Semana Revista
Geopolítica e dívida
Geopolítica, inflação e dívida pública voltaram a pressionar os mercados. A escalada no Médio Oriente, a Fed dividida e a intervenção do Tesouro norte-americano deixam dúvidas sobre a sustentabilidade do actual equilíbrio.
A semana que agora termina foi marcada por um cocktail explosivo de tensões geopolíticas, pressões inflacionistas e uma intervenção inesperada do Tesouro dos Estados Unidos no mercado obrigacionista, deixando os investidores divididos entre o alívio temporário e a desconfiança quanto à sustentabilidade das medidas.

No epicentro da tempestade esteve o Médio Oriente, onde o conflito entre os Estados Unidos e o Irão continua a escalar, sem sinais claros de desanuviamento. Donald Trump assumiu publicamente que não tem pressa em pôr fim à guerra, defendendo que o bloqueio naval aos portos iranianos está a aumentar a pressão sobre Teerão, mas sem avançar com qualquer calendário para uma resolução. O término do memorando de entendimento de 60 dias, assinado em Junho, sem prorrogação ou acordo final, e a ameaça de uma postura “totalmente ofensiva” por parte do Irão, caso a diplomacia falhe, agravaram o clima de incerteza.
A tensão subiu outro degrau com a advertência de Trump a Omã, que negoceia com o Irão a gestão do Estreito de Ormuz, e com os ataques reivindicados pelos Houthis contra navios nas proximidades de Bab el-Mandeb. O impacto nos mercados foi imediato: o Brent ultrapassou os 91 dólares por barril, enquanto o economista-chefe do BCE, Philip Lane, alertava que a inflação na zona euro deverá manter-se “bem acima” dos 2% em 2026, podendo aproximar-se dos 3%, dependendo da evolução da crise. “Evitar que a inflação fique demasiado alta durante demasiado tempo” é, por isso, a prioridade assumida por Frankfurt, mesmo que isso implique custos acrescidos para os detentores de crédito à habitação.
Entretanto, a Axios revelou que uma operação militar norte-americana no Estreito de Ormuz, mantida em sigilo nas últimas semanas, tem permitido a passagem diária de 15 a 20 petroleiros pela rota sul, junto à costa de Omã, transportando crude dos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait. No conjunto, estes fluxos representam cerca de 10 milhões de barris por dia, aproximadamente metade do volume que circulava antes do conflito. Segundo fontes oficiais, os Estados Unidos têm conseguido degradar as capacidades iranianas de vigilância marítima, proporcionando maior segurança à navegação.
Para os mercados, a notícia reduz, ainda que parcialmente, o risco de uma interrupção prolongada das exportações de petróleo do Golfo. Mas a incerteza permanece: enquanto o conflito entre Washington e Teerão não encontrar uma solução, o preço do petróleo e, por arrasto, as expectativas inflacionistas continuarão reféns da geopolítica.

A par dos riscos geopolíticos, os mercados digeriram também as minutas da última reunião da Fed, que revelaram um Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) mais dividido e preocupado com a persistência das pressões inflacionistas. Três membros, Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari, votaram a favor de uma subida imediata de 25 pontos base nas taxas de juro, enquanto a maioria optou por manter a taxa dos “Fed funds” no intervalo de 3,5%-3,75%.
O documento sublinha que “vários” participantes defendiam um aperto monetário e que “muitos” consideravam provável que fossem necessárias novas subidas caso a inflação não convergisse para a meta de 2%. Os riscos para a inflação são, aliás, considerados “enviesados para cima”, com os preços da energia e os desenvolvimentos no Médio Oriente no topo das preocupações.
A este cenário junta-se o receio de que o forte investimento em inteligência artificial possa alimentar a inflação através do aumento do preço dos microchips, com efeitos que se poderiam propagar aos smartphones, computadores e até à electricidade. Curiosamente, alguns responsáveis consideram que o impacto dos aumentos tarifários já estará esgotado, mas a discussão sobre uma eventual redução do número de decisões de política monetária, de oito para seis por ano, e sobre possíveis ajustamentos ao balanço da Fed mostram que o debate sobre o futuro da política monetária está longe de estar encerrado.

