Café da Manhã
Nvidia anima mercados
A Nvidia volta a superar expectativas e reacende o optimismo nas bolsas, mas a inflação norte-americana acima do esperado reforça as apostas em novas subidas dos juros da Fed. Petróleo e dólar estabilizam.
Os mercados accionistas recuperam algum optimismo esta quinta-feira, depois de a Nvidia ter voltado a superar as expectativas e apresentado uma perspectiva de crescimento de receitas robusto até 2028. O outlook da fabricante de chips veio reforçar a convicção de que o investimento em infra-estruturas de inteligência artificial continua forte, aliviando, pelo menos por agora, os receios de que o actual ciclo de investimento possa estar perto de atingir o seu limite.
A reacção foi imediata. As acções da Nvidia chegaram a valorizar cerca de 5% no mercado fora de horas, enquanto os futuros dos principais índices norte-americanos avançam, com o Nasdaq 100 novamente a beneficiar do entusiasmo em torno da inteligência artificial. O resultado da Nvidia surge numa altura particularmente importante, depois de vários dias de pressão sobre o sector tecnológico e de dúvidas crescentes quanto à sustentabilidade das elevadas avaliações das empresas ligadas à IA.
Em Wall Street, a sessão de quarta-feira tinha terminado praticamente sem alterações com os investidores a manterem uma postura de expectativa antes dos resultados da Nvidia. O Dow Jones perdeu 0,21%, pressionado, entre outras, pela queda de 2,25% da Nike, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq 100 terminaram praticamente inalterados.
O optimismo em torno da Nvidia contrasta, contudo, com um contexto macroeconómico menos favorável. Os dados de inflação voltaram a lembrar aos investidores que a Reserva Federal poderá manter uma postura restritiva durante mais tempo. O índice PCE, a medida de inflação preferida da Fed, aumentou 0,2% em Julho, acima dos 0,1% esperados, enquanto a taxa homóloga acelerou para 3,7%.
Na Ásia, a reacção aos resultados da Nvidia foi maioritariamente positiva. O Kospi sul-coreano avançou 1,53%, beneficiando também da exposição do mercado ao sector dos semicondutores, enquanto o Shanghai Composite subiu 1,13% e o Shenzhen Composite ganhou 0,86%. Em sentido contrário, o Nikkei 225 recuou 0,14%, o Hang Seng perdeu 0,40% e o S&P/ASX 200 australiano caiu 0,98%.
Na Europa, a abertura foi mista, com os investidores a avaliarem novos dados económicos e a aguardarem a publicação das actas da reunião de Julho do Banco Central Europeu. O DAX avança 0,10% e o Euro Stoxx 50 ganha igualmente 0,10%, enquanto o FTSE 100 recua 0,40% e o CAC 40 perde 0,29%. A evolução do conflito entre a Rússia e a Ucrânia continua também a pesar sobre o sentimento.
Os preços do petróleo, depois das perdas acumuladas nos últimos dias procuram estabilizar, embora o Brent continue encaminhado para a quarta sessão consecutiva de perdas. O mercado permanece particularmente sensível às notícias diplomáticas relacionadas com o Médio Oriente e à possibilidade de um entendimento que permita a normalização da navegação no Estreito de Ormuz.
A deslocação do primeiro-ministro do Qatar a Teerão, numa tentativa de relançar as negociações de paz entre os EUA e o Irão, contribui para reduzir parte do prémio de risco incorporado nos preços. Ao mesmo tempo, o agravamento das tensões entre a Rússia e a Ucrânia limita o movimento de queda.
O Brent negoceia actualmente em torno dos 86 dólares por barril, enquanto o WTI ronda os 81,25 dólares. A evolução do petróleo continuará, assim, dependente do equilíbrio entre os sinais de progresso diplomático no Médio Oriente e o risco geopolítico associado aos conflitos em curso.
No mercado cambial, o dólar recupera parte do terreno perdido nas últimas sessões, beneficiando dos dados de inflação norte-americanos, que reforçaram a perspectiva de que a Fed poderá manter as taxas de juro elevadas durante mais tempo.
O índice DXY regressou acima dos 99 pontos, enquanto o EUR/USD recua para 1,1655. O movimento reflecte, sobretudo, o reajustamento das expectativas relativamente à política monetária norte-americana, depois de o PCE ter surpreendido pela positiva.
O iene permanece praticamente inalterado e próximo dos recentes mínimos, com o USD/JPY a negociar em 159,35 e o EUR/JPY em 185,75. O comportamento da moeda japonesa continua a reflectir o diferencial de taxas de juro e a expectativa em torno da política monetária do Banco do Japão.
O franco suíço mantém a tendência de desvalorização, com o USD/CHF em 0,8060 e o EUR/CHF em 0,9395. A libra recua igualmente dos máximos recentes, com o GBP/USD abaixo de 1,3600, enquanto o EUR/GBP sobe para 0,8580.
O dólar australiano segue em alta, beneficiando do ambiente mais favorável ao risco na região asiática e nas expectativas de subida de taxas de juro, enquanto o dólar canadiano permanece pressionado ensombrado pela guerra tarifária com os Estados Unidos.