Café da Manhã
Bolsas pressionadas
As bolsas recuam com a subida das yields, enquanto o petróleo prolonga os ganhos perante a tensão no Médio Oriente. O dólar perde força e os mercados aguardam novos sinais sobre inflação e juros
As bolsas continuam sob pressão, num contexto marcado pela subida das yields obrigacionistas, pelas preocupações com a inflação e pelo aumento do endividamento público. A forte subida das taxas de juro de longo prazo, em máximos de vários anos, começa a levantar dúvidas sobre a verdadeira origem deste movimento: uma perspectiva de crescimento mais robusto ou o receio de uma inflação persistente, agravada pela dimensão da despesa pública.
Nos Estados Unidos, os principais índices fecharam em baixa, penalizados sobretudo pelo sector tecnológico e pelos fabricantes de semicondutores. O Dow Jones recuou 0,22%, o S&P 500 perdeu 0,69% e o Nasdaq 100 caiu 1,33%. A pressão sobre as empresas ligadas à inteligência artificial foi particularmente evidente, num mercado cada vez mais sensível ao impacto de custos de financiamento elevados sobre os investimentos das grandes tecnológicas.
Na Ásia, a correcção foi ainda mais acentuada. O Kospi sul-coreano caiu 5,80%, enquanto o Nikkei perdeu 3,12%. As bolsas chinesas também recuaram, com o Shanghai Composite a desvalorizar 2,40% e o Shenzhen Composite 2,90%. A subida das taxas de financiamento e as preocupações com o investimento das grandes empresas tecnológicas voltaram a penalizar o sentimento.
Na Europa, a sessão começou mais equilibrada, com os investidores atentos aos dados de inflação no Reino Unido e, sobretudo, à divulgação da inflação da Zona Euro. O DAX e o FTSE 100 iniciaram o dia ligeiramente negativos, enquanto o CAC 40 e o Euro Stoxx 50 conseguiram manter ganhos modestos. A evolução dos preços continua, contudo, a ser determinante para as expectativas em torno da política monetária dos bancos centrais.
No petróleo, a ausência de progressos concretos nas relações entre Washington e Teerão mantém o risco geopolítico elevado. Donald Trump afirmou que não estão a decorrer negociações com o Irão e garantiu que o Estreito de Ormuz permanece aberto, contrariando a posição de Teerão. A incerteza sobre a segurança das rotas de transporte mantém, assim, um prémio de risco significativo sobre o crude.
O Brent sobe pela quarta sessão consecutiva e negoceia acima dos 91,50 dólares por barril, enquanto o WTI supera os 84,50 dólares. A redução das reservas norte-americanas, ainda que modesta, também contribui para o suporte dos preços, com os dados do API a apontarem para uma diminuição de cerca de 328 mil barris na semana terminada a 14 de Agosto e uma queda de 1,4 milhões de barris em Cushing.
No mercado cambial, a volatilidade permanece relativamente reduzida, apesar da subida das yields e do petróleo aumentar a incerteza em torno das decisões dos bancos centrais. O dólar recua ligeiramente, com o índice DXY a aproximar-se novamente dos 99,35 pontos, enquanto o EUR/USD regressa à zona dos 1,1600.
O iene recupera marginalmente dos mínimos recentes, com o USD/JPY em torno de 159,10 e o EUR/JPY nos 184,50. A libra mantém-se estável, com o GBP/USD perto de 1,3560 e o EUR/GBP nos 0,8555. Também o franco suíço continua próximo dos mínimos recentes, com o USD/CHF em torno de 0,8110 e o EUR/CHF nos 0,9405.