A grande surpresa da semana veio, contudo, do Tesouro norte-americano, que anunciou um aumento, pelo menos para o dobro, do volume das operações de recompra de títulos de dívida de longo prazo, entre 10 e 30 anos, a partir de 9 de Setembro e até 4 de Novembro. O limite actual de 2 mil milhões de dólares por operação passará para pelo menos 4 mil milhões, numa tentativa de injectar liquidez num segmento do mercado onde a procura por parte dos investidores tem sido consistente.
A medida, que não constitui quantitative easing, uma vez que o Tesouro não cria moeda e se limita a trocar dívida antiga por nova, teve um impacto imediato. As yields de longo prazo caíram até 10 pontos base, a curva de rendimentos achatou-se e o dólar desvalorizou face ao euro, que ultrapassou a resistência dos 1,16 e chegou a negociar acima de 1,17, o nível mais elevado desde meados de Maio.
No entanto, o alívio poderá ser efémero. Alguns analistas consideram tratar-se de mais um “truque de magia” do secretário do Tesouro, Scott Bessent, destinado a influenciar psicologicamente o mercado, mas com um impacto real limitado. Os números ajudam a perceber a dimensão da operação: os 14 mil milhões de dólares adicionais em recompras até Novembro representam apenas 0,14% do stock de dívida em circulação nestes prazos.
Além disso, o financiamento destas operações será feito através da emissão de nova dívida de curto prazo, como Treasury Bills, a taxas de juro mais elevadas, o que, em alguns casos, poderá até aumentar o custo do serviço da dívida.
A dúvida que fica no ar é simples: estará o Tesouro a testar o mercado ou a reconhecer que a situação começa a fugir ao seu controlo? A dívida pública norte-americana, que esta semana ultrapassou o marco simbólico dos 40 biliões de dólares, mais do dobro do valor registado há uma década, e os défices orçamentais persistentemente elevados, agravados pela guerra, pelos cortes de impostos não financiados e pela queda das receitas tarifárias, são um lembrete incómodo de que as medidas actuais são, no melhor dos casos, paliativas.
O próprio Bessent parece estar a jogar contra o tempo. A operação de recompra termina poucas semanas antes das eleições intercalares de Novembro e o seu anúncio, feito duas semanas depois da publicação do Quarterly Refunding Statement, sugere uma reacção à subida recente das yields de longo prazo.
A este cenário junta-se ainda a questão cambial. A intervenção coordenada com o Japão no início de Agosto para travar a desvalorização do iene, a primeira deste tipo desde 1998, foi em parte motivada pelo receio de que Tóquio pudesse ser forçado a vender volumes significativos de títulos do Tesouro norte-americano para financiar a defesa da sua moeda. Um movimento desta dimensão poderia, por sua vez, pressionar ainda mais as yields num momento particularmente sensível para o mercado obrigacionista.
Bessent tem vindo a pressionar o Japão para que não permita um enfraquecimento adicional do iene, mas a equação é complexa. Se Tóquio quiser intervir com sucesso, terá de reduzir os fluxos de capital para os Estados Unidos, o que significa menor procura por títulos do Tesouro e por activos norte-americanos e, consequentemente, maior pressão ascendente sobre as yields.
Mercados accionistas

Esta semana ficou marcada por uma clara deterioração do sentimento nos mercados accionistas, com as principais bolsas mundiais a acumularem perdas perante a subida das yields obrigacionistas, o agravamento das tensões no Médio Oriente e o regresso das preocupações em torno da inflação e da sustentabilidade das contas públicas norte-americanas.
O mercado obrigacionista voltou a assumir um papel central na evolução dos activos de risco. As yields das Treasuries mantiveram-se em níveis elevados, com a taxa a 30 anos próxima dos máximos desde 2007, pressionando sobretudo as empresas tecnológicas e as avaliações mais exigentes do mercado accionista.
