Café da Manhã
Bolsas sob pressão
As bolsas recuam perante novas dúvidas sobre a eficácia da intervenção do Tesouro dos EUA, enquanto o petróleo se aproxima dos máximos do ano e o dólar prepara-se para fechar uma semana de fortes perdas.
Os mercados financeiros encerraram a sessão de quinta-feira sob forte pressão, com os investidores a questionarem a eficácia das recentes medidas anunciadas pelo Tesouro norte-americano para travar a escalada dos custos de financiamento. Apesar da intervenção no mercado obrigacionista e das indicações de que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, está disposto a aumentar os programas de recompra de dívida pública, os rendimentos das obrigações de longo prazo voltaram a subir, alimentando receios de que os problemas estruturais associados ao elevado endividamento dos Estados Unidos não possam ser resolvidos através de medidas temporárias.
Bessent procurou minimizar a volatilidade dos mercados, classificando os movimentos registados nas últimas 24 horas como simples “ruído”, ao mesmo tempo que admitiu que as operações de recompra poderão ultrapassar os 4 mil milhões de dólares inicialmente previstos para o próximo mês. O responsável revelou ainda que a administração norte-americana está a preparar uma nova iniciativa orçamental destinada a responder ao aumento dos custos de financiamento, actualmente nos níveis mais elevados dos últimos anos.
Em Wall Street, os principais índices accionistas terminaram a sessão em queda acentuada. O Dow Jones recuou 1,31%, enquanto o S&P 500 perdeu 0,86% e o Nasdaq 100 cedeu 1,00%. A deterioração do sentimento dos investidores reflectiu não apenas as preocupações com a evolução do mercado obrigacionista, mas também a incerteza em torno do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, o impacto da subida dos preços da energia na inflação e as dúvidas sobre o rumo da política monetária da Reserva Federal.
Entre os destaques empresariais, a Walmart registou a sua maior queda desde 2022, afundando mais de 9%, após apresentar um crescimento das vendas comparáveis nos Estados Unidos inferior ao esperado e o mais fraco desde 2020. Também a Moderna esteve sob forte pressão, encerrando a sessão com perdas superiores a 23%.
Na Ásia, o sentimento melhorou durante a sessão de sexta-feira, beneficiando da estabilização do mercado obrigacionista norte-americano. O índice MSCI Ásia-Pacífico avançou cerca de 0,5%, embora o desempenho dos mercados tenha sido misto. No Japão, o Nikkei 225 recuou 0,36%, apesar dos dados económicos terem mostrado uma aceleração da actividade nos sectores da indústria e dos serviços.
Na China, o Hang Seng destacou-se pela positiva ao subir 1,20%, enquanto o Shenzhen Composite ganhou 0,57%. Já o Shanghai Composite permaneceu praticamente inalterado. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,88%, ao passo que o S&P/ASX 200 australiano recuou 0,27%.
Na Europa, os principais índices accionistas negoceiam em terreno positivo, apoiados pela divulgação de índices PMI da Zona Euro acima das expectativas dos mercados. Os dados reforçaram a percepção de que a actividade económica europeia continua a demonstrar alguma resiliência, apesar do contexto de taxas de juro elevadas e das incertezas externas.
O Euro Stoxx 50 sobe 0,45%, enquanto o DAX alemão avança 0,14%, o CAC 40 francês ganha 0,16% e o FTSE 100 britânico valoriza 0,31%. No Reino Unido, os investidores reagiram ainda a um crescimento anual das vendas a retalho superior ao esperado.
No mercado petrolífero, os preços seguem encaminhados para a segunda semana consecutiva de ganhos. A persistência do conflito entre os Estados Unidos e o Irão continua a afectar a oferta proveniente de uma das regiões mais importantes para a produção mundial de crude, enquanto os esforços de Washington para aumentar o isolamento económico de Teerão reforçam os receios de novas perturbações no abastecimento global.
Apesar de registarem ligeiras correcções esta sexta-feira, os contratos de referência permanecem próximos dos máximos recentes. O Brent negoceia em torno dos 92 dólares por barril, depois de ter atingido ontem os 94,70 dólares, enquanto o WTI transacciona próximo dos 86,65 dólares, abaixo do máximo de 87,70 dólares alcançado na sessão anterior.
No mercado cambial, o dólar prepara-se para encerrar uma semana de perdas significativas. O índice do dólar (DXY) recupera ligeiramente para 98,65, após ter caído ontem para mínimos de mais de três meses abaixo dos 98,50 pontos. A pressão sobre a moeda norte-americana surge numa altura em que os investidores continuam a reavaliar as perspectivas para a política monetária da Fed e o impacto das recentes medidas do Tesouro.
O euro mantém-se próximo dos máximos recentes face ao dólar, com o EUR/USD a negociar em torno de 1,1690, depois de ter atingido ontem um máximo de 1,1710. Já o iene continua sob pressão, apesar da aceleração da inflação japonesa pelo segundo mês consecutivo, um factor que mantém em aberto a possibilidade de uma nova subida das taxas de juro pelo Banco do Japão. O USD/JPY regressa à região dos 159,00, enquanto o EUR/JPY corrige ligeiramente após ter alcançado esta semana um máximo mensal próximo dos 186.
A libra esterlina prolonga igualmente a sua trajectória de valorização, com o GBP/USD a atingir um máximo de 1,3660 e o EUR/GBP a negociar em torno de 0,8570.
Por sua vez, o franco suíço encaminha-se para uma semana de ganhos face às principais divisas, embora esteja a corrigir parte da forte valorização registada nos últimos dias. O USD/CHF volta a negociar acima dos 0,8000, enquanto o EUR/CHF transacciona próximo dos 0,9360.
Com os mercados a aproximarem-se do final da semana, as atenções permanecem centradas na evolução das yields das obrigações norte-americanas, no impacto da escalada dos preços da energia sobre a inflação e nos desenvolvimentos geopolíticos no Médio Oriente, factores que continuam a dominar o sentimento dos investidores globais.
Bom fim de semana!