Café da Manhã
Bolsas sob pressão

Café da Manhã Bolsas sob pressão

As bolsas arrancam a semana sob pressão, com a Nvidia e Jackson Hole no radar. Tensões com o Irão, guerra comercial EUA-Canadá e o plano fiscal de Bessent acrescentam incerteza aos mercados.

Os mercados accionistas arrancam a semana sob pressão, depois de uma sessão positiva na sexta-feira, com os investidores a reduzirem a exposição ao risco antes de uma semana particularmente importante para os mercados. A inteligência artificial volta a estar no centro das atenções, com os resultados da Nvidia na quarta-feira, enquanto o encontro anual de Jackson Hole poderá trazer novas indicações sobre a política monetária da Fed.

Na Ásia, o sentimento deteriorou-se, com as bolsas a reagirem às novas tensões no Médio Oriente e à expectativa em torno das medidas económicas que os Estados Unidos deverão anunciar contra o Irão.
O Kospi sul-coreano caiu 3,12%, o Hang Seng recuou 2,01% e o Nikkei perdeu 0,69%. Na China, o Shanghai Composite desceu 0,59% e o Shenzhen Composite 1,21%, enquanto o ASX 200 australiano contrariou a tendência e avançou 0,49%.

Na Europa, o arranque foi igualmente negativo, embora com perdas mais moderadas. O DAX recua 0,17%, o Euro Stoxx 50 perde 0,28% e o CAC 40 desce 0,21%, enquanto o FTSE 100 negoceia praticamente inalterado. As tensões geopolíticas, a incerteza em torno das relações comerciais e a evolução da guerra na Ucrânia continuam a limitar o apetite pelo risco.

Nos Estados Unidos, o ambiente é condicionado pela pressão sobre o sector tecnológico, depois de o Nasdaq 100 ter interrompido na sexta-feira uma sequência de cinco sessões negativas. Os principais índices encerraram a semana em alta, com o Dow Jones a ganhar 0,98% e o S&P 500 0,43%, tal como o Nasdaq 100, beneficiando de dados económicos positivos e de uma recuperação das empresas do sector de saúde.
O PMI composto norte-americano atingiu o nível mais elevado em 52 meses, reforçando a percepção de que a economia mantém uma dinâmica sólida. O dado ajuda a explicar a recuperação das bolsas no final da semana, mas também mantém a discussão sobre a inflação e o espaço de manobra da Fed.

Esta semana, contudo, a atenção estará sobretudo concentrada na Nvidia. Os resultados da fabricante de chips serão um novo teste à força do investimento em inteligência artificial e às elevadas avaliações do sector tecnológico. Depois de uma forte valorização acumulada, qualquer sinal de abrandamento das receitas ou das perspectivas de investimento poderá aumentar a volatilidade.

No mercado obrigacionista, as Treasuries recuperam terreno, com os investidores a anteciparem o anúncio de Scott Bessent sobre o plano de consolidação orçamental dos Estados Unidos. A intervenção surge depois da recente subida das yields, que levou o Tesouro a actuar para tentar reduzir os custos de financiamento de longo prazo.
A questão fiscal voltou, assim, ao centro das atenções. A dimensão do défice e a sustentabilidade da dívida norte-americana continuam a preocupar os investidores, numa altura em que a Administração Trump procura simultaneamente estimular a economia e reduzir os custos de financiamento do Estado.

No plano comercial, as perspectivas também se deterioraram depois de terem colapsado, na sexta-feira, as negociações entre os Estados Unidos e o Canadá. Washington aplicou uma tarifa de 50% sobre um conjunto de produtos canadianos, num valor estimado de cerca de 20 mil milhões de dólares em receitas alfandegárias. O Canadá anunciou que responderá "dólar por dólar", enquanto os Estados Unidos ameaçam com novas subidas das tarifas caso Ottawa avance com medidas de retaliação.

O petróleo interrompe a sequência de duas semanas de ganhos, com os investidores a realizarem mais-valias antes do anúncio das novas medidas económicas dos Estados Unidos contra o Irão.
A possibilidade de um agravamento das sanções e de novas perturbações no fornecimento de petróleo do Médio Oriente continua, contudo, a limitar as quedas. A ameaça iraniana de impedir a saída de petróleo pelo estreito de Ormuz, caso a chamada "guerra económica" prossiga, mantém o risco geopolítico particularmente elevado.
O Brent negoceia actualmente nos 91,40 dólares por barril, enquanto o WTI ronda os 85,50 dólares.

No mercado cambial, o dólar começa a semana relativamente estável face aos níveis de fecho da semana anterior, mas com uma ligeira recuperação depois das perdas recentes. O índice DXY negoceia nos 98,90 pontos, enquanto o EUR/USD recua para 1,1670, depois de ter superado os 1,1700 na semana passada.
O iene mantém-se próximo dos mínimos recentes, com o USD/JPY acima dos 159,00 e o EUR/JPY perto dos 186,00, enquanto a libra negoceia relativamente estável, com o GBP/USD acima dos 1,3600 e o EUR/GBP nos 0,8560.
O franco suíço volta a perder terreno, com o USD/CHF nos 0,8020 e o EUR/CHF nos 0,9360.
No dólar canadiano, a pressão aumentou depois do fracasso das negociações comerciais com Washington. O USD/CAD sobe para 1,3835, depois de ter atingido 1,3735 na passada sexta-feira, reflectindo a reacção do mercado ao agravamento das tensões comerciais entre os dois países.

O arranque da semana fica, assim, marcado por: bolsas pressionadas pelas avaliações do sector tecnológico e pela geopolítica, petróleo ainda próximo dos máximos recentes, incerteza comercial e uma nova intervenção de Washington no mercado obrigacionista. Com a Nvidia e Jackson Hole no horizonte, a volatilidade deverá continuar elevada.


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