Ao mesmo tempo, a evolução do petróleo voltou a aumentar a aversão ao risco. A ausência de progressos concretos para uma reabertura plena do Estreito de Ormuz, aliada ao endurecimento da posição norte-americana face ao Irão, fez aumentar os receios de uma perturbação prolongada no fornecimento energético. Brent aproximou-se dos 95 dólares por barril, alimentando novamente as preocupações com a inflação.
Também neste domínio, Scott Bessent voltou a estar no centro das atenções, ao defender uma estratégia de forte pressão económica sobre Teerão e ao anunciar novas sanções. A ameaça de uma ofensiva económica mais agressiva contra o Irão reduziu ainda mais as expectativas de um acordo que permita uma reabertura plena e estável de Ormuz, mantendo um importante foco de incerteza para os mercados.
Na Ásia, o balanço semanal foi predominantemente negativo. O Nikkei destacou-se pela negativa, com uma queda de 3,93%, interrompendo parte do forte desempenho acumulado ao longo do ano. O KOSPI recuou 0,93%, enquanto o ASX 200 perdeu 0,62%.
Na China, o Shanghai Composite caiu 0,56% e o Shenzhen Composite recuou 1,01%. A excepção foi Hong Kong, onde o Hang Seng avançou 3,55%, beneficiando de um desempenho mais favorável de alguns dos grandes títulos tecnológicos e de uma recuperação do apetite pelo risco no mercado chinês offshore.
Na Europa, a pressão foi igualmente evidente, com o Euro Stoxx 50 a perder 1,13%, enquanto o DAX recuou 1,18% e o CAC 40 caiu 1,76%. O aumento das yields e a subida do petróleo constituíram os principais factores de pressão sobre as bolsas europeias, num contexto em que os investidores continuam atentos ao impacto que uma energia mais cara poderá ter sobre a inflação e o crescimento.
O FTSE 100 constituiu uma das poucas excepções, com uma valorização semanal de 0,62%.
Em Portugal, o PSI 20 contrariou a tendência dominante e terminou a semana com uma valorização de 1,08%.
Nos Estados Unidos, a semana foi particularmente difícil para as bolsas. O Dow Jones recuou 0,85%, o S&P 500 perdeu 1,43% e o Nasdaq caiu 2,05%, com o sector tecnológico a revelar-se particularmente vulnerável à subida dos custos de financiamento e das yields de longo prazo.
A correcção surge depois de um período de fortes valorizações e num contexto em que as elevadas avaliações do mercado, sobretudo no segmento tecnológico, tornam os activos mais sensíveis à evolução das taxas de juro. Apesar dos resultados empresariais continuarem a oferecer algum suporte, o mercado começa a questionar até que ponto os níveis actuais de valorização são sustentáveis num ambiente de juros elevados.
Gráfico Fonte XTB xStation 5
Dados Económicos

Nos Estados Unidos assistimos a uma semana mais ligeira de indicadores económicos, que começou com a divulgação do índice manufactureiro de Nova Iorque superando as estimativas do mercado, subindo inesperadamente de 15,6 para 20,6, face a um recuo esperado para 10,6, e ainda o índice de mercado imobiliário NAHB que, também inesperadamente, subiu de 34 para 35, face a uma queda estimada para 33.
Na terça-feira continuamos com mais dados do mercado imobiliário. As licenças de construção no mês de Julho superaram as previsões do mercado, aumentando 5%, bem acima dos 1,2% esperados, enquanto os números do início de construção de imóveis caíram 12,4%, bem mais do que a queda estimada pelo mercado de 4,7%. Os números das vendas pendentes de imóveis caíram inesperadamente 2,3% contra um esperado aumento de 0,1%. Os números da produção industrial aumentaram 0,2%, ligeiramente abaixo das previsões que apontavam para um crescimento de 0,3%. Os números semanais do emprego ADP mostraram uma subida de 9.500 postos de trabalho de média das últimas quatro semanas, ligeiramente acima dos 8.250 mostrados na semana anterior.
