Café da Manhã
Petróleo alivia mercados
O petróleo recua com as perspectivas de um cessar-fogo entre EUA e Irão e de reabertura de Ormuz, enquanto os mercados aguardam Nvidia, PCE e Jackson Hole para novas pistas sobre a Fed.
Os mercados globais mantêm-se em modo de espera, com os investidores a anteciparem os resultados da Nvidia, que serão um teste decisivo à confiança na temática da inteligência artificial, enquanto o alívio das tensões no Médio Oriente continua a pressionar os preços do petróleo e a retirar pressão às yields obrigacionistas.
Nos mercados accionistas, Wall Street encerrou a sessão de terça-feira em terreno positivo, apesar de alguma prudência antes dos resultados da Nvidia. O Dow Jones subiu 0,30%, o Nasdaq 100 ganhou 0,66% e o S&P 500 avançou 0,32%. A queda da confiança dos consumidores norte-americanos para o nível mais baixo do ano, reflectindo uma deterioração das perspectivas sobre as condições empresariais e o mercado de trabalho, não foi suficiente para inverter o sentimento.
Na Ásia, o optimismo foi mais evidente, com os investidores a posicionarem-se antes dos resultados da Nvidia e perante a possibilidade de um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão. O Nikkei 225 subiu 0,61%, o Hang Seng ganhou 0,50% e o Kospi avançou 0,97%. Na China, o Shanghai Composite valorizou 0,59% e o Shenzhen Composite 0,85%, enquanto o ASX 200 australiano contrariou a tendência, com uma queda de 0,40%.
Na Europa, a abertura é mais mista, depois das notícias de que Washington e Teerão poderão estar próximos de um acordo de cessar-fogo. O CAC 40 sobe 0,46%, enquanto o Euro Stoxx 50 avança 0,08%. O DAX e o FTSE 100 recuam ambos 0,09%. A possibilidade de uma nova subida das taxas pelo BCE em Setembro para conter os efeitos inflacionistas da guerra no Irão continua igualmente em cima da mesa, embora, segundo a Reuters, os responsáveis da instituição revelem pouca disponibilidade para sinalizar novos aumentos depois dessa reunião.
No mercado petrolífero, o movimento de correcção ganhou força. Depois de ter negociado acima dos 90 dólares, o crude caiu para mínimos de duas semanas, com o Brent agora próximo dos 85 dólares e o WTI em torno dos 80 dólares.
A principal razão para esta queda é a perspectiva de uma redução do risco geopolítico. A divulgação de detalhes da estratégia económica norte-americana contra o Irão, as indicações de que Washington não pretende retomar, para já, os ataques militares e, sobretudo, as conversações entre o Irão e Omã sobre um quadro provisório para a reabertura do estreito de Ormuz alimentaram as expectativas de normalização dos fluxos de petróleo.
A possibilidade de um prolongamento do cessar-fogo entre Washington e Teerão reforçou esse movimento. A pressão sobre os preços é ainda agravada pelas primeiras estimativas de inventários norte-americanos, com os dados do API a apontarem para um aumento de 4,2 milhões de barris na semana terminada a 21 de Agosto.
No mercado cambial, o dólar permanece relativamente estável, com os investidores a aguardarem os dados de inflação PCE nos Estados Unidos e, sobretudo, as indicações que poderão sair de Jackson Hole no final da semana sobre a orientação futura da Reserva Federal. O índice DXY negoceia nos 98,90 pontos, enquanto o EUR/USD permanece próximo de 1,1670.
O iene também mantém-se praticamente inalterado, com o USD/JPY nos 159,00 e o EUR/JPY nos 185,70. O franco suíço continua sob pressão, com o USD/CHF nos 0,8030 e o EUR/CHF nos 0,9375. A libra mantém-se próxima dos máximos recentes, com o GBP/USD nos 1,3630 e o EUR/GBP nos 0,8560.
O dólar canadiano, por seu lado, enfraqueceu depois de o Governo de Mark Carney ter respondido às novas tarifas impostas por Donald Trump e anunciado medidas de apoio às empresas afectadas pelo agravamento da disputa comercial com os Estados Unidos. O USD/CAD subiu para 1,3860 e o EUR/CAD para 1,6180.
Na Austrália, a inflação subjacente mais forte do que o esperado em Julho reforçou as expectativas de uma nova subida das taxas pelo Reserve Bank of Australia. O dólar australiano reagiu em alta, com o AUD/USD a atingir 0,7185, máximo de quase três meses.
O foco dos mercados permanece, assim, dividido entre Nvidia, inflação e bancos centrais, enquanto a evolução das negociações entre os Estados Unidos e o Irão poderá continuar a determinar a trajectória do petróleo e, por consequência, das expectativas de inflação e das yields obrigacionistas.