Café da Manhã
Risco geopolítico regressa

Café da Manhã Risco geopolítico regressa

A escalada das tensões entre EUA e Irão volta a pressionar os mercados. O petróleo sobe para máximos de três meses, as yields avançam e crescem os receios de inflação e de novas subidas dos juros.

Os mercados accionistas iniciaram Setembro sob forte pressão, com a escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irão a voltar a colocar a energia e a inflação no centro das preocupações dos investidores. A retoma das hostilidades junto ao Estreito de Ormuz está a limitar o apetite pelo risco e a alimentar receios de perturbações no fornecimento global de petróleo.

A subida dos preços do crude está, por sua vez, a pressionar em alta as yields das obrigações, perante o receio de que uma inflação mais persistente possa levar os bancos centrais a adoptar uma postura mais restritiva. O movimento penalizou simultaneamente acções e obrigações, numa altura em que os mercados começam a incorporar a possibilidade de novas subidas das taxas de juro já este mês.

Na Ásia, o MSCI Asia Pacific recuou cerca de 2%, para mínimos de uma semana, enquanto o MSCI All Country World Index caiu para o nível mais baixo em quase um mês. Entre os principais índices, o sul-coreano Kospi foi particularmente penalizado, ao perder 3,99%, enquanto o Nikkei japonês recuou 2,96%. Na China, o Shanghai Composite caiu 0,97% e o Shenzhen Composite perdeu 1,38%, enquanto o Hang Seng cedeu 0,31%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 desvalorizou 0,97%.

Na Europa, o sentimento mantém-se igualmente negativo. O DAX alemão recua 0,43%, o CAC 40 francês perde 0,35%, o FTSE 100 cai 0,39% e o Euro Stoxx 50 desvaloriza 0,18%. Os investidores acompanham de perto a evolução do conflito no Médio Oriente, depois de Teerão ter afirmado que os ataques contra bases norte-americanas na Jordânia provocaram a morte de vários militares dos EUA. Donald Trump, por seu lado, voltou a afastar a possibilidade de um acordo com o Irão que, na sua perspectiva, não ofereça contrapartidas suficientes.

Em Wall Street, a primeira sessão de Setembro terminou no vermelho. A subida das yields das Treasuries, conjugada com o agravamento das tensões geopolíticas, levou os investidores a reduzir a exposição ao risco. O Dow Jones caiu 0,79%, o S&P 500 perdeu 0,71% e o Nasdaq 100 recuou 1,03%.

No mercado petrolífero, o recrudescimento das hostilidades está a assumir um papel central. O crude valorizou pela terceira sessão consecutiva, perante o receio de que um conflito prolongado possa comprometer o fluxo de energia através do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo. O Brent negoceia de momento próximo dos 95 dólares por barril, enquanto o WTI ronda os 90 dólares, recuando de máximos já atingidos hoje acima de 97 e 92 dólares, respectivamente.

No mercado cambial, apesar do agravamento das tensões entre Washington e Teerão, a reacção tem sido relativamente contida. O dólar regista ganhos ligeiros, com o índice DXY a negociar próximo dos 99,60 pontos e o EUR/USD em torno de 1,1575.
O iene recupera algum terreno, com o USD/JPY a recuar para 159,70, depois de ter negociado acima dos 160. O movimento surge depois de membros do Banco do Japão colocarem cada vez mais perto uma subida de taxas de juro já neste mês de Setembro. O EUR/JPY caiu abaixo dos 185,00 pela primeira vez em mais de uma semana.
O franco suíço continua sob pressão, apesar do ambiente de maior aversão ao risco, com o USD/CHF a atingir 0,8140 e o EUR/CHF a aproximar-se dos 0,9425. Também a libra esterlina acusa o sentimento de aversão ao risco dos mercados, com o GBP/USD a recuar para perto de 1,3500 e o EUR/GBP a negociar em torno de 0,8570.
O dólar neozelandês foi uma das moedas mais penalizadas, ao cair cerca de 1%, após o seu banco central ter concretizado a esperada subida de 25 pontos base, mas acompanhando a decisão por uma comunicação mais dovish, desiludindo os mercados que esperavam uma continuação de subidas de taxas.


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