O índice manufactureiro da Fed de Filadélfia, na quinta-feira, superou as estimativas do mercado subindo de 41,4 para 47,4, contra uma queda esperada para 24,3. No mercado de trabalho, os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego caíram dos 209 mil da semana passada para 206 mil.
Finalmente, na sexta-feira, os PMI da S&P global surpreenderam os mercado ao apresentarem um crescimento da actividade económica privada. O índice composto subiu de 54,5 para 56, contrariando as estimativas que apontavam uma queda para 53,2. O índice da indústria transformadora caiu um pouco mais do que o esperado, para 53,2, mas o PMI de serviços superou largamente as estimativas ao subir de 54,6 para 56,8, face a uma queda esperada para 53,4.
Na Zona do Euro foi também uma semana ligeira de indicadores económicos, que terminou com os dados da actividade económica.
No agregado da Zona Euro, a actividade económica apresentou um pequeno avanço, com o índice composto a subir de 52 para 52,1, contrariando as estimativas que apontavam para 51,6. O sector manufactureiro subiu de 51,9 para 52,8, superando estimativas de 51,8, e o de serviços manteve-se nos 51,7, face a 51,5 esperados.
Os PMI das duas principais economias da Zona Euro registaram um padrão semelhante, com os sectores manufactureiros a superarem as estimativas, enquanto os de serviços desiludiram, onde em ambas as economias o PMI composto mostrou um abrandamento geral na actividade económica. A actividade industrial em França subiu de 49,8 para 51,5, enquanto a de serviços recuou de 49,6 para 48,4, com o PMI composto a recuar de 49,4 para 48,8. Na Alemanha, o PMI composto recuou de 51,3 para 51, com o índice industrial a subir de 52,2 para 54,1, enquanto o de serviços caiu de 49,8 para 48,5.
A semana começou com o índice alemão de confiança económica ZEW que surpreendeu positivamente os mercados ao subir de 23,4 para 31,4, face a 25,4 estimados, e na Alemanha de 26,3 para 34,2, contra 30,0 esperados.
Na quarta-feira, os números da conta corrente saíram também acima das previsões, mostrando um saldo positivo de 35,1 mil milhões de euros, face a 22,1 mil milhões previstos, e ainda os dados finais da inflação que confirmaram as leituras preliminares de 2,9% para a inflação total e de 2,5% para a inflação subjacente.
Na quinta-feira os dados da inflação à porta das fábricas na Alemanha mostraram um aumento de 1,1%, bem acima das previsões que apontavam para uma subida mensal de 0,5%, após a queda de 0,3% registada em Junho.
A semana terminou com a divulgação dos dados da negociação do crescimento salarial que mostraram uma desaceleração de 2,56% para 2,44%, enquanto o índice de confiança do consumidor subiu de -15,9 para -15,5, superando as estimativas de uma queda para -16,7.
No Reino Unido foi uma semana bem preenchida de indicadores económicos relevantes.
Começamos com os dados do mercado de trabalho, onde a taxa de desemprego se manteve nos 4,9%, face a uma descida esperada para 4,8%. Já os ganhos médios incluindo bónus mostraram uma desaceleração de 4,3% para 4,1%, acima dos 4,0% estimados. O número de pedidos de subsídio de desemprego mostrou uma revisão do aumento de 6.700 do mês anterior para uma queda de 6.300, com os números de Julho a mostrarem uma queda de 11 mil pedidos, face a um aumento estimado de 11.200.
Seguiram-se os dados da inflação. Os preços em Julho mostraram um aumento mensal de 0,3%, com a inflação em termos homólogos a subir de 2,6% para 2,9%, bem em linha com as previsões. Sem alimentos nem energia, os preços subiram mensalmente 0,2%, com a medida anual a manter-se nos 2,6%, ligeiramente acima dos 2,5% estimados.
