividade económica privada, que deverão mostrar um abrandamento. O PMI composto da S&P Global, segundo o consenso, deverá cair de 53,2 para 51,9, onde a actividade manufactureira cai de 52 para 50,9 e a de serviços de 53,6 para 52,5.
Bancos Centrais

O Riksbank
O banco central sueco deverá manter a taxa directora em 1,75% na reunião desta semana, prolongando para sete reuniões a pausa iniciada após o ciclo de cortes de 225 pontos base entre Maio de 2024 e Setembro de 2025.
Apesar da inflação próxima da meta de 2%, o Riksbank mantém um tom cauteloso, sobretudo devido aos riscos associados ao petróleo e às tensões no Médio Oriente. A previsão de inflação para 2027 foi revista em alta para 2,7%, reforçando a preocupação com pressões sobre os preços.
Ainda assim, a valorização da coroa sueca e os sinais de estabilização do mercado de trabalho dão margem ao Riksbank para manter os juros inalterados. Para os mercados, o principal foco estará no tom da comunicação e nas pistas sobre a trajetória dos juros em 2027.
O Banco Popular da China
O banco central chinês deverá manter inalteradas as suas taxas preferenciais de empréstimo a 1 e 5 anos nos 3% e 3,5%, respectivamente, pelo 15º mês consecutivo.