Café da Manhã
Yields e petróleo sobem
A escalada no Médio Oriente impulsiona o petróleo e penaliza as bolsas, enquanto as yields sobem para máximos de vários anos. O dólar recupera e os mercados mantêm-se cautelosos perante o risco geopolítico.
Os mercados accionistas continuam sob pressão, numa altura em que o agravamento das tensões no Médio Oriente volta a colocar o petróleo no centro das preocupações dos investidores. A expiração do acordo entre os Estados Unidos e o Irão, sem sinais de prolongamento, aumentou os receios de uma escalada do conflito e de novas perturbações no fornecimento de crude através do Estreito de Ormuz.
Wall Street encerrou a sessão de segunda-feira em baixa, com o Dow Jones a recuar 0,51%, o Nasdaq 100 0,32% e o S&P 500 0,52%. A generalidade das cotadas do S&P 500 terminou no vermelho, apesar da resistência do sector dos semicondutores.
Na Ásia, a tendência negativa prolongou-se, com o Nikkei a perder 2,45% e o Kospi 1,55%.
Na Europa, as principais bolsas abriram igualmente em baixa, com o DAX a recuar 0,63%, o CAC 40 0,35% e o Euro Stoxx 0,55%, enquanto o FTSE 100 contrariava a tendência, com uma ligeira subida de 0,10%.
A subida do petróleo reforça, entretanto, a cautela dos investidores. O Brent avança e mantém-se acima dos 91 dólares por barril, enquanto o WTI negoceia acima dos 84 dólares, depois de ter subido cerca de 2% na sessão anterior. A possibilidade de um conflito prolongado e a ameaça sobre as rotas de transporte no Médio Oriente reacendem os receios de uma nova pressão sobre a inflação.
No mercado obrigacionista, o movimento é particularmente relevante. A yield da Treasury norte-americana a 30 anos ultrapassou os 5,30%, atingindo 5,321%, o nível mais elevado desde Junho de 2007. O movimento não é exclusivo dos Estados Unidos: a yield britânica a 30 anos fechou no segundo nível mais alto desde 1998, enquanto a equivalente alemã atingiu máximos desde 2011. No Japão, a yield a 30 anos aproxima-se dos 4,20%, muito perto do máximo histórico dos últimos 27 anos.
Apesar de os dados económicos mais fracos reduzirem as expectativas de novas subidas das taxas pela Reserva Federal, a persistência das yields longas mostra que o mercado continua preocupado com a inflação, o financiamento das economias e a oferta de dívida pública. A combinação entre petróleo mais caro e maior incerteza geopolítica torna, assim, menos linear o caminho da política monetária.
No mercado cambial, o dólar recupera depois das perdas registadas no início da semana, com o índice DXY a negociar perto dos 99,50. O EUR/USD chegou ontem a ultrapassar brevemente os 1,1600, mas acabou por inverter o movimento e negoceia novamente abaixo de 1,1580.
O iene volta a perder terreno depois da tentativa de recuperação no início da semana. O USD/JPY sobe para novos máximos das últimas semanas, perto dos 159,70, enquanto o EUR/JPY atinge novos máximos do mês, próximo dos 185,00. A libra também recua dos máximos recentes, pressionada pelos dados do mercado de trabalho britânico, com o GBP/USD a descer para 1,3530 e o EUR/GBP novamente acima de 0,8550. Já o franco suíço mantém a correcção das recentes perdas, com o USD/CHF em torno de 0,8100 e o EUR/CHF nos 0,9390.