O índice CBI das expectativas de encomendas à indústria superaram as estimativas do mercado ao subirem de -45 para -25, contra uma recuperação esperada para -40.
A semana terminou também com os dados da actividade económica, os PMI da S&P Global, que mostraram um inesperado crescimento. O PMI composto subiu de 52,2 para 51,2, contra estimativas de queda para 52,1, com a actividade manufactureira a cair de 51,9 para 51,5 e a de serviços a subir de 52,1 para 52,8, superando as estimativas de um recuo para os 52. Os mercados receberam também os números das vendas a retalho que mostraram uma queda mensal de 0,5%, com o aumento anterior de 1% a ser revisto em baixo para 0,7%. Tivemos ainda o índice GfK de confiança do consumidor que mostrou uma subida de -17 para -14 e os números dos empréstimos líquidos ao sector público, que mostraram uma queda de 1,8 mil milhões de libras, após o mês anterior ter apresentado uma queda revista em baixo para 12,8 mil milhões.
No Canadá, a semana começou com os importantes dados da inflação. Os preços no mês de Julho apresentaram uma subida de 0,5%, após a queda de 0,4% em Junho, e bem em linha com o esperado pelos mercados. A inflação anual mostrou uma subida de 2,8% para 3%, acima dos 2,9% previstos, e sem energia nem alimentos uma subida de 2,1% para 2,3%, também acima dos 2,2% esperados. A CPI trimmed-mean, a medida observada mais atentamente pelo Banco do Canadá, ultrapassou também as previsões do mercado de uma subida de 1,8%, para se manter nos 1,9%, em linha com o mês anterior.
Na terça-feira, os números do início de construção de imóveis saíram abaixo do esperado em 229,1 mil face a estimativas que apontavam para 249 mil.
A semana terminou com os números das vendas a retalho do mês de Junho que mostraram um aumento de 0,6%, acima dos 0,4% esperados, com os números preliminares de Julho a mostrarem uma queda de 0,8%, maior do que a estimada de 0,5%. Em Junho, excluindo as vendas automóveis, as vendas mostraram um aumento de 0,5%, em linha com as previsões do mercado.
Na China tivemos uma semana também cheia de dados económicos mensais, que foram divulgados logo no primeiro dia.
O índice de preços de imóveis de Julho, em termos homólogos, mostrou uma queda de 3,2%, desacelerando da queda anterior de 3,3%, contrariando estimativas que apontavam para uma aceleração para 3,4%.
As vendas a retalho desiludiram os mercados ao mostrarem um crescimento de 0,6%, desacelerando dos 1% mostrados no mês anterior, e bem abaixo do aumento esperado de 1,5%.
Também os números da produção industrial ficaram abaixo do esperado mostrando um aumento de 4,5%, face aos 5% previstos, e desacelerando dos 5,3% registados no mês de Junho.
A taxa de desemprego subiu de 5% para 5,2%, acima dos 5,1% estimados.
O investimento em activos fixos caiu ainda mais do que o previsto. As estimativas apontavam para uma redução de 6,2%, após 5,7% no mês anterior, mas os números mostraram uma queda de 6,7%.
No Japão tivemos também uma semana bastante bem preenchida de indicadores económicos relevantes.
A semana começou com a divulgação dos números preliminares do PIB do segundo trimestre, que mostraram um crescimento trimestral de 0,3%, ficando abaixo dos 0,5% previstos e do trimestre anterior.
Já os números de Junho da actividade da indústria terciária caíram apenas 0,2%, face a uma queda estimada de 0,9%.
Na quarta-feira, os números das encomendas de maquinaria, excepto de navios e centrais de energia, mostraram um aumento de 9,7%, superando as previsões de 7,6%, e após a queda de 12,4% no mês anterior.
Os números da balança comercial de Julho apresentaram um défice de 690 mil milhões de ienes, superior aos 440 mil milhões esperados e após os 880 mil milhões no mês de Junho.
