Café da Manhã
Dólar recua, iene dispara
As bolsas recuperam após três sessões de perdas, mas o petróleo mantém-se elevado e o iene dispara perante expectativas de subida de juros no Japão. O dólar recua, enquanto os mercados aguardam novos sinais da Fed.
Os mercados accionistas recuperaram parte das perdas recentes, com resultados empresariais sólidos e avaliações mais atractivas a incentivarem os investidores a regressar às compras. O S&P 500 interrompeu assim uma sequência de três sessões consecutivas de quedas, num movimento de recuperação que contou ainda com sinais de menor pressão inflacionista e alguma perda de dinamismo no mercado de trabalho norte-americano.
Nos Estados Unidos, os principais índices encerraram a sessão de quarta-feira em terreno positivo. O Dow Jones avançou 0,56%, enquanto o S&P 500 ganhou 0,46% e o Nasdaq subiu 0,45%. A subida foi liderada pelo sector tecnológico, com a Dell a disparar 15,81% após apresentar resultados acima das expectativas, enquanto a Nvidia e a Disney também registaram ganhos.
Apesar da recuperação, o ambiente continua marcado pela incerteza em torno da política monetária da Reserva Federal. O relatório ADP revelou a criação de apenas 38 mil postos de trabalho no sector privado em Agosto, abaixo do esperado, reforçando os sinais de abrandamento do mercado laboral. Já o Beige Book da Fed apontou para uma expansão apenas moderada da actividade desde Julho, acompanhada por uma visão ligeiramente menos optimista sobre o emprego e por um tom mais benigno relativamente à inflação.
Na Ásia, a recuperação dos mercados norte-americanos não foi suficiente para garantir uma tendência uniforme. Os investidores continuam à espera de novos dados económicos e de declarações dos responsáveis dos bancos centrais que possam ajudar a antecipar a decisão da Fed este mês. O Nikkei recuou 0,18% e o Hang Seng perdeu 0,54%, enquanto o Kospi avançou 0,26% e o ASX 200 ganhou 0,46%. Na China continental, o Shanghai Composite terminou praticamente inalterado e o Shenzhen Composite subiu 0,10%.
Na Europa, o arranque da sessão é igualmente negativo, com os investidores a avaliarem os novos dados económicos, incluindo a inflação e o PIB suíços, bem como os preços no produtor da Zona Euro e os indicadores de actividade do sector privado na Alemanha e na região. O DAX recua 0,10%, o FTSE 100 perde 0,11%, o CAC 40 cai 0,38% e o Euro Stoxx 50 desvaloriza 0,23%.
No mercado cambial, porém, é o iene que concentra as atenções. O USD/JPY caiu de níveis superiores a 160 para negociar actualmente em torno de 157, enquanto o EUR/JPY recuou de perto de 186 para a região dos 182,00. A dimensão e rapidez do movimento alimentaram especulação sobre uma eventual nova intervenção das autoridades japonesas, embora a explicação possa estar sobretudo na crescente sensibilidade do mercado antes da reunião do Banco do Japão, marcada para 18 de Setembro.
A forte valorização do iene surgiu depois de vários responsáveis japoneses terem dado sinais favoráveis a uma subida das taxas de juro ainda este mês. Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano, também pareceu apoiar uma política monetária mais restritiva em Tóquio. Os mercados passaram entretanto a incorporar plenamente uma subida de 25 pontos base pelo Banco do Japão, enquanto a especulação em torno de um eventual rate check reforçou o alerta para uma possível intervenção cambial.
O movimento do iene surge num contexto de recuo generalizado do dólar. O DXY, depois de ter atingido um máximo de três semanas nos 99,80 pontos na sequência do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole, recua hoje para 99,25, permitindo ao EUR/USD regressar acima de 1,1600.
O franco suíço recupera igualmente parte das perdas recentes, com o USD/CHF a cair para 0,8090 e o EUR/CHF para 0,9390. Já a libra esterlina permanece próxima dos mínimos da semana, com o GBP/USD em torno de 1,3500 e o EUR/GBP perto de 0,8600.
No mercado petrolífero, os preços estabilizam depois de três sessões consecutivas de ganhos. O Brent continua a negociar em torno dos 95 dólares por barril, enquanto o WTI ronda os 90,50 dólares. Os investidores continuam a avaliar o risco de novas perturbações no abastecimento do Médio Oriente devido à renovada troca de ataques entre os Estados Unidos e o Irão. Ao mesmo tempo, declarações de Donald Trump ajudaram a reduzir alguns receios de uma escalada imediata, enquanto responsáveis norte-americanos garantiram que os fluxos de energia através do Estreito de Ormuz permanecem robustos.