Café da Manhã
Yields em alta

Café da Manhã Yields  em alta

Setembro começa sob pressão: a escalada entre EUA e Irão faz disparar o petróleo e reacende os receios de inflação, enquanto as yields atingem máximos de vários anos e os mercados acreditam numa Fed mais restritiva.

Os mercados financeiros iniciam Setembro sob pressão, com o regresso das tensões entre os Estados Unidos e o Irão a reacender os receios de uma escalada no Médio Oriente e, sobretudo, de novas pressões inflacionistas. A subida do petróleo voltou a colocar a política monetária no centro das atenções, num momento em que os investidores aumentam as expectativas de uma subida das taxas de juro pela Reserva Federal ainda este mês.

O impacto é particularmente evidente no mercado obrigacionista. As yields das obrigações soberanas globais atingiram máximos de vários anos, com as taxas a subirem de forma generalizada perante a perspectiva de uma inflação mais persistente. A yield da Treasury norte-americana a 10 anos chegou aos 4,78%, o nível mais elevado desde Janeiro de 2025, enquanto a yield japonesa a 10 anos tocou os 3% pela primeira vez desde 1996. Na Austrália, a taxa de referência atingiu máximos desde 2011.
Na Europa, a pressão também se intensificou. As yields das obrigações a 10 anos de França e Alemanha atingiram máximos de 15 anos, num contexto de crescentes preocupações com as contas públicas dos dois países. A conjugação entre maiores necessidades de financiamento, pressões orçamentais e expectativas de juros mais elevados está a penalizar o mercado de dívida e a contribuir para uma subida generalizada das yields.

Em Wall Street, o último dia de Agosto terminou igualmente em terreno negativo. A subida do crude, associada ao reacender das tensões entre Washington e Teerão, voltou a alimentar os receios de inflação e de uma política monetária mais restritiva. O Dow Jones recuou 0,70%, o S&P 500 perdeu 0,33% e o Nasdaq 100 caiu 0,12%. Apesar da queda, os três principais índices norte-americanos terminaram Agosto com ganhos mensais.

Na Ásia, o sentimento permanece igualmente condicionado pela evolução do conflito. Os principais índices negociaram maioritariamente em baixa, apesar de alguns dados económicos positivos. O Kospi sul-coreano avançou 0,23%, enquanto o Nikkei japonês recuou 0,19%. Na China, o Shanghai Composite perdeu 0,16% e o Shenzhen Composite 0,30%, enquanto o Hang Seng caiu 0,92%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 0,10%. Destaque ainda para a estreia bolsista da Shein, cujas acções chegaram a cair cerca de 8%.

Na Europa, a sessão é igualmente mista, com os investidores atentos à evolução do conflito no Médio Oriente e aos próximos dados de inflação da Zona Euro. O FTSE 100, de regresso após o feriado, recua 0,49%, enquanto o DAX perde 0,44%, penalizado, entre outras, pelas quedas superiores a 2% da SAP e da Rheinmetall. O CAC 40 contraria a tendência e sobe 0,34%, enquanto o Euro Stoxx 50 negoceia praticamente inalterado.

No mercado petrolífero, o foco regressou claramente ao risco geopolítico. Os Estados Unidos e o Irão voltaram a trocar ataques pela primeira vez em cerca de um mês, depois de forças norte-americanas terem atingido uma ilha no Estreito de Ormuz e de o Irão ter lançado mísseis contra os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia. A nova escalada veio destruir parte das expectativas de estabilização do tráfego marítimo em Ormuz e voltou a colocar um prémio geopolítico sobre o preço do crude. O Brent negoceia actualmente perto dos 91,80 dólares por barril, enquanto o WTI ronda os 87,10 dólares.

No mercado cambial, Setembro começa de forma relativamente tranquila, apesar do aumento da volatilidade nos restantes mercados. O dólar mantém os ganhos registados no final da semana passada, com o índice DXY em torno dos 99,50 pontos e o EUR/USD abaixo dos 1,1600. A força da moeda norte-americana continua a beneficiar do aumento das expectativas de uma Fed mais restritiva, sobretudo se a subida do petróleo se traduzir numa inflação mais persistente.
No Japão, o USD/JPY permanece próximo dos 160,00, mesmo depois de Scott Bessent ter defendido, segundo relatos, uma política monetária mais agressiva por parte do Banco do Japão, com o objectivo de apoiar o iene. O EUR/JPY negoceia perto dos 185,50.
O franco suíço continua também sob pressão, com o USD/CHF em torno dos 0,8100 e o EUR/CHF nos 0,9400. A libra mantém-se igualmente pouco alterada face aos níveis recentes, com o GBP/USD a negociar perto de 1,3540 e o EUR/GBP em 0,8570.


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