Finalmente, a semana fechou com os importantes dados da inflação, com os preços no mês de Julho a subirem 0,4%, acima dos 0,1% previstos. A inflação homóloga ultrapassou também as previsões do mercado ao subir de 1,6% para 1,9%, com a medida observada mais de perto pelo Banco do Japão, sem alimentos frescos, a subir de 1,6% para 1,8%.
Os dados da actividade económica da S&P Global mostraram-se acima das estimativas, com o PMI composto a subir de 52,7 para 53,4, com o do sector manufactureiro a subir de 54,5 para 55,1, e o de serviços de 51,2 para 52,3, ambos acima do esperado pelo mercado.
Na Nova Zelândia a semana começou com a divulgação do índice de serviços BusinessNZ que mostrou uma queda inesperada dos 50,9 revistos em alta do mês anterior para 50,6, bem abaixo dos 51,4 estimados, com o índice composto a cair de 53,6 para 52,6, face aos 54 esperados.
Mais tarde, os números da balança comercial mostraram um défice de 1.949 milhões de dólares neozelandeses, contra um excedente esperado de 320 milhões de dólares, após o excedente de 23 milhões no mês anterior ter sido revistos para um défice de 237 milhões.
A semana terminou com os números das despesas em cartão de crédito de Julho a acelerar para 5,3%, contra uma estimativa de uma desaceleração para 2,8%.
Na Austrália, as atenções estiveram especialmente voltadas para os números do mercado de trabalho, que foram divulgados na quinta-feira.
A taxa de desemprego subiu de 4,4% para 4,5%, com a taxa de participação a cair inesperadamente de 67% para 66,9%. A economia australiana apresentou uma queda inesperada de 15.800 empregos em Julho, face às estimativas de criação de 12.500 postos de trabalho, com uma queda de 32,2 mil empregos a tempo parcial e a criação de 16,4 a tempo inteiro.
A semana começou com o índice de confiança do consumidor Westpac, que surpreendeu os mercados ao subir de 83,9 para 88,9, face a uma queda estimada para 81,7, uma subida de 2,6%, acelerando da de 4,1% do mês anterior.
Na quarta-feira tivemos o índice de preços salariais do segundo trimestre, que saiu bem em linha com o esperado e com o mês anterior, mantendo-se nos 0,8%.
A semana terminou com os dados da actividade económica privada que, tal como previsto, mostraram um abrandamento. O PMI composto da S&P Global caiu de 53,2 para 52,5, ainda assim acima dos 51,9 estimados, onde a actividade manufactureira se manteve nos 52 e a de serviços caiu de 53,6 para 52,9, melhor que os 52,5 estimados.
Bancos Centrais

O Riksbank manteve esta semana a sua taxa directora em 1,75%, sinalizando que a possibilidade de uma subida ainda este ano permanece em cima da mesa, embora o cenário não seja inequívoco. O crescimento e a inflação têm ficado acima das previsões de Junho, mantendo os riscos de pressões inflacionistas, mas os planos de subida de preços das empresas permanecem moderados, as perturbações nas cadeias de abastecimento diminuíram e o mercado de trabalho revelou-se mais fraco do que o esperado.
Em Junho, o banco central estimava em 50% a probabilidade de uma subida de 25 pontos base em 2026. Nos mercados, essa possibilidade ronda agora os 90%, embora as expectativas não tenham sofrido alterações relevantes após a decisão de hoje.
O Banco Popular da China, como amplamente esperado, manteve inalteradas as suas taxas preferenciais de empréstimo a 1 e 5 anos nos 3% e 3,5% pelo 15º mês consecutivo.
Mercado cambial
Dólar pressionado pelas yields
O mercado cambial terminou a semana marcado por um aumento abrupto da volatilidade, sobretudo após o anúncio de Scott Bessent de que o Tesouro norte-americano iria duplicar as recompras de títulos de longo prazo.
