Café da Manhã
Em modo de espera
Mercados em modo de espera, entre a nova ofensiva económica dos EUA contra o Irão, a estabilidade das yields e a recuperação do dólar. Petróleo recua com a percepção de menor risco de uma escalada militar.
Os mercados arrancam esta terça-feira em modo de espera, com os investidores a avaliar o alcance da nova ofensiva económica dos Estados Unidos contra o Irão, enquanto aguardam também novos sinais sobre a política comercial de Washington e a evolução das tensões no Médio Oriente.
A Administração norte-americana anunciou na segunda-feira uma nova expansão das sanções contra o Irão, procurando cortar as principais fontes de financiamento do regime e pressionar países e entidades que mantenham relações económicas com Teerão. Apesar da dureza do anúncio, as medidas ficaram aquém das opções mais severas, nomeadamente de um bloqueio mais abrangente ao comércio internacional iraniano.
A reacção dos mercados norte-americanos foi relativamente contida. Wall Street terminou maioritariamente em baixa, com o Nasdaq 100 a perder 0,77% e o S&P 500 a recuar 0,28%, enquanto o Dow Jones contrariou a tendência e ganhou 0,26%. A fraqueza do sector tecnológico voltou a pesar, com a Seagate Technology a cair 6,51%, enquanto a subida de 3,06% da Visa sustentou o índice industrial.
Na Ásia, o sentimento foi ligeiramente mais positivo, apesar das preocupações com o agravamento das tensões no Médio Oriente. O Nikkei 225 subiu 0,58%, o Kospi 0,68% e o ASX 200 0,68%. Na China, o Shanghai Composite avançou 0,19%, enquanto o Shenzhen Composite recuou 0,24%. Em Hong Kong, o Hang Seng terminou praticamente inalterado.
Na Europa, as principais bolsas também iniciam a sessão em terreno positivo, com os investidores a digerirem os dados económicos da Alemanha acima das estimativas, sem perderem de vista a evolução da frente geopolítica. O DAX sobe 0,19%, o CAC 40 0,14% e o Euro Stoxx 50 0,15%, enquanto o FTSE 100 negoceia praticamente inalterado.
No mercado obrigacionista, a sessão é igualmente de poucas alterações. As yields dos Treasuries permanecem relativamente estáveis depois de Scott Bessent não ter dado novas indicações sobre eventuais alterações ao programa de gestão da dívida norte-americana. O secretário do Tesouro afirmou que o departamento deverá continuar com o programa regular de emissão, não sendo esperados ajustamentos antes do próximo anúncio trimestral de financiamento, previsto para o início de Novembro.
No petróleo, a reacção é mais clara. O Brent recua para cerca de 90,15 dólares por barril e o WTI para 84,60 dólares, com o mercado a interpretar a ofensiva de Washington como uma operação essencialmente económica, e não como o prelúdio de uma nova escalada militar. A diminuição do prémio geopolítico ajuda, assim, a aliviar a pressão sobre os preços, depois da forte valorização registada nas últimas sessões.
No mercado cambial, o dólar negoceia pouco alterado, mas recupera parte das perdas recentes. O índice DXY volta a testar os 99 pontos, enquanto o EUR/USD recua para 1,1660. A recuperação do dólar surge num contexto de maior prudência nos mercados, embora ainda sem força suficiente para alterar de forma significativa a tendência recente.
O iene japonês volta a perder terreno, com o USD/JPY a subir para 159,50 e o EUR/JPY para 186,00. A evolução do par dólar/iene continua particularmente relevante, dada a proximidade dos níveis que anteriormente suscitaram preocupações de intervenção por parte das autoridades japonesas.
Também o franco suíço começa a sessão sob pressão, com o USD/CHF a subir para 0,8040, máximos dos últimos dias, enquanto o EUR/CHF avança para 0,9370.
A libra esterlina mantém-se relativamente estável, recuando ligeiramente face ao dólar, com o GBP/USD nos 1,3630, mas valorizando contra o euro, com o EUR/GBP nos 0,8550.