EUR/USD
Semanal
Finalmente o EUR/USD registou alguma volatilidade. O que nem os nonfarm payrolls nem os dados da inflação conseguiram, conseguiu-o Scott Bessent, com mais uma intervenção do Tesouro, desta vez no mercado obrigacionista.
Os mercados obrigacionistas têm vindo a registar perdas significativas, principalmente as Treasuries de longo prazo, levando as yields para máximos de vários anos e, no caso das obrigações a 30 anos, para níveis que não se verificavam desde 2007.
O Tesouro dos Estados Unidos veio tentar “salvar” estas obrigações de mais longo prazo, duplicando o montante das compras. O resultado imediato foi uma subida dos preços das obrigações, levando a uma queda das yields e arrastando o dólar norte-americano, que perdeu valor face às restantes divisas.
Mas esta intervenção está longe de ser QE. O Tesouro não emite moeda, mas antes nova dívida, provavelmente na sua maior parte de mais curto prazo, para financiar estas compras. O mercado voltou a vender Treasuries e as yields recuperaram grande parte das perdas.
Mas o dólar não acompanhou esta recuperação, mesmo quando as expectativas de uma subida de taxas da Fed em Setembro recuperaram alguns pontos.
Na frente macroeconómica, os dados da actividade económica, apesar dos preços da energia mais elevados e das tensões geopolíticas, e perante a expectativa de políticas monetárias mais agressivas devido às pressões inflacionistas, continuaram a mostrar a resiliência das economias, tanto deste lado do Atlântico como do outro.
Foram as fortes perdas do dólar que levaram esta semana o EUR/USD a registar máximos acima de 1,1700, mas o facto de o mercado estar cada vez mais a contar com uma subida de taxas do BCE em Setembro (93%), face a cerca de 40% para uma subida da Fed, não pode também ser descartado como factor de suporte ao euro.
Esta semana, na Europa, os dados a observar serão os da inflação, no final da semana, em França e Espanha, onde o mercado está a contar com novas subidas. Com tanto já descontado, uma surpresa em baixa poderá ter um impacto mais relevante do que uma surpresa em alta.
Nos EUA iremos ter a medida preferida da Fed para a inflação, o “core PCE price index”. As expectativas apontam, uma vez mais, para uma leitura benigna. O mercado espera que se mantenha nos 3,3%, com uma aceleração mensal para os 0,2%. Eventualmente, uma surpresa em alta poderá dar “uma linha de vida” ao dólar.
Mas essa linha de vida, em minha opinião, poderá vir mais de Scott Bessent e/ou de Kevin Warsh.
O primeiro fala logo no início da semana, dando alguns detalhes sobre uma eventual consolidação fiscal que permita renovar a credibilidade da dívida pública, levando os investidores a exigirem um prémio menor para financiar o governo. Se esta missão falhar, poderemos assistir à continuação daquilo que me parece ser um novo “sell America”, um “debasement trade”, continuando a pressionar o dólar.
O segundo falará no Simpósio Económico de Jackson Hole. Kevin Warsh não é um apologista de “forward guidance”, mas, neste momento, esta menor comunicação está a contribuir para um aumento da volatilidade que Scott Bessent dispensaria de bom grado. O mercado irá estar bem atento a qualquer alteração no discurso e tentar perceber se o presidente da Fed está mais alinhado com a administração Trump ou com o duplo mandato da Reserva Federal de promover o máximo emprego e a estabilidade de preços, como já referiu anteriormente. Uma aproximação à Casa Branca irá certamente ter efeitos negativos no dólar, podendo reforçar o tal “debasement trade”.
O intervalo entre 1,1500 e 1,1600 acabou por ser rompido em alta, não pelas razões que eu estava à espera, uma maior redução das expectativas de subida de taxas do dólar, mas antes por um mercado que volta a desacreditar no dólar como activo seguro.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD, após duas semanas de volatilidade bastante reduzida, registou na semana passada um forte movimento ascendente, rompendo com a resistência dada pela média móvel das 21 semanas.
A linha de MACD continua abaixo da linha neutra, mas acima da linha de sinal, sinalizando uma possível inversão no “momentum” negativo do par, acelerando a tendência ascendente das últimas semanas, e onde o RSI acima da linha média de 50, segue longe de terreno de sobre compra.
O romper da então resistência da MM 21 semanas, a 1,1574, está a colocar o par na direcção de um teste ao limite superior da área mais apertada de consolidação, nos 1,1830.
Uma inversão que leve o par de novo abaixo dos 1,1574, poderá sinalizar um falso break, colocando de novo o par a caminho do suporte a 1,1465, base da área de consolidação mais apertada, que se quebrada irá voltar a expor o suporte a 1,1390, e posteriormente o mínimo deste ano a 1,1324.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD confirmou na semana passada o break da resistência dada pela Nuvem de Ichimoku diária, para de seguida quebrar também a resistência dada pela importante média móvel dos 200 dias.
O MACD continua bem acima da linha neutra e da linha de Sinal, acelerando o “momentum” ascendente do par, com o RSI a chegar a terreno de sobre compra.
O par terminou a semana a testar a resistência (fraca) a 1,1685, dada pelo máximo do final do mês de Maio, ligeiramente abaixo dos 50% Fibonacci retracement (a 1,1703) do movimento máximo/mínimo deste ano.
O quebrar do máximo da semana passada a 1,1710, poderá levar o par aos 61,8% Fib do mesmo movimento, nos 1,1793, que se ultrapassado irá expor a referência dada pelo máximo de Abril a 1,1849.
Uma correcção desta forte tendência ascendente irá encontrar um primeiro suporte na média móvel dos 200 dias (de momento a 1,1629) e se quebrada nos 38,2% Fibonacci retracement do movimento mínimo de Julho / máximo da semana passada, a 1,1575. Abaixo voltaremos a ter o agora forte suporte dado pela Nuvem de Ichimoku diária.
Resistências - Suportes
1,1796 - 1,1629
1,1830 - 1,1575
1,1920 - 1,1500