Café da Manhã
Fed e Ormuz pressionam
As bolsas iniciam a semana sob pressão, o petróleo sobe com o regresso das tensões no Médio Oriente e o dólar corrige após os fortes ganhos provocados pelo tom hawkish de Kevin Warsh em Jackson Hole.
Os mercados iniciam a semana sob pressão, com o regresso das tensões no Médio Oriente a penalizar as bolsas e a impulsionar o petróleo. No mercado cambial, o dólar corrige parte dos fortes ganhos de sexta-feira, depois de Kevin Warsh ter reforçado o tom hawkish da Fed.
Os mercados accionistas iniciam a semana em terreno misto, depois de os Estados Unidos terem atacado dois lançadores de mísseis iranianos na ilha de Larak, no estreito de Ormuz. O ataque foi seguido por uma ofensiva iraniana contra forças norte-americanas na Jordânia, reacendendo os receios de uma nova escalada militar no Médio Oriente.
Na Ásia, o Nikkei 225 recuou 0,23%, o Kospi avançou 0,46% e o Hang Seng perdeu 0,24%. Na China, o Shanghai Composite subiu 0,86% e o Shenzhen Composite 0,35%, enquanto o ASX 200 australiano caiu 0,18%.
Na Europa, o sentimento é maioritariamente negativo, com o DAX a recuar 0,79% e o Euro Stoxx 50 a perder 0,31%. O CAC 40 negoceia praticamente inalterado, enquanto o FTSE 100 está encerrado devido a um feriado no Reino Unido.
A pressão sobre as bolsas surge depois de um final de semana igualmente negativo em Wall Street. Na sexta-feira, o Dow Jones terminou praticamente inalterado, enquanto o S&P 500 perdeu 0,25% e o Nasdaq 100 recuou 0,52%, com os investidores a digerirem os resultados empresariais e os últimos dados económicos, mas sobretudo a nova mensagem da Reserva Federal.
O discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole continua a condicionar os mercados. O presidente da Fed deixou claro que o combate à inflação continua a ser a principal prioridade do banco central e considerou que os dados mais recentes, apesar de alguma melhoria, não são suficientes para confirmar um progresso sustentado.
Warsh afirmou que a inflação permanece acima do objectivo de 2% e que a Fed ainda tem trabalho pela frente, admitindo novas subidas das taxas de juro caso as pressões sobre os preços continuem persistentes.
A reacção dos mercados foi imediata, com os investidores a aumentarem significativamente as apostas numa subida das taxas já na próxima reunião. A probabilidade implícita passou de cerca de 34% antes do discurso para aproximadamente 60%.
Este movimento levou as yields de curto prazo dos Treasuries a subir de forma significativa, enquanto as maturidades mais longas registaram uma evolução mais estável. Depois da forte volatilidade observada recentemente no mercado de dívida norte-americano, a mensagem de Warsh parece ter procurado transmitir uma maior determinação da Fed em controlar a inflação.
No mercado petrolífero, o regresso das tensões entre os Estados Unidos e o Irão voltou a colocar o estreito de Ormuz no centro das atenções.
Os preços do crude sobem cerca de 2%, com os investidores a incorporarem um prémio de risco associado a eventuais perturbações no fornecimento de petróleo do Médio Oriente. O ataque norte-americano teve como alvo lançadores de mísseis iranianos que, segundo Washington, se preparavam para colocar minas no estreito de Ormuz.
Depois de meses de conflito e de alguma estabilização das tensões, a possibilidade de novos confrontos reacende os receios relativamente à segurança das rotas de transporte de petróleo.
O Brent negoceia de momento nos 90,50 dólares por barril, enquanto o WTI transacciona em torno dos 85,50 dólares.
No mercado cambial, o dólar inicia a semana em correcção, depois de ter registado na sexta-feira a sua maior valorização diária em dois meses, impulsionado pelo discurso de Warsh.
O índice DXY negoceia em torno dos 99,50 pontos, enquanto o EUR/USD recupera ligeiramente, para cerca de 1,1600, depois de ter atingido um mínimo próximo de 1,1575.
O iene também recupera terreno, com o USD/JPY a recuar para 159,60, depois de ter atingido 160,20 na sexta-feira. A moeda japonesa beneficia de alguma correcção do dólar, mas os investidores continuam atentos a eventuais declarações das autoridades japonesas sobre o nível do câmbio e a possibilidade de intervenção.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou entretanto esperar que o Banco do Japão faça “o que é correcto” em matéria de política monetária. O EUR/JPY recua de 186,00 para 185,00.
O franco suíço continua pressionado, com o USD/CHF a negociar em 0,8085 e o EUR/CHF em 0,9380. A libra permanece relativamente estável face aos níveis de fecho da passada semana, com o GBP/USD em 1,3545 e o EUR/GBP em 0,8560.