EUR/USD
Semanal
O EUR/USD afasta-se dos máximos de três meses acima de 1,1700, com os mercados a voltarem a acreditar numa subida de taxas por parte da Fed. Irão os dados desta semana validar essas expectativas?
Após a conferência de imprensa que se seguiu à reunião de Julho da Reserva Federal, os mercados começaram a recuar nas expectativas de uma subida rápida das taxas de juro do banco central norte-americano. Kevin Warsh, nessa conferência de imprensa, levantou muitas dúvidas relativamente ao compromisso da Fed com o controlo da inflação, dando mesmo a entender uma possível mudança na referência do banco central para esse controlo. O dólar começou a deslizar e o EUR/USD a continuar a recuperação dos mínimos em que negociava, ajudado também pelos números do PCE, que em algumas das suas componentes ficaram abaixo do esperado pelos mercados.
Há duas semanas, a intervenção do Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, teve o condão de levar o mercado a afastar-se ainda mais do dólar, com o “debasement trade” a voltar a ser badalado entre os players de mercado, e o EUR/USD atingiu os 1,1700 pela primeira vez em mais de três meses.
No início da semana passada, um discurso vazio de Scott Bessent não mereceu qualquer resposta por parte dos mercados, com a volatilidade a manter-se afastada do EUR/USD, enquanto os mercados aguardavam pelos novos dados do PCE e pelo discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole.
Os números do core PCE mostraram uma nova subida mensal da inflação de 0,2%, em linha com o esperado, enquanto a medida anual se manteve nos 3,3%. Os números continuaram a mostrar que a inflação segue bem acima da meta da Fed dos 2%. Os comentários dos vários membros do FOMC mostravam preocupação, mas os mercados aguardavam pelas palavras de Kevin Warsh.
Essas palavras chegaram no último dia da semana e agitaram os mercados. Kevin Warsh acabou por deixar uma mensagem claramente mais dura do que a esperada. O presidente da Fed reconheceu a resiliência da economia norte-americana e considerou o mercado de trabalho estável, com uma taxa de desemprego de 4,1%. Mas, no que diz respeito à inflação, mostrou-se muito menos confortável. Apesar de os últimos dados da inflação terem sido melhores que o esperado, considerou que ainda não existem sinais de uma melhoria significativa. Warsh foi particularmente claro ao reafirmar que o objectivo de inflação de 2%, medido pelo PCE, é um compromisso firme da Fed e que, se o banco central não estiver confiante que a inflação está a convergir para esse nível de forma clara e a uma velocidade suficiente, “tem trabalho a fazer”. Warsh eliminou grande parte da ambiguidade criada em Julho, reforçou a possibilidade de a próxima alteração das taxas de juro ser uma subida e afastou-se de Donald Trump, que tem pressionado repetidamente a Fed para reduzir os juros.
A reacção não se fez esperar e o EUR/USD afastou-se dos recentes máximos, para terminar a semana, de novo abaixo dos 1,1600.
A pergunta é: será que os dados do mercado de trabalho desta semana, os últimos antes da próxima reunião do FOMC, irão alterar de forma significativa as expectativas dos mercados relativamente a uma subida de taxas da Fed?
Para os nonfarm payrolls, o consenso do mercado aponta para a criação de 50 mil empregos. Um número que surpreenda em alta poderá reforçar as expectativas de uma subida de taxas. No final da semana, a FedWatch Tool atribuía uma probabilidade de 60% a esse cenário na próxima reunião. Já um número que volte a mostrar uma redução de postos de trabalho deverá fazer recuar essa probabilidade.
Em minha opinião, a volatilidade durante esta semana poderá voltar a aumentar, entre um novo aumento das tensões geopolíticas e comerciais e uma agenda macroeconómica bem preenchida, com dados norte-americanos da actividade económica (ISM) e do emprego (JOLTS, ADP, Nonfarm Payrolls), e ainda com os números da inflação na Zona Euro.
Uma vez mais, será o lado do dólar o mais responsável pelos movimentos do EUR/USD. As expectativas do mercado para o BCE estão firmes numa subida de taxas já em Setembro. Para a Fed está tudo ainda em aberto. Após os dados desta semana, teremos ainda, na semana seguinte e antes da reunião da Fed, os mais importantes dados da inflação. Salvo um número dos Nonfarm Payrolls que surpreenda pela força, apesar de um aumento da volatilidade, não acredito num movimento mais violento.
O nível de 1,1500 poderá suster um movimento de queda do EUR/USD, enquanto o recente máximo nos 1,1710 deverá conter qualquer subida do par.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD reverteu quase todos os ganhos da semana anterior, interrompendo o movimento que o tinha levado a um máximo de mais de três meses, mas terminou a semana a negociar acima do agora suporte dado pela média móvel de 21 semanas.
O momentum do par mantém-se positivo, embora a linha de MACD se encontre ainda abaixo da linha neutra.
O romper na semana anterior da então resistência dada pela MM das 21 semanas, agora a 1,1577, mantém o par direccionado para um teste ao limite superior da área mais apertada de consolidação, nos 1,1830.
A vela da semana passada configura uma inside candle em relação à semana anterior. Um break acima do máximo semanal de 1,1710 poderá projectar o par para um teste à resistência dos 1,1830. Já uma quebra abaixo do mínimo da semana anterior em 1,1560 poderá sinalizar um falso rompimento da MM de 21 semanas, colocando novamente o par a caminho do suporte em 1,1465, base da área de consolidação mais apertada, antes do suporte em 1,1390 e do mínimo do ano em 1,1324.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD registou um forte movimento descendente no último dia da semana passada, voltando a negociar abaixo da média móvel dos 200 dias, que tinha quebrado na semana anterior, terminando de novo abaixo dos 1,1600, após máximos acima de 1,1700.
O MACD mantém-se bem acima da linha neutra, mas prepara-se para iniciar a semana com um cruzamento descendente da linha de Sinal, o que abre a possibilidade de uma inversão no sentimento do par. Em simultâneo, o RSI continua a recuar de terreno de sobrecompra.
O EUR/USD terminou a semana em torno do suporte dado pela MM de 21 dias (actualmente em 1,1584) e pelo nível de 38,2% de Fibonacci retracement do movimento entre o mínimo de Julho e o máximo de Agosto, situado em 1,1574.
O rompimento em baixa desta área de suporte (1,1574/1,1584) poderá levar novamente o par a testar a Nuvem de Ichimoku (actualmente entre 1,1424 e 1,1533), com um possível objectivo nos 1,1490, correspondente aos 61,8% de Fibonacci do movimento referido acima.
Já uma inversão da tendência descendente registada na semana passada terá como primeiro obstáculo a importante resistência dada pela MM de 200 dias (actualmente em 1,1630). Um rompimento acima deste nível poderá colocar novamente o par na tendência ascendente das últimas cinco semanas, com a próxima resistência no recente máximo de 1,1710.
Resistências - Suportes
1,1630 - 1,1533
1,1710 - 1,1490
1,1830 - 1,1390