A medida provocou uma descida temporária das yields, mas também reacendeu as preocupações sobre a sustentabilidade da dívida norte-americana, penalizando o dólar. A yield da Treasury a 30 anos recuou dos máximos de quase 20 anos acima de 5,33%, até aos 5,18%, mas recuperou a maior parte desse movimento ao terminar a semana a 5,28%, reforçando a percepção de que os elevados custos de financiamento continuam a constituir um risco para a economia e para a moeda norte-americana.
O índice do dólar DXY caiu de níveis de abertura em torno dos 99,50 pontos, para terminar abaixo dos 99,00 e da média móvel dos 200 dias que se encontra de momento a 99,01. Após ter registado um mínimo de 98,47, terminou a recuperar para os 98,70.
O EUR/USD negociou em alta, impulsionado principalmente pelo anúncio de Bessent. O par que negociava em torno dos máximos da semana passada, ligeiramente acima de 1,1600, disparou para 1,1670, seguindo-se um ataque aos 1,1700. O EUR/USD terminou a semana a negociar a 1,1680, após ter iniciado a semana a 1,1560, com uma valorização de cerca de 1%.
A libra registou mais uma semana positiva, com ganhos significativos, enquanto se manteve em torno dos mesmos níveis face ao euro. O GBP/USD atingiu um máximo dos últimos seis meses ao negociar a 1,3675, após ter começado a semana a transacionar em torno de 1,3530 e terminou a 1,3645. O EUR/GBP continuou a negociar em torno de 0,8555, num intervalo relativamente apertado entre 0,8535 e 0,8590.
O franco suíço, que ultimamente parece ser a moeda escolhida pelo mercado para o financiamento das estratégias de carry trade, registou esta semana ganhos significativos quando as yields obrigacionistas recuaram após o anúncio do aumento da recompra de titulos de longo prazo pelo Tesouro norte-americano, impulsionado ainda por uma reacção de aversão ao risco por parte dos mercados financeiros.
O USD/CHF caiu dos níveis de abertura, e máximos, acima de 0,8100, para chegar a negociar num mínimo das últimas semanas a 0,7950, terminando a semana a recuperar desse nível, negociando a 0,8010. O EUR/CHF caiu de máximos acima de 0,9400, em níveis que não se viam desde Agosto do ano passado, para 0,9305, fechando a semana a 0,9360.
O iene continuou a negociar em perdas, mesmo após o anúncio de Scott Bessent ter dado algum suporte ao iene, levando-o pontualmente a registar alguns ganhos. Face ao euro o iene manteve a sua tendência descendente, com o EUR/JPY a terminar a semana a negociar a 185,65, após a ter iniciado a 184,25. Já face ao dólar conseguiu registar um ligeiro ganho. O USD/JPY, após um início de semana a 159,30 e ter registado um máximo de 159,80, recuou e atingiu um mínimo de 158,00, terminando a semana a negociar a 159,00. Isto, apesar dos dados da inflação divulgados no último dia da semana suportarem as expectativas do mercado de uma nova subida de taxas por parte do Banco do Japão já em Setembro.
O destaque da semana vai novamente para a coroa norueguesa, desta vez acompanhada pelo dólar neozelandês. A expectativa de subida de taxas nos Estados Unidos a recuar, face a expectativas de subida de taxas de juro de ambos os bancos centrais, com a coroa norueguesa ainda a beneficiar também de uma das taxas de juro mais elevadas dentro das principais divisas, em conjunto com uma subida dos preços do petróleo, levaram ambas as moedas a ser das que mais valorizaram esta semana. Avançaram cerca de 1,50% face ao dólar e 0,60% face ao euro.
Nas divisas das economias emergentes, o real brasileiro foi desta vez a que mais se destacou esta semana pela positiva. Apesar de nada se ter alterado relativamente às sondagens que colocam Lula da Silva à frente na corrida eleitoral, o recuo das yields obrigacionistas, em conjunto com um dólar em queda e yields obrigacionistas a recuarem, suportam as divisas emergentes no geral, e o real não foi excepção. Após s fortes perdas da semana passada, o real brasileiro esta semana recuperou 1,5% face ao dólar e cerca de 0,70% face ao euro.
Já a lira turca foi a moeda emergente que mais caiu esta semana, pressionada pela continuação da instabilidade geopolítica no Médio Oriente. Perdeu cerca de 1,3% face ao euro e 0,3% face ao dólar.
Gráfico Fonte XTB xStation 5
Commodities
Petróleo prolonga ganhos
O mercado petrolífero registou a segunda semana consecutiva de ganhos, impulsionado pelo agravamento das tensões no Médio Oriente e pela incerteza em torno do Estreito de Ormuz.
O Brent subiu 6,1%, para 92,20 dólares por barril, enquanto o WTI avançou 5,2%, para 86,65 dólares, depois de terem iniciado a semana nos 88,70 e 81,50 dólares, e terem atingido máximos de 94,70 e 87,70 dólares, respectivamente.
A semana começou com um novo agravamento das perspectivas de paz, depois de Donald Trump ter afirmado que não tinha pressa em terminar a guerra com o Irão. O memorando de entendimento de 60 dias entre Washington e Teerão expirou sem extensão ou solução definitiva, enquanto os progressos para normalizar o tráfego de petroleiros através de Ormuz permanecem limitados.
A tensão aumentou com novos incidentes envolvendo navios no Golfo e no Mar Vermelho. O Brent chegou a superar os 92 dólares, com os investidores a incorporarem um maior prémio de risco geopolítico nos preços.
Ainda assim, a notícia da AXIOS de que uma operação militar norte-americana estará a permitir manter em circulação cerca de 10 milhões de barris por dia através de Ormuz, aproximadamente metade dos volumes anteriores ao conflito, ajudou a limitar a pressão sobre a oferta. Entre 15 e 20 petroleiros estarão a atravessar diariamente o estreito pela rota sul, junto à costa de Omã.
No entanto, os riscos permanecem elevados. Donald Trump anunciou uma ofensiva que classificou como um “Economic D-Day” contra o Irão, enquanto Scott Bessent prometeu impor “as sanções mais duras da história” ao país.
Para o mercado, a evolução de Ormuz continua a ser determinante. A manutenção de alguns fluxos reduz o risco de uma ruptura total da oferta, mas qualquer nova escalada militar poderá voltar a provocar uma subida significativa dos preços. Para já, o petróleo encerra a semana com ganhos expressivos e o prémio geopolítico novamente bem presente.
Gráfico Fonte XTB xStation 5
Ouro reforça subida
O ouro terminou esta semana com uma valorização próxima de 5%, subindo acima de 4.600 dólares por onça, o nível mais elevado desde meados de Maio.
A subida foi impulsionada pelo regresso das preocupações em torno da sustentabilidade das contas públicas norte-americanas, depois de o Tesouro dos EUA ter aumentado inesperadamente as compras previstas de dívida pública de maturidades mais longas.
A intervenção contribuiu para uma descida das yields obrigacionistas e do dólar, criando um ambiente favorável ao ouro. Ao mesmo tempo, a medida levantou novas dúvidas sobre a capacidade de Washington para gerir os crescentes custos de financiamento e reforçou a procura pelo metal precioso enquanto activo de refúgio e reserva de valor.
O movimento do ouro ganha ainda maior dimensão quando analisado no contexto do mês. Desde o início de Agosto, o metal precioso já acumula uma valorização superior a 13%, reflectindo não apenas a procura por activos de refúgio, mas também a crescente preocupação dos investidores com a dívida e a política orçamental dos Estados Unidos.
Para já, a combinação de yields mais baixas, dólar pressionado e incerteza fiscal continua a favorecer o ouro, que se aproxima novamente dos máximos históricos e mantém um forte impulso ascendente.
Gráfico Fonte XTB xStation 5